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Outra noite insone

Ela saiu do banho e vestiu uma camisa dele – ele adorava que ela vestisse suas camisas, achava sexy – e foi deitar-se. Apesar do cansaço, não conseguia dormir.

Levantou e foi buscar a garrafa de Chateau Mont Redon que havia aberto antes do banho. Levou a garrafa e uma taça para o atelier – um pequeno espaço que tinha nos fundos do casarão, onde fazia suas esculturas.

Acendeu a luz e olhou o último trabalho, ainda inacabado. Sorriu satisfeita, pois teria algo a fazer naquela noite insone. Sentou-se no banco de carvalho e colocou a garrafa a seus pés. Precisaria de espaço sobre a bancada.

Juntou os materiais e, inspirada, pôs-se a trabalhar. Havia retalhos de tecidos, poliestireno e vinil por toda parte. Estava realmente entretida.

Após uma hora de trabalho, a porta do atelier abriu-se e ele surgiu, sonolento, apertando os olhos, incomodado com a luz fria. Perguntou se ela não tinha sono e se havia comido algo. Ela sorriu e balançou a cabeça, dizendo que não. Ele sempre se preocupava com seu bem-estar e era extremamente cuidadoso com ela. No mesmo instante, virou-se e saiu do atelier. Retornou pouco depois com uma porção de carpaccio – sabia que ela adorava – e alcaparras que havia preparado naquela noite, antes que ela chegasse.

Mais uma vez ela sorriu. Parou o trabalho e provou o acepipe preparado por ele. Ele começou a perguntar sobre o seu dia e sentou-se num outro banco, também de carvalho, um pouco mais baixo que o dela. Ela começou a contar sobre as reuniões, os atrasos, os relatórios, e ele tomou seus pés e começou a massageá-los – fazia aquilo com imenso prazer.

Ela continuava falando, mas tornava-se mais suave por conta do carinho. As mãos começaram lentamente a subir, mantendo os movimentos firmes, passando pelos joelhos e alcançando as coxas. Ela estava sentada bem à vontade, apenas com a camisa dele. Não havia lingerie alguma por baixo. E ele sabia que ela não usava lingerie à noite.

A proximidade entre as mãos dele e seu sexo era perturbadora. Ele olhava para seu rosto e continuava com as carícias, avançando cada vez mais, vendo que ela fechava os olhos e abria mais as pernas, facilitando a passagem de suas mãos.

Logo percebeu o quão excitada ela estava: molhada e receptiva. Esqueceu o cansaço e o dia frustrante e entregou-se totalmente ao toque dele.

Cuidadosamente, subiu um pouco mais a camisa, podendo assim visualizar melhor o sexo dela. Usou o dois polegares para acariciá-la ali, suavemente, enquanto os outros dedos apoiavam-se e roçavam a virilha. Ela inclinou o tronco para trás, encostando numa velha cristaleira que havia naquele cômodo, onde guardava suas tintas e pincéis. Projetou o quadril na direção dele, abrindo mais as pernas, mordendo o lábio inferior. Os dedos deslizavam de forma gentil e cadenciada. Os finos pêlos de suas coxas estavam eriçados.

Avistou a taça de vinho ao pé do outro banco e, com uma das mãos, a apanhou. Ele não bebia, mas mesmo assim sorveu um pouco da bebida. Aproximou-se de seu sexo e lá depositou, aos poucos, o vinho que tinha na boca. Ela estremeceu e soltou um gemido tímido, passando as mãos pelos cabelos dele.

Naquele momento, a língua aliou-se aos dedos e também investiu contra o sexo da mulher. A boca morna e macia explorava cada centímetro da flor úmida que tinha entre as pernas, mordiscando e lambendo aqueles outros lábios dela, tão voluptuosos quanto os do rosto.

A intensidade daqueles beijos de língua e dedos que ele lhe proporcionava entre as coxas aumentava. Seus pés procuraram acariciá-lo em retribuição. Ele estava excitado, coberto apenaspelo fino tecido dos shorts do pijama. Com uma das mãos, sem que sua boca parasse de fazer-lhe a graça, puxou o short para o lado, mostrando o quanto desejava que ela avançasse nas carícias com seus pés macios e pequenos.

