Caramba (fantasia)

Sonhei sonho louco. Veio um líder e convenceu as massas: Doem tudo o que tiverem para os corruptos. Seus poucos bens se tiverem, alguma poupança amealhada em trabalho duro em penosos anos. Doem tudo ou quase tudo.  

Guardem o mínimo de comida para si e os seus. Vamos embuchar os malditos corruptos com o que mais gostam o dinheiro. Haveremos de produzir tanto e tanto que eles um dia irão se fartar. 

E muitas pessoas que não estavam no poder, gente do comum, correram a ficar ao lado deles. Esses também se fartaram no louco fausto. Porém surgiram empresários que com enorme dificuldade conseguiam mais matéria prima e de sua produção apenas ínfima parte ia para suprir as necessidades do povo. O resto enviavam para os corruptos, faziam acreditando que o líder estava certo. Não questionavam o fim dessas atitudes, apenas faziam produzindo com maior esmero.  

E o povo depois de mais um dia de labuta não iam a nenhum templo, não olhavam para o céu clamando. Apenas reuniam entre si e pela primeira vez sentam o cheiro do seu próximo. Ah, era um cheiro bom de verdade um cheiro que sempre estivera ali, mas que fora embotado pelas mas vivências de tantas e tantas gerações.  

Bastava nesses encontros noturnos e de barrigas quase vazias se olharem, se tocarem. Então nascia uma música entre eles, e cantavam e cantavam e sorriam com forças redobradas.  

Voltavam e no outro dia produziam mais e mais. O escárnio dos corruptos que lhes levava o trabalho penoso não doía. Os amores verdadeiros foram também renascendo e os filhos dessas ligações logo cresceram. Quando já estavam adultos, juntamente com os pais puderam presenciar uma coisa estranha. Começou a surgir entre os corruptos uma espécie de câncer até então desconhecido. Às vezes surgia no ânus como foi o caso do deputado Nilton Cardoso e de sua excelentíssima ex- esposa Maria Lúcia, outras vezes no rosto como o que nasceu em cima do bigode do Sarney. No Lula nasceu terrível pústula nos dedos, no Zé Dirceu nos lábios, no Collor nos olhos, no Renan Calheiros na língua. Assim foram acometidos rapidamente, questão de dias em todos os corruptos maiores ou menores. Pegaram eles desesperados todos os aviões disponíveis no Brasil, suas imensas fortunas e foram se tratar nos Estados Unidos. Os jornais depois publicaram em furo bombástico que eles contaminaram por lá quase toda a população americana. Quando todos se foram, no outro dia era sete de setembro. O povo verdadeiro e bom finalmente comemorou a pátria livre e cada um viveu para sempre com o que é de seu e sempre e sempre a serviço do próximo. A bandeira ostentava orgulhosa novo dístico: O Brasil é você! Duro foi depois acordar.

Autor: Carlos A Funghi

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