Ficção
Rio/Brasil -
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M.P.D."Eu já vi esse filme!!"
A sala de reunião estava cheia. Era
a primeira vez que todos os lugares estavam ocupados pois a Gerente
Geral Doutora Dana fora específica e informal na convocacão: "Nem pensem
em faltar, senão as cartas de crédito dos senhores serão cortadas, sem
rodeios". No momento todos estavam se acomodando em seus lugares quando
o impaciente Chefe dos Mineiros disse ainda em pé.
- Desculpe Doutora, mas espero que
esta reunião seja realmente importante. Os rapazes lá embaixo estão
assustados com aquelas "coisas" e a minha presença é necessária lá.
- Senhor Tomaz, sente- se. Essa
reunião foi convocada justamente por causa daquelas "coisas" lá embaixo.
- Permita- me, mas o que eu tenho a
ver com problemas relacionados à mineração? Perguntou o representante e
advogado da MacroHard Mineração, senhor Gates que nunca se separava de
sua maleta negra.
- Isso pode influir nos lucros da
Empresa. Por isso o senhor foi chamado. Disse secamente a Gerente Geral.
- Boa Noite Senhores! Disse o Chefe
da Segurança, senhor Philip assim enquanto chegava para a reunião.
- "Influir nos lucros da Empresa"?
Êpa!! Isso é sério!! Disse o irreverente Engenheiro Chefe.
- Sim, é muito sério mesmo senhor
Delgado. Nós encontramos "coisas" muito estranhas lá embaixo. Disse o
senhor Tomaz.
- Mas afinal de contas, o que são
essas "coisas"? Perguntou o jovem Geólogo Chefe, senhor Palmer.
- Não sabemos ainda, só sabemos que
é orgânico. Ainda não tivemos oportunidade de estudá- las adequadamente.
Respondeu o Médico e Biólogo, senhor Cat.
- E como o senhor acha que vai
poder "estudar adequadamente" sem que os rapazes lá embaixo fiquem
desconfiados? Perguntou o Chefe dos Mineiros. - Senhores!!! Não estamos indo a lugar algum. Vamos primeiro deixar todos os presentes nessa sala tomarem conhecimento do problema.
A Doutora Dana esperou que o
silêncio voltasse a sala, pegou o relatório resumido do que havia
ocorrido a 400 metros de pronfundidade e começou a ler em voz alta:
Na última jornada de trabalho,
nossa equipe atingiu a profundidade prevista de 400 metros dentro de uma
área rica em minério de ferro. Os sonares das perfuratrizes de front
acusaram uma região de "ecos", o que mostra uma grande possibilidade de
haver cavernas na região. Paramos a escavação com as perfuratrizes de 8
eixos para evitar desabamentos e enviamos uma equipe de mineiros com
perfuradoras elétricas para quebrar a "parede" que seperava o tunel
escavado e a possível camara. A hipótese estava certa, havia uma grande
camara depois de uma camada de rocha de apenas 5 metros. A camara, que
tem estranhamente a forma de uma abóbada quase prefeita, não era muito
grande, com um diametro de 12 metros por 6 de altura. Outro fato
intrigante é que o piso é bastante plano e..."
- Espere um minuto! Você está
querendo dizer que essa camara não é natural? Perguntou o advogado.
- Por favor senhor Gates! Deixe- me
terminar a leitura do relatório do senhor Tomaz. Ainda não entrei na
parte estranha. Disse a Doutora Dana com um pouco de temor na voz.
"... bastante plano e limpo. Os
mineiros, que eram de uma equipe de 7 homens, afirmaram terem visto
coisas que parecem "botões de rosas" espalhadas eqüidistantemente pela
camara. Sem saber qual procedimento tomar, o rapazes investigaram a
afirmam ter visto também uma pequena camada gelatinosa de cor verde
sobre os "botões", que chegam ao número de 36. Ao se comunicarem comigo
pelo rádio, dei ordens de que tirassem algumas fotos e que a camara
fosse abandonada. Mandei também a retirada das perfuratrizes e o senhor
Philip, Ofcial Chefe da Segurança que estava comigo na superfície mandou
que a entrada da Caverna fosse selada. Por conselho do senhor Cat,
Médico e Biólogo da Mineradora MacroHard, eu disse aos rapazes que
aquilo se tratava de uma espécie de fungo e que o procedimento "padrão"
exigia que parássemos as escavações até que uma contra- ordem fosse
expedida." Todos na sala ficaram em um silêncio sepulcral e desviando os olhares para os cantos da sala. Enquanto isso, a Doutora Dana distribuía as fotografias aos presentes. Todos olhavam com o máximo de interesse. O jovem geólogo mordia os lábios enquanto estudava a formação da caverna, o advogado olhava com um rosto grave para as fotos enquanto o Enhegeiro Chefe mordia vigorosamente sua caneta. O Doutor Cat já havia visto as fotos mas ainda olhava na esperança de encontar mais algum detelhe que lhe tenha escapado.
A Doutora esperou alguns minutos e
quebrando o silêncio disse:
- Bem senhores, agora que todos já
sabem o motivo dessa reunião.
- Mas o que nós iremos fazer agora?
Perguntou o trunculento Chefe dos Mineiros.
- Qual é o procedimento pra esse
tipo de acontecimento? Perguntou o Engenheiro Chefe.
- Eu não gosto disso, digo que
deveríamos continuar a escavação e ignorar essas coisas. Nós somos
mineiros e não cientístas. Disse senhor Tomaz.
