|
O Cão Fugitivo
Um cão tinha sido
criado numa casa. Fora ensinado a enfrentar os animais selvagens, mas,
quando se viu diante de um grupo deles pronto para atacar, quebrou a
própria coleira e fugiu pelas ruas da cidade. Vendo-o gordo e forte como
um touro, alguns de seus companheiros de raça lhe perguntaram:
- Por que fugiste?
- Eu sei - respondeu o cão - que posso comer tudo o que quero e
necessito, e até muito mais; mas, quando luto contra ursos e leões,
posso morrer a qualquer momento.
Os outros disseram entre si:
- Nossa vida é só nossa. Apesar de pobre, é bela, pois não combatemos
nem leões nem ursos.
Melhor viver longe dos perigos que ficar exposto a eles em troca de boas
coisas ou de glória vã.
La Fontaine
volta
ao índice
O
Rato e o Elefante
Um mínimo ratinho, ao
ver um elefante
Dos de vulto maior –
quadrúpede gigante –
A motejar se pôs do
caminhar pausado
Do famoso animal, que
no dorso elevado,
Como em terceiro
andar, tranqüilo conduzia,
Com sultana gentil de
ilustre hierarquia,
O seu gato, o seu
cão, sua velha companheira,
Um papagaio e um
mono, a sua casa inteira,
Que iam de romaria.
O mísero ratinho
Pasmava ao ver o povo
atento no caminho
A contemplar absorto
aquela enorme massa:
- Como se o ocupar
maior ou menor praça
Tirasse – êle dizia –
ou importância desse!
Homens, que admirais
vós num animal como êsse???
O volume será, do
corpo seu robusto,
Que infantes apavora
e os faz tremer de susto???
Nem um só grão,
sequer, nós nos prezamos menos
Que um elefante, nós
, que somos tão pequenos!
E mais ainda o rato
iria grazinando,
Se o gato, da gaiola
um lesto salto dando,
Não lhe houvesse
mostrado, em menos de um instante,
Que diferença vai de
um rato a um elefante.
La Fontaine
volta
ao índice
A raposa e as uvas
Certa raposa astuta,
normanda ou gascã,
Quase morta de fome, sem eira nem beira,
Andando à caça, de manhã,
Passou por uma alta parreira,
Carregada de cachos de uvas bem maduras.
Altas demais – não houve impasse:
“Estão verdes... já vi que são azedas, duras...”
Adiantaria se chorasse?
(La Fontaine. Fábulas, 1992, p. 211).
volta
ao índice
A Cigarra e a Formiga
A cigarra, sem pensar
em guardar, a cantar passou o verão.
Eis que chega o inverno, e então, sem provisão na despensa,
como saída, ela pensa em recorrer a uma amiga:
sua vizinha, a formiga, pedindo a ela, emprestado,
algum grão, qualquer bocado,
até o bom tempo voltar.
"Antes de agosto chegar, pode estar certa a senhora:
pago com juros, sem mora."
Obsequiosa, certamente, a formiga não seria.
"Que fizeste até outro dia?"
perguntou à imprevidente.
"Eu cantava, sim, Senhora, noite e dia, sem tristeza."
"Tu cantavas? Que beleza!
Muito bem: pois dança agora..."
Do livro Fábulas de La Fontaine, 1992.
volta
ao índice
A raposa e o corvo
Um dia um corvo estava pousado no galho de uma árvore com um pedaço de
queijo no bico quando passou uma raposa. Vendo o corvo com o queijo, a
raposa logo começou a matutar um jeito de se apoderar do queijo. Com
esta idéia na cabeça, foi para debaixo da árvore, olhou para cima e
disse:
- Que pássaro magnífico avisto nessa árvore! Que beleza estonteante! Que
cores maravilhosas! Será que ele tem uma voz suave para combinar com
tanta beleza! Se tiver, não há dúvida de que deve ser proclamado rei dos
pássaros.
Ouvindo aquilo o corvo ficou que era pura vaidade. Para mostrar à raposa
que sabia cantar, abriu o bico e soltou um sonoro "Cróóó!" . O queijo
veio abaixo, claro, e a raposa abocanhou ligeiro aquela delícia,
dizendo:
- Olhe, meu senhor, estou vendo que voz o senhor tem. O que não tem é
inteligência!
Moral: cuidado com quem muito elogia.
