Adão, Um Anão (conto de ficção)

A noite já estava entrando em trabalho de parto quando pela estrada enlameada vinham os dois amigos: Tonhão e Malaquias, o Gambá. O primeiro mais próximo do céu. O outro mais próximo da terra. Mas tais diferenças em suas estaturas, ao contrário do que possa parecer, mais os uniam. Eram amigos de todas as horas: boas e más. Amigos para o bem ou para o mal feito. Amigos para qualquer coisa. Amigos de copo e do copo. Copo sempre cheio da branquinha, ou da amarelinha, ou da “de raiz”, ou da “de cabeça”. A cor ou denominação era de pouca importância para ambos. Importância, sim, era o teor alcóolico: quanto maior, melhor! Muito provável é que os dias de suas vidas não eram medidos mais pelo nosso antiqüíssimo calendário Gregoriano, mas sim pelo calendário Alambicano. Os dias e anos nesse novíssimo e estranho calendário eram marcados por garrafas. Uma das diferenças entre um e outro calendário era os feriados de qualquer natureza, onde o expediente alcoólico era dobrado: em vez de uma, duas garrafas de cachaça! Portanto, muitas e muitas garrafas de vida tinham eles. Vinham pela estrada, já encachaçados. Volta e meia, um tropeção. Sem outra alternativa – a enchente havia derrubado a ponte do rio Feio -, retornaram a Cafundó de Minas, que, dessa forma, ficara isolada até de suas vizinhas mais próximas.

Cafundó de Minas era uma cidade pequena, sem recursos e atrasadíssima. As ruas descalças e esburacadas. Todas elas.

Estações climáticas lá praquelas bandas só duas: poeira-calor ou lama-frio, ou vice-versa, como queiram. Agora seus habitantes sofriam com a estação lama-frio. As fortes chuvas arrancavam, impiedosamente, a pele das ruas, e elas sangravam em abundância, sem parar. Tais ferimentos, entretanto, cicatrizavam-se com a chegada da outra estação: poeira-calor. Médicos e dentistas não existiam de jeito nenhum. Mas improvisava-se: o ferreiro virava dentista; qualquer um que lidasse com animais virava médico. Uma pequena igreja – grande se comparada à maioria das casas – ajudava a suavizar a penúria em que viviam seus moradores. Mesmo assim, com todas essas dificuldades, vivia-se lá. Vivia-se mais da resignação e da fé – “Deus dá o frio, conforme o cobertor”, costumavam dizer – do que de qualquer outra coisa palpável.

Robustecendo toda essa resignação e fé o pároco da cidade, por registro italiano: o roliço e bem-humorado Corleone. Delegado, advogados, juiz de Direito, nem pensar. Autoridades locais, só mesmo o referido padre e o prefeito, Rolinha.

Entretanto, sinalizando a chegada do progresso, a gigantesca televisão em preto-e-branco do prefeito Rolinha. Muitas válvulas, mais de dez! No início, até romarias fizeram à casa dele para saber da estranha e moderna novidade. Ouviram dizer que de dentro daquele “apareio” tinha gente de todo jeito e que essa gente fazia “de um tudo”! Infelizmente, o que conseguiram ver foram muitos chuviscos. “Eu sabia, sô, que tudo num passava de mintira. Onde já se viu gente fazeno todo tipo de istripulia dentro de uma caxa? Só pudia mesmo sê coisa do prefeito. Mintiroso que só ele!”. Esses eram os comentários ouvidos por toda parte. Só desilusões: progresso… pra que isso? Se não funcionava, não prestava pra nada…. Muitas desilusões, sem dúvida. Dessa forma, o moderno aparelho passou a ser mero enfeite na casa do prefeito.

Não possuía outra utilidade senão essa, pois parecia que até mesmo os sinais eletromagnéticos enviados pelas poderosas redes transmissoras não conseguiam localizar Cafundó, perdida no vasto território mineiro.