Logo ao primeiro toque, ele arrepiou-se e a penetrou com a língua, fazendo com que ela cravasse as unhas em seus ombros. Embrenhou os dedos nos cabelos dele e puxou sua cabeça de encontro ao seu corpo, para que aumentasse a intensidade de seu carinho. Já podia sentir o sexo em espasmos que eram o antegozo, apertando a língua macia, até, enfim, explodir em orgasmo naquela boca. E a língua não parava, estava faminto e sedento pela alma liquefeita que vinha de dentro dela, alucinado e com a respiração descompassada por causa do cheiro doce de sua mulher. Os pés… os pequenos pés ainda faziam-lhe a graça sublime de acariciar o membro que pulsava de desejo.

Quando sentiu que a carne quente parou de latejar em sua boca, afastou-se e levantou-se, pedindo apenas com o olhar para que ela também o fizesse. Acariciou-lhe os cabelos e com a mão em seu pescoço fez com que ela virasse de costas, ficando debruçada na bancada. Ainda em silêncio, penetrou o sexo ainda quente e crispado por trás, fazendo com que ela erguesse o tronco e gemesse mais alto. Ele arfava, aumentando o ritmo e a intensidade de suas investidas. As coxas dela queimavam e, encharcadas, eram cada vez mais convidativas e facilitavam ainda mais a penetração.

Num movimento arrebatado, apertou com toda a força as nádegas alvas de sua mulher, inclinando-se sobre ela e mordendo-lhe a nuca… Com a outra mão, apertou-lhe os seios e gemeu forte, deixando jorrar o leite morno dentro dela: a cada pulsação de seu sexo, despejava nela um pouco de sua alma. Eram cúmplices. Amantes. O resto do mundo não existia dentro daquele cômodo.

Permaneceram assim por alguns instantes, até que seus corações voltassem a bater no ritmo normal e que pudessem ter as pernas menos trêmulas. Apagaram a luz do atelier e foram juntos tomar banho, entre beijos, carinhos e palavras doces.

Ela, enfim, conseguiu dormir.

Autora: I’m Nina, Marie

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O Beijo!

Eu queria paz, um lugar acolhedor, um cantinho para pensar e repensar minha vida, sair da rotina, dar um tempo no trabalho e nada melhor que um passeio junto à natureza, no meio do nada, um lugar onde as pessoas se recolhiam para ficar em harmonia.

Meu íntimo precisa se acalmar, respirar ar puro, refletir sobre o que fiz da minha vida, aonde cheguei e para onde ir.

Vejo-me agora sentada aqui de frente ao lago, onde pessoas andam tranquilamente e eu  apenas a admirar tudo à minha volta…

Foi então que eu o vi caminhando entre as árvores, com um ar ausente quase etéreo, formava um belo conjunto com a natureza ao seu redor.Olhando com mais atenção achei que já conhecia aquele homem, seus traços me eram familiar, seu andar, seus cabelos, e finalmente seus olhos, foi então que me vi transportada para um passado distante, sim eu conhecia “você”… As lembranças que eu tinha eram de um jovem adolescente feliz junto a mim, sorrindo, vivendo intensamente cada momento a meu lado.Um sorriso brincou no meu rosto diante das lembranças que fervilhavam em minha cabeça, e foi assim que você me viu…

No instante que nossos olhos se encontraram você parou, vi o reconhecimento, foi imediato, vi as mesmas lembranças em você e um sorriso iluminou também seu rosto.

Senti todo meu corpo tremer quando vi que você vinha em minha direção, minhas mãos estavam frias, me vi estática, paralisada.

Naquele momento milhares de dúvidas fervilhavam em minha cabeça, não sabia como reagir a esse encontro, o que dizer como me portar, você foi tão importante em minha vida, e a mesma nos afastou aos poucos, como dando um tempo para que a gente se descobrisse e hoje era o dia de pôr as cartas na mesa, perguntas que não queriam calar, minha vida nesse instante era um grande “PORQUÊ”

Porém todas as perguntas se calaram no instante em que você tocou meu rosto e me chamou pelo nome, me senti novamente uma adolescente, livre, inteira…

Nenhuma palavra precisava ser dita, era como um encontro de almas, todas as dúvidas se calaram era apenas eu e você, nada ao redor importava.Senti a aproximação, sua respiração acelerada, fechei meus olhos, a única coisa que sabia era que meu coração está disparado e que de tão próximos respirávamos o mesmo ar, então senti seus lábios junto aos meus, um beijo, cálido, mas profundo, me senti mergulhar num abismo de sensações, me perdi em seus braços, me entreguei a esse momento como se ele fosse o último, e queira Deus que seja, pois morrer dessa maneira seria entrar nas portas do paraíso.