Do livro Fábulas de Esopo, 1994.
volta
ao índice
O Lobo e o Cordeiro
Fábula de La Fontaine
Um cordeiro estava bebendo água num riacho. O terreno era inclinado e
por isso havia uma correnteza forte. Quando ele levantou a cabeça,
avistou um lobo, também bebendo da água.
- Como é que você tem a coragem de sujar a água que eu bebo - disse o
lobo, que estava alguns dias sem comer e procurava algum animal
apetitoso para matar a fome.
- Senhor - respondeu o cordeiro - não precisa ficar com raiva porque eu
não estou sujando nada. Bebo aqui, uns vinte passos mais abaixo, é
impossível acontecer o que o senhor está falando.
- Você agita a água - continuou o lobo ameaçador - e sei que você andou
falando mal de mim no ano passado.
- Não pode - respondeu o cordeiro - no ano passado eu ainda não tinha
nascido.
O lobo pensou um pouco e disse:
- se não foi você foi seu irmão, o que dá no mesmo.
- Eu não tenho irmão - disse o cordeiro - sou filho único.
- Alguém que você conhece, algum outro cordeiro, um pastor ou um dos
cães que cuidam do rebanho, e é preciso que eu me vingue.
Então ali, dentro do riacho, no fundo da floresta, o lobo saltou sobre o
cordeiro,a garrou-o com os dentes e o levou para comer num lugar mais
sossegado.
MORAL: A razão do mais forte é sempre a melhor.
volta
ao índice
A Macieira Encantada
Era uma vez um reino antigo e pobre, situado perto de uma grande
montanha.
Havia uma lenda de que, no alto dessa montanha havia uma Macieira
mágica, que produzia maçãs de ouro. Para colher as maçãs era preciso
chegar até lá, enfrentando todas as situações que aparecessem no
caminho. Nunca ninguém havia conseguido essa façanha, conforme dizia a
lenda.
O Rei do lugar resolveu oferecer um grande prêmio àquele que se
dispusesse a fazer essa viagem e que conseguisse trazer as maçãs, pois
assim o reino estaria a salvo da pobreza e das dificuldades que o povo
enfrentava. O prêmio seria da escolha do vencedor e incluía a mão da
princesa em casamento.
Apareceram três valorosos e corajosos cavaleiros dispostos a essa
aventura tão difícil.
Eles deveriam seguir separados e, por coincidência, havia três caminhos:
1º - rápido e fácil, onde não havia nenhum obstáculo e nenhuma
dificuldade;
2º - rápido e não tão fácil quanto o primeiro, pois havia algumas
situações a serem enfrentadas;
3º - longo e difícil, cheio de situações trabalhosas.
Foi efetuado um sorteio para ver quem escolheria em primeiro lugar um
desses caminhos. O primeiro sorteado escolheu, naturalmente, o Primeiro
caminho. O segundo sorteado escolheu o Segundo caminho. O terceiro
sorteado, sem nenhuma outra opção, aceitou o Terceiro caminho.
Eles partiram juntos, no mesmo horário, levando consigo apenas uma
mochila contendo alimentos, agasalhos e algumas ferramentas.
O Primeiro, com muita facilidade chegou rapidamente até a montanha,
subiu, feliz por acreditar que seria o vencedor e quando se deparou com
a Macieira Encantada sorriu de felicidade. O que ele não esperava,
porém, é que ela fosse tão inatingível.
Como chegar até as
maçãs? Elas estavam em galhos muito altos. Não havia como subir. O
tronco era muito alto também. Ele não possuía nenhum meio de chegar até
lá em cima. Ficou esperando o Segundo chegar para resolverem juntos a
questão.
O Segundo enfrentou galhardamente a primeira situação com a qual se
deparou, porém logo em seguida apareceu outra, e logo depois mais uma e
mais outra, sendo algumas delas um tanto difíceis de superar. Ele acabou
ficando cansado, esgotado até ficar doente, e cair prostrado. Quando se
deu conta de seu péssimo estado físico, foi obrigado a retroceder e
voltou para a aldeia, onde foi internado para cuidados médicos.
O Terceiro teve seu primeiro teste quando acabou sua água e ele chegou a
um poço. Quando puxou o balde, arrebentou a corda e ele então,
rapidamente, com suas ferramentas e alguns galhos, improvisou uma escada
para descer até o poço e retirar a água para saciar sua sede. Resolveu
levar a escada consigo e também a corda remendada. Percebeu que estava
começando a gostar muito dessa aventura.