Já próximos à entrada da cidade – alheios a toda essa questão da modernidade e progresso -Tonhão e Gambá caminham com mais cautela, pois a estrada estava um verdadeiro sabão. Vão encolhidos e ligeiramente inclinados pra frente: mãos fechadas dentro dos bolsos das calças. Com a lama, a chuva trouxera também o frio. Avistam um pequeno casebre iluminado por uma luz bem fraquinha. Tonhão, sem maiores delongas, diz:

_ Gambá, vamo pidi poso, nesse rancho aí?

_ Sei não, Tonhão…

Decidido, Tonhão arremata:

_ Pois eu vô. Se ocê quisé me acumpanhá muito bem, se quisé ficá na chuva é pobrema seu!

Para lá se dirigiu Tonhão, acompanhado pelo indeciso Gambá. Chegam. Batem palmas. Chamam pelo dono:

_ Ô de casa! Ô de casa!

Nada de ninguém aparecer. Resolvem entrar. A porta estava somente encostada, para sorte de ambos. Empurram-na e entram. Tudo quieto. Silêncio. Dirigem-se para o local de onde estava vindo a claridade: era uma lamparina. Seus vultos balançam, dançam, crescem e diminuem ao sabor daquela claridade. Olhos bem apertados para melhor enxergar. Atenção redobrada, afinal de contas entraram sem a permissão do dono. Acostumam-se à pouca claridade e qual não foi a surpresa de ambos quando se depararam com um anão deitado sobre alguma coisa que se parecia com uma cama. Aproximam-se.

Tonhão, bem devagarinho, sacoleja aquele pequenino corpo. Nada. Repete a mesma ação, agora com mais força. Nada outra vez. “Pode sê qui ele teja é cum o globo chei de cachaça!”, pensa ele. Encosta sua enorme mão no rosto do anão.

Gelado, gelado. Gelado, também, ficou ele. Diz, meio assustado:

_ Gambá, esse anãozim tá é morto, sô!

_ Ave Maria, cruiz credo! – diz Gambá, benzendo-se e fazendo rápido e de qualquer jeito o sinal da cruz.

_ E agora? O que nóis vamô fazê, hein? – pergunta Tonhão.

_ Sei não! O jeito é isperá essa chuva doida passá e pegá o rumo de casa!

Continuam a conversa:

_ Casinha danada de pequena, sô – observa Gambá.

_ Mais o que ocê quiria que fosse? Um castelo? Quem mora em castelo é só gigante, ara! Ocê num tá veno que o omi é anão! Pra ele, que era piquininin, tá bão dimais da conta, uai. Complementa, com ar professoral:

_ Pra ele quarque mêi metro é chão que num acaba mais. Era chão, né? O coitadim morreu. Uma gamela daquelas grandona pra ele era iguar uma lagoinha: dava até pra ele tomá banho! Óia só o tamanico dele.

_ É Tonhão, ocê tá certo. Ele é mesmo danado de miúdo – concorda Gambá.

Aproximam-se mais do corpo do anão, que estava deitado com a barriga pra cima, o braço direito pendente, os olhos abertos. O semblante, porém, era calmo. Provavelmente, morrera sem sofrimento. Pelo menos isso…

_ Num te falei, Gambá? Ispia aqui só o que ele fazia de cama – diz Tonhão, admirado.

_ Eita, Tonhão, mais ocê é sabido dimais da conta, sô!

A cama do anão era uma tampa de baú! Um bauzão, que teria sido, talvez, até do Barão de Cocais – segundo alguns, raiz da árvore genealógica de todos os mineiros. A tampa do referido baú, muito bem trabalhada e fornida. Fora feito com muito luxo e pompa, sem dúvida nenhuma. Passados, sabe-se lá quantos anos e aquele baú ainda ostentava toda a glória de longínqua recordação. O colchão era uma espuma envolvida por um pano quadriculado nas cores azul e branco. Talvez as cores do seu time de futebol: o Cruzeiro Esporte Clube.

O medo parece tomar conta de ambos. Tonhão, pela sua estatura, tenta demonstrar coragem. Gambá, a seu turno, não sai de perto de Tonhão e sugere ao amigo:

_ Tonhão, vamo vê se nóis acha uma vela por aí?

