A Bela Adormecida (conto infantil)

Um Rei e uma Rainha que há muito desejavam ter filhos. Quando, por fim, a Rainha deu a luz uma menina, decidiram celebrar o acontecimento com uma grande festa. Foram convidadas sete fadas e cada uma delas concedeu uma prenda especial à princesinha. A fada mais nova concedeu-lhe o dom de ser a mais bela do mundo; a seguinte, que ela fosse espirituosa como um anjo; a terceira, que ela fosse graciosa em tudo o que fizesse; a quarta, que ela dançasse melhor que ninguém; a quinta, que ela cantasse lindamente; a sexta, que ela tocasse perfeitamente qualquer instrumento musical.

Quando a sétima fada ia conceder o seu dom, irrompeu na sala uma velha fada a quem o Rei e a Rainha se tinham se esquecido de enviar um convite. A fada malvada estava tão furiosa que, logo ali, fez a terrível profecia de que a princesa, ao completar 16 anos, se picaria num fuso e morreria. E com uma terrível gargalhada desapareceu, deixando todos a chorar.

Porém, nesse momento, aproximou-se a fada mais nova e disse-lhes:

– Coragem, Majestade! Ainda não concedi o meu dom. Não tenho poder suficiente para desfazer totalmente o que a perversa fada profetizou, mas posso modificá-lo. Apesar de se picar num fuso, ela não morrerá. Ficará profundamente adormecida durante 100 anos até que um jovem príncipe a venha a acordar.

O Rei mandou imediatamente proclamar pelo reino um édito especial, na esperança de poder proteger a princesa da maldição.

– Todas as rocas do reino deverão ser queimadas, sob pena de prisão!

Todos obedeceram entregando as rocas com que fabricavam os fios para os tecidos e todas foram queimadas. Algum tempo depois não havia um único fuso em todo o reino.

Passaram 15 anos. A princesa cresceu e tornou-se a mais bela menina do reino, tal como as boas fadas tinham predito. Já ninguém se lembrava da horrível maldição. No dia em que fazia 16 anos, a jovem princesa andava a brincar com o seu cãozinho e foi atrás dele até à cima da torre e encontrou uma velhinha junto a um objecto estranho.

A princesa ficou tão curiosa que perguntou:

– O que é que estás a fazer com essa roda?
– Estou a fiar, minha querida. Queres que te ensine?
– Claro que sim! Deve ser divertido! – respondeu a princesa sentando-se ao lado da velhinha.

Foi então que tudo aconteceu: ao pegar no fuso ela picou-se e caiu no chão. A velha era a fada má, disfarçada.

Foi só? tardinha que o Rei a encontrou. Ele ficou profundamente desgostoso, mas a jovem fada entrou e disse:

– Não se preocupe! A princesa vai apenas dormir muitos anos. E eu vou adormecê-los a todos para que a princesa não se sinta sozinha quando acordar.

E, conforme ia agitando a varinha mágica, todos os habitantes do palácio foram adormecendo, num profundo e mágico sono.

Dentro do castelo a vida parou. Com o passar dos anos, as plantas foram crescendo em redor do castelo criando um muro invencível e espalhou-se o boato de que lá dentro vivia um terrível dragão. Um príncipe que ali passava quis saber o que lá havia de verdade. Um velhote avançou e disse-lhe:

– Quando era pequeno o meu pai disse-me que tinha ouvido o avô contar-lhe que no castelo dormia uma princesa encantada.

O príncipe, que era valente, ficou excitadíssimo com a notícia e meteu-se a caminho do castelo.

Foi com grande dificuldade que o príncipe conseguiu abrir caminho para entrar. Mal conseguia cortar as trepadeiras elas voltavam a crescer ainda mais fortes.

– Nunca vi plantas assim na minha vida! – queixou-se.

Foi então que apareceu uma das fadas e lhe deu uma espada especial. Era muito grande e tinha uma cruz no punho.

Com o auxílio desta espada o príncipe lá foi abrindo caminho para o interior do castelo quando, de repente, um dragão enorme o atacou com o seu bafo ardente. O príncipe protegeu-se das chamas com a espada e um raio de sol refletiu-se na cruz do seu punho transformando-se numa luz fortíssima. O dragão ficou ofuscado pelo clarão e o príncipe aproveitou para lançar a espada, que atravessou o peito do dragão. Este se transformou na velha fada má e morreu ali mesmo.

Mal o corpo da bruxa desapareceu, as plantas que cobriam o castelo também desapareceram e o sol voltou a brilhar. Ficou tudo florido e os pássaros começaram a cantar. O palácio vivia de novo a Primavera ao fim de 100 anos. O príncipe estava estupefato. E a fada veio dizer-lhe:

– Temos estado à tua espera. Agora tens de ir acordar a princesa.

Ele dirigiu-se ao castelo e encontrou os guardas e todos os cortesãos a dormir. Por fim entrou num quarto onde estava uma princesa, lindíssima. Ele pegou-lhe na mão e beijou-lhe as pálpebras. E nesse momento ela acordou de um sono de 100 anos. A maldição tinha passado e todos os habitantes do castelo começaram a acordar também.

O Rei fez uma grande festa para o príncipe e agradeceu-lhe dizendo:

– Pode pedir-nos tudo o que quiseres.
– Não consigo pensar em nada que me faça mais feliz do que casar com a vossa filha – respondeu o príncipe.

O casamento do valoroso príncipe e da bela princesa foi abençoado por todos no reino. As sete fadas vieram ao casamento e, desta vez, todas desejaram ao feliz casal a chegada breve de uma criança.

Autor: Charles Perrault

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