Depois de descansar, seguiu viagem e precisou atravessar um rio com uma
correnteza fortíssima. Construiu, então, uma pequena jangada e com uma
vara de bambu como apoio, conseguiu chegar do outro lado do rio,
protegendo assim sua mochila, seus agasalhos e todo o material que
levava consigo para o momento que precisasse deles, incluindo a jangada.
Em um outro ponto do caminho ele teve de cortar o mato denso e passar
por cima de grossos troncos. Com esses troncos ele fez rodas para
facilitar o transporte do seu material, usando também a corda para
puxar.
E assim, sucessivamente, a cada nova situação que surgia, como ele não
tinha pressa, calmamente, fazendo uso de tudo o que estava aprendendo
nessa viagem e do material que, prudentemente guardara, resolvia
facilmente a questão.
A viagem foi longa, cheia de situações diferentes, de detalhes, e logo
chegou o momento esperado, quando ele se defrontou com a Macieira
Encantada. O Primeiro havia se cansado de esperar e também retornara ao
povoado.
O encanto da Macieira tomou conta do Terceiro. Ela era tão linda,
grande, alta, brilhante. Os raios do sol incidindo nos frutos dourados
irradiavam uma luz imensa que o deixou extasiado. Quanto mais olhava
para a luz dourada, mais ele se sentia invadir por ela, e percebeu que
todo o seu corpo parecia estar também dourado.
Nesse momento ele
sentiu como se uma onda de sabedoria tomasse conta de seu ser. Com essa
sensação maravilhosa ele se deixou ficar, inebriado, durante longo
tempo. Depois do impacto ele se pôs a trabalhar e preparou
cuidadosamente, seu material, fazendo uso de todos os seus recursos.
Transformou a jangada numa grande cesta, para guardar as maçãs dentro,
subiu na árvore, pela escada, usou o bambu para empurrar as maçãs mais
altas e mais distantes. Tudo isso e mais algumas providências que sua
criatividade lhe sugeriu para facilitar seu trabalho, que havia se
transformado em prazer.
Depois de encher a cesta com as maçãs, e com a certeza de que poderia
voltar ali quando quisesse, por ser a Macieira pródiga, ele agradeceu a
Deus por ter chegado, por ter conseguido concluir seu objetivo.
Agradeceu principalmente a si mesmo pela coragem e persistência na
utilização de todos os seus recursos, como inteligência e criatividade.
Voltou pelo caminho mais fácil, levando consigo os frutos de seu
trabalho e de seus esforços, frutos esses colhidos com muita competência
e merecimento. Descobriu, entre outras coisas que:
tudo que apareceu em seu caminho foi útil e importante para sua vitória;
cada uma das situações que ele resolveu, foi de grande aprendizado, não
só para aquele momento, mas também para vários outros na sua vida
futura;
quando você faz do seu trabalho um prazer, suas chances de sucesso são
muito maiores;
quando seu objetivo vale a pena, não há nada que o faça desistir no meio
do caminho;
a sua vitória poderia beneficiar a vida de muita gente e também servir
de exemplo a outras pessoas, a quem ele poderia ensinar tudo o que
aprendeu nessa trajetória.
O resto da história vocês podem imaginar. E como toda história que se
preze, viveram felizes para sempre...
Eu gostaria de convidar a todos que lerem essa metáfora a fazerem uma
reflexão sobre seu conteúdo e acrescentar, de acordo com a sua própria
experiência e compreensão do texto, novas descobertas e possíveis
benefícios e aprendizado, tanto para si, quanto para outras pessoas.
volta
ao índice
O Lascador de Pedras
Acredita que outros vivem melhor do que você? Gostaria de ter nascido em
lugar diferente, em outro País, desfrutar de outras condições? Quem
sabe, ter outros pais? Melhor condição financeira?
Assim também pensava Mogo, um jovem que viveu na China há muitos anos.
Ele ganhava seu sustento lascando pedras. Embora são e forte, não estava
contente com sua vida. Queixava-se dia e noite. Tanto reclamou que seu
anjo da guarda disse-lhe em sonhos, certa noite: "Você tem saúde e uma
vida pela frente. Deveria ser agradecido a Deus. Por que reclama tanto e
é tão infeliz?"
"Deus foi injusto comigo", disse o rapaz. "não me deu oportunidade de
crescer."
Com medo que o seu protegido acabasse perdendo a sua vida, o anjo rogou
ajuda ao Pai Todo Poderoso. Deus disse ao mensageiro que tudo o que Mogo
pedisse lhe seria concedido.