- O senhor está brincado? O senhor
tem idéia do que isso representa? Isso pode ser o primeiro contato com
alguma forma de vida extraterrestre! Disse o advogado.
- Eu também não gosto dessa
história de "botões". Sou responsável pela Segurança da Mineradora. Isso
não é trabalho de mineiros. Disse o senhor Philip.
- Concordo!! Não me importa essa
história de "homenzinhos verdes". Esse não é o nosso trabalho!
- Lamento senhor Tomaz, mas nós
enviamos uma mensagem para a sede na Terra e logo teremos a resposta.
Para sermos mais exato, daqui a uma hora a mensagem chegará.
- Ora bolas! Nós estamos numa
lua de Júpiter! Milhões de milhões de quilômetros de distância! Porque
devemos obedecer um bando de "engravatados" da Terra? Disse isso olhando
com desdém para o senhor Gates.
- Mas esses "engravatados" é que
pagam o nosso salário. Disse o Geólogo.
- Posso saber o que é engraçado
senhor Delgado? Disse a Doutora Dana ao flagar o Engenheiro com um
sorriso no rosto.
- Hã.. Não é nada. Queiram de
desculpar, mas é que eu já vi isso antes.
- Como é??? O senhor já viu isso
antes? Perguntou em sobressalto o Doutor Cat.
- Espere um pouco! Senhor Delgado,
isso não é brincadeira! Queira se explicar! Disse a Gerente Geral.
- Calma! Deixe- me explicar! Como
eu disse, não é nada sério. Vocês conhecem aquele antigo meio de
entretenimento? O Cinema? É que existe um clássico do cinema do século
XX que retrata uma situação parecida, até os "botões de rosas" são
parecidos.
- Século XX? Puxa vida! Você
desenterrou essa hein? Disse o jovem Geólogo.
- Ora! Isso é vida real. Por favor
senhor Delgado, se não puder ajudar, não atrapalhe. Eu sou o advogado e
representante da diretoria aqui. Digo que vocês devem esperar as ordens
da Terra antes de tomar qualquer atitude mais precipitada.
- Eu concordo com ele. Disse o
médico.
- Pois eu não! É a nossa vida que
pode correr perigo e não a vida da "diretoria". Disse o Oficial de
Segurança.
- O que os personagens do filme
fizeram Delgado? Perguntou Palmer.
- Eles seguiram o conselho do
representante da "Companhia"...
- Viram? Eu não disse?? Disse Gates
triunfante.
- ... e dos sete tripulantes,
apenas um sobreviveu. Ele e uma gato.
A sala ficou em silêncio novamante. - ... e nós não temos nenhum gato.
A sala virou uma balbúrdia, todos
falando ao mesmo tempo, gesticulando e gritando. Apenas a Doutora é que
ficou imóvel pensando naquilo que acabara de ouvir.
- Senhores!! Por favor!! Senhor
Delgado, foi muito divertido a sua participação, mas isso aqui não é
esse tal de Cinema e aqui nós seguimos ordens. Nós somos empregados e...
- Desculpe! Meu rádio está tocando.
Disse Tomaz enquanto pegava o pequeno aparelho no bolso.
- Eu já disse que não podem
interromper uma reunião! Mande ligar mais tarde! Disse impacientemente a
Gerente.
- Desculpe doutora, mas é um dos
meus homens lá embaixo quer falar comigo urgente.
- Não interessa agora! Mande- o
esperar. A reunião ainda não acabou.
- Ok! A senhora é quem manda..
Disse o Mineiro enquanto desligava o rádio.
- Bem... Acho que podemos continuar
a... O que foi agora??
- Agora é o meu rádio que está
tocando. Disse o Oficial de Segurança.
- É melhor esperarmos para saber o
que está acontecendo lá embaixo. Disse o Engenheiro.
- Quem dá as ordens aqui sou eu e
além do mais...
- Desculpe senhores, mas algo de
errado está acontecendo lá embaixo. O meu tenente estava falando comigo
quando a comunicação foi cortada bruscamente. Peço licença para me
retirar.
- Meu Deus! Será que não podemos
terminar a reunião? Disse o advogado.
Uma grande explosão e alguns gritos
foram ouvidos pelos presentes na sala. Todos se levantaram assustados
tentando imaginar o que teria acontecido. Havia muita correria lá
embaixo e a sirene de emergência começava a tocar.
- Eu tenho que ir lá embaixo agora!
Disse o Oficial de Segurança sacando da pistola laser do coldre. Todos
sentiam uma pontada de pânico pois os gritos estavam por toda parte. O
advogado pegou a pasta preta e a colcou na cabeça quando se escondia por
sob a mesa. O senhor Philip se dirigiu até a porta da sala com a pistola
na mão e saiu pelo corredor. De repente um grito no corredor foi ouvido
e o barulho de disparos de pistola foram nítidos. Naquele momento, todos
dentro da sala já sabiam que algo horrível havia acontecido e olhavam
para a porta na espera do pior.
O susto foi geral quando o corpo do
Oficial foi jogado pela porta como se fosse atingido por um aríete. O
corpo caiu no meio da mesa de reuniões e quando os presentes olharam
para o corpo imóvel, uma onda de náuseas e medo tomou conta de todos.
Algo parecido com uma grande mão
amarela de sete dedos muito alongados e fortes havia se fixado no rosto
do Oficial que estava inerte. Todos não souberam o que dizer daquela
cena horripilante. O Mais apavorado de todos era o Engenheiro Chefe que
olhava para o corpo sobre a mesa e gritava sem parar: - Eu já vi esse filme!! Eu já vi esse filme!! |