|
Bruno Fernando
Imaginação
infantil...
Já imaginou-se criança? Não
qualquer, mas sim aquela de inúmeros contos, onde tudo pode, com direito a
castelos, gigantes, animais falantes, etc.
Sente por um momento no sofá, jornais ao lixo, gravatas ao longe, agora tudo
pode...
No meu caso, vou através de um olhar, a pupila observada vai aumentando e o
contato sem toque é físico, não me pergunte como, mas a uma criança, ela
saberá...
Entrei numa imaginação alheia, encontrei uma pequena, logo que me viu, correu.
Um pouco a frente uma árvore tinha em seus galhos toda a sua imaginação, tudo o
que queria; humilde, ofereci ajuda para que ela subisse, a resposta um não
orgulhoso, ai de mim se naquela árvore encostasse, era dela.
Criança decidida, mandou-me afastar, eu contrariar? Nem no meu sonho estou! Me
escondi atrás de uma pedra, passei a observar a tal pequenina a árvore escalar.
Num determinado momento, uma onça apareceu e junto começou a subir, fui
defendê-la na maior das boas intenções, recebi um indicador de pouco mais de um
ano em meu nariz, a onça era sua amiga. As duas, passaram a assistir de cima da
árvore, um show de fantoches com capitães, navio e baleia, para minha surpresa,
surgiu uma onda, o mar nivelava aos pés da criança na árvore, enquanto eu, com a
força do mar me via pressionado contra a pedra. Após alguns arranhões, passei a
boiar, sem explicações recebi um equipamento de mergulho e virei também um
fantoche controlado conforme o desejo da menina, risos em todos os lados, olhei
para a árvore e uma mulher cochichava ao ouvido da menina (não era uma onça?),
Sinto que isso tem a ver com os tubarões que passaram a me cercar, nadei rápido
à árvore, supliquei à menina um canto, mas a outra, a convencia a não deixar.
Sim, a outra, aquele olhar, o início, me fez acordar, coincidência ou não, minha
mulher no sofá junto à minha filha, bravas por eu não ter saído com elas no fim
de semana...
Essas crianças imaginam cada coisa...
voltar ao início |