No dia seguinte, Mogo quebrava pedras quando viu passar uma carruagem
com um nobre coberto de jóias. Desejou ser nobre. E transformou-se,
então, em dono de um palácio, com muitas terras, servidores e cavalos.
Passeando em uma das tardes, feliz porque todos se curvavam à sua
passagem em sinal de respeito, sentiu um calor insuportável. Mogo
transpirava como no tempo em que lascava pedras. Deu-se conta de que o
sol era maior do que ele, estava acima de príncipes, reis, imperadores e
muito mais alto que todos. "Por que não posso ser o Sol?"
Escondendo a sua tristeza, o Anjo da Guarda atendeu seu desejo.
Enquanto brilhava no céu, admirado com seu gigantesco poder de
amadurecer as colheitas, um ponto negro avançou em sua direcção. A
mancha escura ficou à sua frente e ele não podia mais ver a Terra.
"Anjo, quero ser nuvem."
Logo, poderoso, ele escurecia o sol. "Sou invencível", gritava.
Mas uma imensa rocha de granito se erguia em meio ao oceano. Mogo achou
que a rocha o desafiava, e se transformou em rocha.
Certa manhã, Mogo sentiu uma lança aguda em suas entranhas de pedra.
Depois outra. E outra.
"Anjo, socorro! Alguém tem mais poder do que eu. Quero ser poderoso como
este ser que está tentando me matar!"
E transformou-se em lascador de pedras...
volta
ao índice
A Pedra no Caminho
Conta-se a lenda de um rei que viveu num país além-mar há muitos anos.
Ele era muito sábio e não poupava esforços para ensinar bons hábitos a
seu povo.
Freqüentemente fazia
coisas que pareciam estranhas e inúteis; mas tudo que fazia era para
ensinar o povo a ser trabalhador e cauteloso.
Nada de bom pode vir a uma nação dizia ele cujo povo reclama e espera
que outros resolvam seus problemas. Deus dá as coisas boas da vida a
quem lida com os problemas por conta própria.
Uma noite, enquanto todos dormiam, ele pôs uma enorme pedra na estrada
que passava pelo palácio. Depois foi se esconder atrás de uma cerca, e
esperou para ver o que acontecia.
Primeiro veio um fazendeiro com uma carroça carregada de sementes que
ele levava para moagem na usina.
Quem já viu tamanho descuido? disse ele contrariadamente, enquanto
desviava sua parelha e contornava a pedra. Por que esses preguiçosos não
mandam retirar essa pedra da estrada? E continuou reclamando da
inutilidade dos outros, mas sem ao menos tocar, ele próprio, na pedra.
Logo depois, um jovem soldado veio cantando pela estrada. A longa pluma
do seu quepe ondulava na brisa, e uma espada reluzente pendia à sua
cintura. Ele pensava na maravilhosa coragem que mostraria na guerra.
O soldado não viu a pedra, mas tropeçou nela e se estatelou no chão
poeirento. Ergueu-se, sacudiu a poeira da roupa, pegou a espada e
enfureceu-se com os preguiçosos que insensatamente haviam largado uma
pedra imensa na estrada. Então, ele também se afastou, sem pensar uma
única vez que ele próprio poderia retirar a pedra.
Assim correu o dia. Todos que por ali passavam reclamavam e resmungavam
por causa da pedra colocada na estrada, mas ninguém a tocava.
Finalmente, ao cair da noite, a filha do moleiro por lá passou. Era
muito trabalhadora, e estava cansada, pois desde cedo andava ocupada no
moinho.
Mas disse a si mesma: Já está quase escurecendo, alguém pode tropeçar
nesta pedra à noite e se ferir gravemente. Vou tirá-la do caminho.
E tentou arrastar dali a pedra. Era muito pesada, mas a moça empurrou, e
empurrou, e puxou, e inclinou, até que conseguiu retirá-la do lugar.
Para sua surpresa, encontrou uma caixa debaixo da pedra.
Ergueu a caixa. Era pesada, pois estava cheia de alguma coisa. Havia na
tampa os seguintes dizeres: Esta caixa pertence a quem retirar a pedra.
Ela abriu a caixa e descobriu que estava cheia de ouro.
A filha do moleiro foi para casa com o coração feliz. Quando o
fazendeiro e o soldado e todos os outros ouviram o que havia ocorrido,
juntaram-se em torna do local na estrada onde a pedra estava. Revolveram
o pó da estrada com os pés, na esperança de encontrar um pedaço de ouro.