Sou novamente aquela adolescente apaixonada, vivendo o único momento onde fui feliz, o dia que te conheci e me entreguei a um beijo tão avassalador como esse.Um beijo que durou apenas alguns minutos, mas que me fez viajar para quando andávamos de mãos dadas, quando a única coisa que importava era o som do seu sorriso, o tom da sua voz ao dizer que me amava, de como era bom encostar – me em seu peito, e de como foi mágico o  dia em que me entreguei a você.Ficamos tempo demais longe um do outro, sinto que agora não posso deixar você partir nunca mais, sinto que minha vida começa agora a seu lado, tudo numa fração de um beijo!

Então olhos nos olhos, um momento de timidez, um breve sorriso, expectativa no ar, nenhum dos dois ousa falar, até por receio de que se quebre o encanto, um suspiro…

– Onde você estava todo esse tempo?!

Com um leve sorriso você me responde:

 Estive sempre guardado em seu coração, esperando o momento certo para voltar e ocupar meu lugar na sua vida,  estava com saudade!

Vemo-nos sorrindo um para o outro, finalmente juntos e agora espero que para sempre…

Mais um beijo para selar nosso encontro… Nos perdemos novamente um nos braços do outro …

Autora: Leninha

 

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Uma História de Amor Verdadeira

Eu retornava pra casa, em um dia muito frio quando tropecei em uma carteira.
Procurei por algum meio de identificar o dono.
Mas a carteira só continha três dólares e uma carta amassada,
que parecia ter ficado ali por muitos anos.
No envelope, muito sujo, a única coisa legível era o endereço do remetente.
Comecei a ler a carta tentando achar alguma dica.
Então eu vi o cabeçalho.
A carta tinha sido escrita quase sessenta anos atrás.
Tinha sido escrita com uma bonita letra feminina em azul claro sobre um papel
de carta com uma flor ao canto esquerdo.
A carta dizia que sua mãe a havia proibido de se encontrar com Michael mas
ela escrevia a carta para dizer que sempre o amaria.
Assinado Hannah.
Era uma carta bonita, mas não havia nenhum modo, com exceção do nome
Michael, de identificar o dono.
Entrei em contato com a cia. telefônica, expliquei o problema ao operador e
lhe pedi o número do telefone no endereço que havia no envelope.
O operador disse que havia um telefone mas não poderia me dar o número.
Por sua própria sugestão, entrou em contato com o número,
explicou a situação e fez uma conexão daquele telefone comigo.
Eu perguntei à senhora do outro lado, se ela conhecia alguém chamada Hannah.
Ela ofegou e respondeu:
– “Oh! Nós compramos esta casa de uma família que tinha uma filha chamada Hannah.
Mas isto foi há 30 anos!”
– “E você saberia onde aquela família pode ser localizada agora?”
Eu perguntei.
– “Do que me lembro, aquela Hannah teve que colocar sua mãe em um asilo
alguns anos atrás”, disse a mulher.
“Talvez se você entrar em contato eles possam informar”.
Ela me deu o nome do asilo e eu liguei.
Eles me contaram que a velha senhora tinha falecido alguns anos atrás mas eles
tinham um número de telefone onde acreditavam que a filha poderia estar vivendo.
Eu lhes agradeci e telefonei.
A mulher que respondeu explicou que aquela Hannah estava morando agora em um asilo.
A coisa toda começa a parecer estúpida, pensei comigo mesmo.
Pra que estava fazendo aquele movimento todo só para achar o dono de uma
carteira que tinha apenas três dólares e uma carta com quase 60 anos?
Apesar disto, liguei para o asilo no qual era suposto que Hannah estava
vivendo e o homem que atendeu me falou,
– ” Sim, a Hannah está morando conosco.”
Embora já passasse das 10 da noite, eu perguntei se poderia ir para vê-la.
– “Bem”, ele disse hesitante,
“se você quiser se arriscar, ela poderá estar na sala assistindo a televisão”.
Eu agradeci e corri para o asilo.
A enfermeira noturna e um guarda me cumprimentaram à porta.
Fomos até o terceiro andar.
Na sala, a enfermeira me apresentou a Hannah.
Era uma doçura, cabelo prateado com um sorrisso calmo e um brilho no olhar.
Lhe falei sobre a carteira e mostrei a carta.
Assim que viu o papel de carta com aquela pequena flor à esquerda,
ela respirou fundo e disse,
– “Esta carta foi o último contato que tive com Michael”.