_ Vamo sim, Gambá. Só cum essa lamparina num tá dano pra enxergá quais nada.

Deixam o pequeno defunto e municiados com a lamparina vão até a um pequeno cômodo contíguo ao quarto do anão. Parecia ser a cozinha ou algo semelhante. Sobre uma mesa encontram uma caixa de fósforo e um maço, quase vazio, de velas. Acendem uma vela, que fica com Tonhão. Procuram firmar as vistas para fazer um reconhecimento do lugar. Os olhos de Gambá deparam-se com algo: um armário. Armário bem velho, que mal se agüentava de pé. Encaminham-se para lá.

Além de estarem com frio, tinham fome. Tonhão abre o armário. Bem escondidinha, lá estava uma garrafa. Como ambos eram analfabetos, não sabem ao certo, qual o seu contéudo. Curiosidade. Tonhão toma a frente. Destampa a garrafa. Faz a leitura que sabe fazer muito bem e sem erros: a leitura olfativa. Aquele cheiro doce e familiar da cana-de-açúcar: cachaça! O nome da branquinha, para todos os efeitos alcoólicos: “Poderosa”. Nada para matar a fome, só a sede, mas contentam-se, quando lembram de um sábio ditado popular, que assevera: “Em época de crise, melhor lamber do que cuspir!”. Muito alegremente tomam posse daquele tesouro. Para eles, líquido tesouro. Tonhão entorna um bom gole e comenta:

_ Era disso mesmo que nóis tava pricisano. Eita coisa mais boa, sô! Já bebeu dessa, amigo Gambá? – pergunta, satisfeito, Tonhão.

_ Dessa aí ainda não! Mais isprimento ela agorinha. Pass’ela pra cá, mano véio!

Gambá bebe um grande gole. Automaticamente, faz uma careta – como se estivesse bebendo pela primeira vez na vida – e cospe no chão. Limpa a boca com a manga da camisa encharcada. A cachaça estava aprovada. Era muito boa, mesmo!

_ Intão, saúde pra nóis e bão descanso pro nosso amigo aí, que nóis num sabe nem o nome. O danadim também gostava do que é bão… Cachacerim, coitadim… – diz Tonhão, que gostava de rimar – bem ou mal – quase tudo que falava.

_ Acho que era de bão arvitre nóis botá um nome nele. Ocê num acha? – pergunta Gambá.

_ A quá! Isso é bobage, sô!

Gambá, esclarece:

_ Tonhão, afinar de conta a cachaça que nóis tamo tomano era dele. O nome é só uma homenage póstima, de nóis pra ele. Eu acho que ele ia apriciá muito.

_ A pois, intão vamo pensá num nome – diz Tonhão, coçando a cabeça.

Ficam em silêncio uns poucos minutos procurando um nome que se adequasse ao pequenino defunto. Tonhão arrisca:

_ O nome tem que terminá com im, mode que ele é miúdo: Tõizim, Joãozim, Pedrim, Paulim…

_ Tonhão, ocê me discurpe, mais eu num concordo não, sô! As veiz ele pudia sê um home grande de esprito, de coração. Mió mesmo um nome acabado em ão. Qui tar… , qui tar…

Gambá passa a mão no queixo fino coberto por uma barbicha rala e feia. Barbicha que tenta a todo custo cobrir seu pobre rosto carcomido por inúmeras e pequenas crateras, nefasta herança da varíola. Faz isso de propósito para criar, em Tonhão, certa expectativa. Finalmente, conclui:

_ Adão!

_ É! Esse nome é bão. Rima com quais tudo: Adão, o anão, era um home danado de bão. Tá veno, sô! Rimô. Então esse vai sê o nome dele pra nóis: Adão.

Depois de alguns goles voltam para onde estava o defunto. Sob os efeitos da “Poderosa”, os dois amigos conversam mais animadamente e sentem-se donos do casebre:

_ Tonhão, ocê tem medo de difunto?