Meus amigos disse o rei, com freqüência encontramos obstáculos e fardos
no caminho. Podemos reclamar em alto e bom som enquanto nos desviamos
deles se assim preferirmos, ou podemos erguê-los e descobrir o que eles
significam. A decepção é normalmente o preço da preguiça.
Então o sábio rei montou em seu cavalo e com um delicado boa-noite
retirou-se.
volta
ao índice
A serpente e o vaga-lume
Conta à lenda que uma vez uma serpente começou a perseguir um
vaga-lume.
Este fugia rápido,
com medo da feroz predadora e a serpente nem pensava em desistir.
Fugiu um dia e ela
não desistia, dois dias e nada...
No terceiro dia, já
sem forças, o vaga-lume parou e disse a serpente:
- Posso lhe fazer
três perguntas?
- Não costumo abrir
esse procedente pra ninguém, mas já vou te devorar mesmo, pode
perguntar....
- Pertenço a sua
cadeia alimentar?
- Não
- Então por que você
quer acabar comigo?
- Porque não suporto
ver você brilhar....
'Pense nisso e
selecione as pessoas em quem confiar'
volta
ao índice
O Boi e a Rã
Um Boi indo beber
água num charco, acidentalmente pisa numa ninhada de rãs e esmaga uma
delas.
A mãe das Rãs, ao dar pela falta de um dos seus filhotes, pergunta aos
seus irmãos o que aconteceu com ele.
Ele foi morto! Há poucos minutos atrás, uma grande Besta, com quatro
enormes patas rachadas ao meio, veio até a lagoa e pisou em cima dele.
A mãe começa a inchar e pergunta:
A besta era maior do que eu estou agora?
Pare mãe, pare de inchar - Pede seu filho - não se aborreça, mas eu lhe
asseguro, por mais que tente, você explodiria antes de conseguir imitar
o tamanho daquele Monstro.
volta
ao índice
O Carvalho e os Juncos
Um grande carvalho, ao ser arrancado do chão pela força de forte
ventania, rio abaixo é arrastado pela correnteza. Levado pelas águas,
ele cruza com alguns Juncos, e em tom de lamento exclama:
Gostaria de ser como vocês, que de tão esguios e frágeis, não são de
modo algum afetados por estes fortes ventos.
E Eles responderam:
Você lutou e competiu com o vento, por isso mesmo foi destruído. Nós ao
contrário, nos curvamos, mesmo diante do mais leve sopro da brisa, e por
esta razão permanecemos inteiros e a salvo.
volta
ao índice
O Lobo e a Ovelha
Um lobo,
muito ferido devido às várias mordidas de cachorros, repousava doente e
bastante debilitado em sua toca.
Como estava com fome, ele chamou uma ovelha que ia passando ali perto, e
pediu-lhe para trazer um pouco da água de um regato que corria ao lado
dela.
Assim, falou o lobo, se você me trouxer água, eu ficarei em
condições de conseguir meu próprio alimento.
Claro, respondeu a ovelha, se eu levar água para você, sem dúvida
eu serei esse alimento.
volta
ao índice
O Cervo Doente
Um Cervo doente
e incapaz de andar,
repousava quieto em um pequeno pedaço de pasto fresco.
E aqueles que se diziam seus companheiros, então vieram em grande número
para saber de sua saúde. E cada um deles, servia-se à vontade da escassa
grama daquele reduzido pasto, que lá estava para seu próprio sustento.
Assim ele morreu, não da doença da qual padecia, mas por falta de
alimento, uma vez que não podia caminhar para ir buscar em outro lugar.
Autor:
Esopo
Moral da História:
As más companhias sempre trazem mais infortúnios que alegrias.
volta
ao índice
O
Lobo e a Garça
Um Lobo,
ao se engasgar com um pedaço de osso, contratou uma Garça, para que esta
colocasse a cabeça dentro da sua goela, e de lá pudesse retirá-lo. Em
troca haveria de lhe dar uma grande soma em dinheiro,
Quando a Garça retirou o osso e pediu o pagamento combinado, o Lobo,
rosnando ferozmente, exclamou:
Ora, Ora! Você já foi devidamente recompensada. Quando permiti que
sua cabeça saisse a salvo de dentro da minha boca, você já foi muito bem
paga.