Ela pausou um momento em pensamento e então disse suavemente,
– “Eu o amei muito. Mas na ocasião eu tinha só 16 anos e minha mãe achava
que eu era muito jovem.
Oh, ele era tão bonito.
Ele se parecia com Sean Connery, o ator”.
– “Sim,” ela continuou.
“Michael Goldstein era uma pessoa maravilhosa.
Se você o achar, lhe fale que eu penso freqüentemente nele.
E”, ela hesitou por um momento, e quase mordendo o lábio, “lhe fale que eu
ainda o amo.
Você sabe”, ela disse sorrindo com lágrimas que começaram a rolar
em seus olhos,
“eu nunca me casei.
Eu jamais encontrei alguém que correspondesse ao Michael…”
Eu agradeci a Hannah e disse adeus.
Quando passava pela porta da saída, o guarda perguntou,
– “A velha senhora pode lhe ajudar?”
– “Pelo menos agora eu tenho um sobrenome.
Mas eu acho que vou deixar isto para depois.
Eu passei quase o dia inteiro tentando achar o dono desta carteira”.
Quando o guarda viu a carteira, ele disse,
– “Ei, espere um minuto!
Isto é a carteira do Sr. Goldstein.
Eu a reconheceria em qualquer lugar.
Ele está sempre perdendo a carteira.
Eu devo tê-la achado pelos corredores ao menos três vezes”.
– “Quem é Sr. Goldstein?” Eu perguntei com minha mão começando a tremer.
– “Ele é um dos idosos do 8º andar.
Isso é a carteira de Mike Goldstein sem dúvida.
Ele deve ter perdido em um de seus passeios”.
Agradeci o guarda e corri ao escritório da enfermeira.
Lhe falei sobre o que o guarda tinha dito.
Nós voltamos para o elevador e subimos.
No oitavo andar, a enfermeira disse,
– “Acho que ele ainda está acordado.
Ele gosta de ler à noite.
Ele é um homem bem velho.”
Fomos até o único quarto que ainda tinha luz e havia um homem lendo um livro.
A enfermeira foi até ele e perguntou se ele tinha perdido a carteira.
Sr. Goldstein olhou com surpresa, pondo a mão no bolso de trás e disse,
– “Oh, está perdida!”
– “Este amável cavalheiro achou uma carteira e nós queremos saber se é sua?”
Entreguei a carteira ao Sr. Goldstein, ele sorriu com alívio e disse,
– “Sim, é minha! Devo ter derrubado hoje a tarde. Eu quero lhe dar uma recompensa”.
– “Não, obrigado”, eu disse.
“Mas eu tenho que lhe contar algo.
Eu li a carta na esperança de descobrir o dono da carteira”.
O sorriso em seu rosto desapareceu de repente.
– “Você leu a carta?”
“Não só li, como eu acho que sei onde a Hannah está”.
Ele ficou pálido de repente.
– “Hannah? Você sabe onde ela está? Como ela está?
É ainda tão bonita quanto era? Por favor, por favor me fale”, ele implorou.
– “Ela está bem… E bonita da mesma maneira como quando você a conheceu”.
Eu disse suavemente.
O homem sorriu e perguntou,
– “Você pode me falar onde ela está? Quero chamá-la amanhã “.
Ele agarrou minha mão e disse,
“Eu estava tão apaixonado por aquela menina que quando aquela carta chegou,
minha vida literalmente terminou.
Eu nunca me casei. Eu sempre a amei.”
– “Sr. Goldstein”, eu disse, “Venha comigo”.
Fomos de elevador até o terceiro andar.
Atravessamos o corredor até a sala onde Hannah estava assistindo televisão.
A enfermeira caminhou até ela, “Hannah,
” ela disse suavemente, enquanto apontava para Michael que estava esperando
comigo na entrada. “Você conhece este homem?”
Ela ajeitou os óculos, olhou um momento, mas não disse uma palavra.
Michael disse suavemente, quase em um sussurro, – “Hannah, é o Michael. Lembra-se de mim?”
– “Michael! Eu não acredito nisto! Michael! É você! Meu Michael!”
Ele caminhou lentamente até ela e se abraçaram.
A enfermeira e eu partimos com lágrimas rolando em nossas faces.
– “Veja”, eu disse. “Veja como o bom Deus trabalha! Se tem que ser, será!”.
Aproximadamente três semanas depois eu recebi uma chamada do asilo em meu escritório.
-“Você pode vir no domingo para assistir a um casamento?
O Michael e Hannah vão se amarrar”!
Foi um casamento bonito, com todas as pessoas do asilo devidamente
vestidos para a celebração.
Hannah usou um vestido bege claro e bonito.
Michael usou um terno azul escuro.
O hospital lhes deu o próprio quarto e se você sempre quis ver uma
noiva com 76 anos e um noivo com 79 anos agindo como dois adolescentes,
você tinha que ver este par.
Um final perfeito para um caso de amor que tinha durado quase 60 anos…