_ Eu? Nem um cadim! A gente tem que tê medo, Gambá, é de gente viva. É cada um que aparece, que eu vô te contá… Só qué fazê o mar e judiá da gente – diz Tonhão, querendo demonstrar ao amigo uma coragem que, intimamente, sabia não possuir.

_ Pois eu tenho. Muito! Inda bem que ocê num tem medo, né? – diz confiante, Gambá.

A chuva aumenta sua fúria, e uma rajada de vento frio apaga a lamparina e a vela. Escuridão total. O medo toma conta de Tonhão e Gambá. Corre-corre dos diabos! Dois gritos cortam aquele pequeno espaço, do chão ao teto, de janela a janela e de porta a porta:

_ Ai, minha Nossa Senhora Aparecida. Me acode, senão eu me cago todim!

_ Me valei, meu São Jorge Guerrero!

Apelos aos santos de devoção de cada um deles. Apelos de última hora. De desespero, de aflição e de muito medo, também. Como já estavam bem encachaçados, os dois amigos correm de um lado pra outro derrubando tudo que se interpusesse no caminho de suas fugas. Só param quando se chocam. Caem cada qual para um lado. Recuperados, apalpam daqui e dali em busca da caixa de fósforo. Acham e acendem a lamparina e a vela. Luz, enfim. Grande alívio.

_ Ê, Gambá! Vai sê medroso assim lá nos quinto dos inferno! Cruiz credo… – diz Tonhão, como se, também, não tivesse corrido feito um louco. Um louco com medo…

Gambá, por sua vez, faz um muxoxo. Fica mudo e quieto em seu canto. Acendem, cada qual, o seu cigarro de palha. Mais algumas goladas da “Poderosa”. Entreolham-se, pensativos. De repente, Gambá, balbucia:

_ Ai, minha Nossa Senhora!

_ O que foi agora, Gambá! Tenha a santa paciência. Vai me dizê que o difunto mexeu…

_ E mexeu mesmo. O braço dele tava caído de banda, agora tá enriba dos peito! Se num tá acreditano, ispia bem pr’ocê vê!

Tonhão passeia seus olhos – duas bolas de fogo – sobre o defunto. Fogo – que arde sem queimar – avivado pela “Poderosa”. Não é que o seu amigo, Gambá, tinha razão! Um frio percorre-lhe todo o corpo. Todos os seus pêlos querendo libertar-se de sua humana prisão. Quer gritar, e não consegue. Completando todo esse seu íntimo drama, outra golfada de vento apaga a vela e a lamparina. O medo quer tomar conta de seu corpanzil de quase dois metros de altura. Movido mais pelo instinto do que por outra coisa, corre. Não sabe por onde pode estar seu amigo Gambá. Com isso, também, não se preocupava. Queria mesmo era sair de perto do defunto, que parecia não estar gostando daquela situação de inércia total em que se encontrava. Na correria pisa no rabo de um gato, que solta um miado aterrador, fazendo aumentar seu medo.

Esse já se igualava ao seu tamanho: enorme. Sai tropeçando daqui e dali até que cai. Cai e bate com a cabeça num enorme e pesado ferro de passar roupa – insaciável devorador de brasa – que estava num canto daquele pequeno cômodo.

Fica, por alguns instantes, desacordado. Recobra os sentidos com uns tabefes no rosto desferidos por Gambá. Esse não perde a chance para passar adiante a humilhação sofrida há poucos minutos e, todo satisfeito, diz:

_ Corajoso, hein? Uma ova! Nóis só é diferente no tamãi, mode que, no medo, nóis somo iguarzim, iguarzim: dois cagão de marca maior. Ara, se não!

Tonhão levanta-se, batendo nos peitos da camisa, na frente e atrás das calças, como se as estivesse limpando. Ambos muito ressabiados. Tonhão, mais que Gambá. O silêncio é quebrado por Gambá.

_ Tonhão, ocê já foi a argum intêrro de anão?

_ Eu?! Não! Mais tarveiz daqui a pôco, quem sabe… – diz Tonhão apontando com o queixo para o corpo inerte do anão.