Autor:
Esopo
Moral da História:
Ao servir a alguém de má índole, ou ingrato, não espere recompensas, e
ainda agradeça caso o mesmo vire as costas e vá embora sem lhe causar
mal, ou difamação alguma.
volta
ao índice
A Lebre e o Cão de Caça
Um Cão de caça,
depois de obrigar uma Lebre a sair de sua toca, e depois de uma longa
perseguição, de repente parou a caçada.
Um Pastor de Cabras vendo-o parar, ridicularizou-o dizendo:
Aquele pequeno animal é melhor corredor que você.
E o Cão de caça responde:
Você não vê a diferença que existe entre nós? Eu estava correndo apenas
para conseguir um jantar, mas ele, corria por sua Vida.
Autor:
Esopo
Moral da História:
O motivo pelo qual realizamos uma tarefa, é o que vai determinar sua
qualidade final.
volta
ao índice
O Leão e os Tres Touros
Três touros, amigos
desde longa data, pastavam juntos e tranqüilos no campo.
Um Leão, escondido no mato, espreitava-os na esperança de fazer deles
seu jantar, mas receava atacá-los enquanto estivessem em grupo.
Finalmente, por meio de ardilosas e traiçoeiras palavras, ele conseguiu
criar entre eles a discórdia e separá-los.
Assim, tão logo eles pastavam sozinhos, atacou-os sem medo algum, e um
após outro, foram sendo devorados sempre que sentia fome.
Autor:
Esopo
Moral da História:
União é força.
volta
ao índice
O Leão e o Rato
Um Leão
dormia sossegado, quando foi despertado por um Rato, que passou correndo
sobre seu rosto. Com um bote ágil ele o pegou, e estava pronto para
matá-lo, ao que o Rato suplicou:
Ora, se o senhor me poupasse, tenho
certeza que um dia poderia retribuir sua bondade. Rindo por achar
rídícula a idéia, assim mesmo, ele resolveu libertá-lo.
Aconteceu que, pouco tempo depois, o Leão caiu numa armadilha colocada
por caçadores. Preso ao chão, amarrado por fortes cordas, sequer podia
mexer-se.
O Rato, reconhecendo seu rugido, se aproximou e roeu as cordas até
deixá-lo livre. Então disse:
O senhor riu da idéia de que
eu jamais seria capaz de ajudá-lo. Nunca esperava receber de mim
qualquer favor em troca do seu! Mas agora sabe, que mesmo um pequeno
Rato é capaz de retribuir um favor a um poderoso Leão.
Autor:
Esopo
Moral da História:
Os pequenos amigos podem se revelar os melhores e mais leais aliados.
volta
ao índice
O Leão Apaixonado
Um Leão
pediu a filha de um lenhador em casamento. O Pai, contrariado por não
poder negar, já que o temia, viu também na ocasião, um excelente modo de
livrar-se de vez do problema.
Ele disse que concordaria em tê-lo como genro, mas com uma condição;
Este deveria deixar-lhe arrancar suas unhas e dentes, pois sua filha
tinha muito medo dessas coisas.
Feliz da vida o Leão concordou. Feito isso, ele tornou a fazer seu
pedido, mas o lenhador, que já não mais o temia, pegou um cajado e
expulsou-o de sua casa, o que o fez retornar para a floresta.
Autor:
Esopo
Moral da História:
Todos os problemas, quando examinados de perto, acabam por revelar sua
solução.
volta
ao índice
O Faisão Vaidoso
Júpiter resolveu, isso foi dito, criar um soberano dentre os pássaros, e
fez saber que, num certo dia, todos juntos deveriam vir à sua presença.
Nesse dia, ele pessoalmente escolheria o mais belo dentre todos, para
ser proclamado o rei dos pássaros.
Uma Gralha, sabendo de sua própria feiúra, saiu procurando nos campos e
florestas, as penas que haviam caído das asas dos outros pássaros, e
juntando tudo, colou-as por cima de sua plumagem.
Quando chegou o dia marcado, e os pássaros se apresentaram diante de
Júpiter, a Gralha desfilou com sua elegante e exuberante plumagem.
Como Júpiter pretendia torná-la o rei, por conta da beleza da sua
plumagem, os outros pássaros indignados protestaram, e cada um arrancou
dela a pena que lhe pertencia, e a Gralha era outra vez apenas uma
Gralha.
Autor: Esopo
Moral da História: Nobreza não é algo que se consegue com mérito alheio.
volta
ao índice |