Capítulo Um – A palavra do Conselheiro (fantasia)

Era tarde da noite. Colinnus, o mensageiro, bateu à porta da cabana de Valatic, que já devia estar dormindo há horas, pois estava muito cansado desde a última batalha contra o implacável inimigo que queria tomar posse de toda a terra de Zemonatt.

― ACORDE, VALATIC! ― berrava Colinnus. ― ACORDE! ACORDE!

Valatic abriu a porta e, com cara de sono, atendeu Colinnus.

― O que aconteceu, Colinnus? ― perguntou.

― Eles atacaram de novo ― respondeu o mensageiro. ― Agora uma vasta tropa de razaks invadiu as defesas do Noroeste. Acho que pretendem fazer com que sofremos baixas no exército, invadindo o território pelo ar, com dragões, e por terra, com gigantes!

― Isso não pode acontecer ― bradou Valatic. ― Nossas tropas têm de estar protegidas. Já estou vestido com minha armadura. É só sacar minha espada e vestir meu elmo.

Valatic o fez, montou em seu cavalo e acompanhou Colinnus pela Estrada do Monte, que dava nos vastos Campos de Batalha do Noroeste.

― Maldita guerra! ― exclamou Colinnus.

― Não é a guerra que é maldita ― começou Valatic. ― O maldito nesses tempos é ele.

Os dois seguiram e se depararam com um enorme conflito entre duas enormes tropas. De um lado, os razaks assassinos, servos do inimigo daquela terra. Do outro, os grandes guerreiros defensores de Gavelash e Zemonatt.

― Precisamos dar uma trégua nisso ― falou Valatic. ― Colinnus, avise ao rei que nossas tropas têm de ser recuadas.

― Como, Valatic? ― indagou Colinnus, perplexo. ― Você enlouqueceu?

― Eu lhe garanto que estou em sã consciência, Colinnus ― falou Valatic. ― Meu plano é ótimo.

Colinnus apressou seu cavalo e seguiu rumo ao Palácio Real, onde o rei estava esperando com seus guardas mais poderosos. Enquanto isso, Valatic foi ajudar sua tropa no campo de batalha, pois a luta estava difícil. Ao chegar, lutou bravamente, quando as cornetas tocaram o som da retirada.

A imensa tropa de humanos correu para Gavelash, enquanto os razaks avançavam.

― RECUAR! ― berrou Valatic. ― RECUAR!!!

A tropa de humanos atendeu o chamado e recuou. Os imensos portões de Gavelash se abriram e todos entraram. Em seguida, os portões se fecharam violenta e rapidamente, sem deixar nenhum razak entrar.

― O que houve, general Valatic? ― perguntou um soldado.

― Estamos recuando para um plano meu ― falou Valatic. ― Agora irei ao Palácio. Aguardem os razaks cercarem as fortalezas e deixemnos atacar. Após isso, Valatic cavalgou, seguindo a pequena estrada que levava ao Palácio. Ao chegar e se deparar com a Muralha do Monte, Valatic ordenou que as portas se abrissem, e assim foi feito. Ele adentrou a muralha e, em seguida, deixou seu cavalo no pátio interior, pois entrou correndo e foi até a sala do trono.

― Majestade ― disse Valatic ao chegar. ― Espero que goste de meu plano.

― Qual é o seu plano, Valatic? ― perguntou o rei Kifird.

― Pretendo destruir os diques para que a água destrua os inimigos ― opinou Valatic.

― Eu já penso o contrário ― disse uma voz que vinha da porta.

Um homem, vestido com uma túnica verdemusgo entrou na sala e fez uma reverência a Kifird.

― Oh, Trovius! ― cumprimentou o rei. ― É bom vêlo novamente.

― Majestade ― começou Trovius. ― Eu e os magos decidimos que deveríamos usar o Cetro de Skalafir para este caso.

― Mas Trovius… ― começou o rei.

― Eu sei, Majestade ― interrompeu Trovius. ― Porém, o Cetro foi confiadas a nós por Selering, que agora está isolado em uma de nossas torres, com uma condição: só deveríamos usálo quanto estivéssemos em situação totalmente perigosa.

― Ainda não estamos em uma situação crítica, Majestade ― falou Valatic. ― Eu sei o que estou fazendo. A terra absorverá a água dos diques. Construiremos outros no futuro. E, se usarmos o Cetro agora, não teremos mais poderes mágicos para enfrentalo.

― Selering enfrentou-o cara a cara e venceu ― falou Trovius. ― É uma prova de que podemos fazelo.

― Selering o venceu ― disse Valatic ―, não o destruiu totalmente.

― Eu tenho estratégias para o futuro ― confirmou Trovius. ― Ótimas estratégias, diga-se de passagem.

― Então o Cetro será usado ― decidiu o rei Kifird. ― Trovius, prepare tudo para o ritual. Iremos invocar os poderes do Cetro de Skalafir.

Valatic ficou perplexo. Trovius vencera novamente. A palavra do Conselheiro fora mais poderosa que a dele mais uma vez.

― Eu prepararei tudo como o combinado, Majestade ― falou Trovius, que retirou-se da sala rapidamente.

O rei saiu em seguida, deixando Colinnus e Valatic sós. O mensageiro se aproximou de Valatic e disse:

― Um dia ― começou Colinnus ―, Trovius sucumbirá com suas mentiras. Ele jamais traiu o reino, mas é um grande mentiroso. Nunca teve, não tem e não terá escrúpulos!

― Não se preocupe com isso, Colinnus ― falou Valatic. ― O destino cuidará de Trovius, como cuidou de muitos outros crápulas que já passaram por esta Corte.

Em seguida, Colinnus deixou Valatic sozinho na sala.

“É” começou Valatic, falando consigo mesmo “Trovius vai levar o reino à ruína. Será preciso encontrar outra defesa se o reino fora atacado novamente. Afinal, quando o Cetro for usado, não servirá mais. Mas o que posso fazer? A palavra do Conselheiro é muito mais poderosa que a palavra de um mero general”.

Não perca o próximo capítulo: “O Cerco”
Esta saga está só começando…

Autor: Drume Draan

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