_ É, tarveiz, tarveiz… Acho que ninguém nunca foi. Se ninguém nunca foi, é pruquê ninguém nunca viu um anão sê interrado. Né mesmo, sô?

_ É, pensano bem, ocê tem razão…

_ Diz os mais antigo que eles tudinho disaparece. Que eles é incantado!

_ Eles, quem, Gambá?

_ Os anão…

_ Bobagem, Gambá. Crendice boba de gente véia…

Inconformado, continua Gambá:

_ Pois eu acho que nesse particulá os véio tem toda razão…

Tais coisas faladas com tamanha convicção acabaram por deixar Tonhão com a pulga atrás da orelha. Coça a cabeça, toma mais outra golada da “Poderosa”, cospe no chão, esfrega a botina em cima… Tem uma idéia. Diz ao medroso amigo:

_ Gambá, só tem um jeito de nóis passá a limpo toda essa cantilena dos anão…

_ E qualé intão, Tonhão? – retruca, curioso, Gambá.

_ Amarrano ele, ora essa!

_ Ah! tá bão! Amarrano ele onde, sô? – pergunta, desconfiado, Gambá.

_ Nocê!

_ Ni mim?! Ocê tá é ficano doido da cabeça. Ora essa.., ni mim…

_ Intão, tá bão. Intão, in nóis dois. Qui tar? – contra-argumenta Tonhão.

Gambá, medroso por natureza, depois de muitas negativas, acaba concordando. Com um pedaço de corda, que encontraram pela casa, amarram-se ao defunto anão: canelas dos vivos versus as canelinhas do morto. Conversam ainda algum tempo e bebem até o último gole da “Poderosa”. Só caíram nos braços de Morfeu, após autorização expressa do deus Cachaceu, dulcíssimo deus tropical, habitante intranqüilo das entranhas da nossa cana-de-açúcar. Incansável viajante desse fino berço para os pequenos, médios, grandes e colossais alambiques. Depois para as garrafas e garrafões. Viagem complicadíssima, de variadas etapas, que só termina nas sangüíneas serpentinas de seus muitos e fiéis adoradores. O dia já estava prestes a abrir seus claros olhos, quando Tonhão acorda assustado com o Gambá agarrado à sua barbaça. Gaguejando, Gambá ainda consegue dizer:

_ Tô, Tô, Tonhão, o, o, o “Adão”…

_ Que “Adão”, home de Deus! – diz Tonhão, ainda sob os domínios dos deuses Morfeu e Cachaceu.

_ O anão, o defunto anão… Ele sumiu, Tonhão! Ai, minha Nossa Senhora!

Tonhão passa a mão pelo rosto, alisando a ruivíssima barba, e lembra-se, num átimo, de tudo que acontecera na noite anterior. De um salto põe-se de pé a correr para a rua buscando o caminho de casa, no que foi acompanhado de bem longe por Gambá. As pernas – assim como o medo – de Tonhão eram muito grandes. Impossível acompanhá-lo.

Os moradores de Cafundó de Minas, principalmente, o padre Corleone estranharam o fato de Constantino – esse era o nome do anão – estar ausente à missa das oito, de domingo. Estranheza aumentada por ser ele católico fervoroso e praticante: às missas não faltava nunca – a de domingo, então, nem pensar! Nos trabalhos comunitários da Igreja, sejam quais fossem, lá estava o prestativo Constantino: sempre alegre, respeitoso, cordial, amigo de todos! Enfim, ele procurava ser um verdadeiro cristão. Como ser humano que também era costumava tomar um cálice da “Poderosa” às refeições. Cálice de anão, haja vista e, somente, às refeições!

Busca daqui, busca dali, e nada de ninguém encontrá-lo. Inexplicável desaparecimento. Nenhuma notícia, nada, nada.

Unânime inconformismo. Encontraram sim, em sua casa, duas botinas: uma, número 44, e outra, número 36. Elas, com certeza, não poderiam ser de Constantino, que calçava uma botinha de criança, número 30! Certo, também, é que naquela madrugada, numa cidadezinha não muito distante dali, nascia Adão. Coincidência ou não, um anão…

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