Autor: Desconhecido

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Gotas na janela (conto romantico)

A chuva diminuíra. As gotas iam descendo devagar. Outras, mais velozes, em ritmo diferente. Ora fazendo caminhos compridos e retos, ora, tortos. Algumas vezes rápidos ao longo do comprimento. Havia aquelas que se juntavam a outras na caída.

Assim ia ela, agora, com um torpor no corpo e na mente, um tanto distraída, a observar o vidro da janela. Seguia os riscos delicados, em meio ao embaçamento que se criava pelo calor dentro do ônibus. Já passara o momento de mais desespero. Havia se preocupado muito. A chuva ia diminuir e a água da inundação ia descer. Três horas fazia que estavam parados. O ônibus não podia seguir por causa de alagamento no vale do Anhangabaú. Notícia dada por alguém, que passara e que, sem medo de enxurrada, zombava dos céus que despencavam em muita água. Dentro, muita gente sentada e em pé; todos no mesmo calor. Fora, a chuva já caíra sem dó.

Moça nova, quase menina, balconista de loja, com mais do que um balcão pela frente. Tinha também algumas especiais ilusões que uma vaidade indicava: unhas feitas, maquiagem leve no rosto, esfumaçada já, cabelo preso em rabo na nuca com graça, brinco e anel no dedo. A roupa que se quis bonita tentava esconder a vida que levava em bairro simples. Ia cansada, mas não muito. A juventude só mede o cansaço pelo físico. Ainda tinha toda uma vida para sonhar em sua imaginação.

Estamos todos numa situação nada engraçada, pensava. Ilhados e aprisionados no meio da cidade. Parece que há carros inundados. Inutilizados, sem dúvida. Estava enjoada do vidro da janela, que não se podia abrir. Tímida, evitava os olhos dos outros passageiros. Com semblantes de quem se enfastia do trabalho, canseira de sobrevivência. Trabalhar, tanta correria. O povo brasileiro é assim mesmo, acomodado. Ou sabe viver. Algumas pessoas pareciam conformadas.  Outras pessoas ainda tentavam conversar ou falar de alguma questão para a qual não se tinha resposta. Passando o tempo. Até começaram a trocar palavras, num diálogo marcado pela cumplicidade. Numa eventualidade, que se pode até chamar de tragicômica. Ruas e esquinas demais adivinhadas pelas pupilas, linguagem e gestos.

Então, virou-se mais atentamente em volta para perceber as pessoas. Com semblantes de quem se enfastia da vida, canseira de sobrevivência. Pó, rugas, esgarçado tecido na bermuda, na saia, na blusa. Desbotado nos olhos, nos cabelos e nos rostos. O mesmo cenário de sempre. Vida dura.

Foi então, que viu uma face. Quase num susto. Olhos acesos olhando para ela. Um moço moreno de meio sorriso nos lábios. E agora? Que fazer? Em sua direção, sem dúvida. Era comigo. De soslaio, percebeu de novo a pupila como um raio a lhe atingir. Como não vira antes? E se visse, que iria fazer? Claro que nada… Nem dava para fugir. E agora?

Baixou os olhos, envergonhada. Passou a mão por alguns fios de cabelos longos e crespos que ainda lhe caíam na face. Sabia que não era feia. Tinha um fã na loja. O gerente, casado, safado, queria sair com ela. Gostava de seus olhos castanhos.

Voltou-se para os caminhos da água delicada a cair pelo vidro. Não dava para, de novo, ficar presa naquele pedaço de janela. Uma aflição lhe invadia o peito. Começou a transpirar mais. A respiração ficou mais apressada.  Até que ele era bonito. Será que ele gosta de cinema? Seria tão bom ir com alguém ao cinema. Ver um filme romântico, daqueles que tem paisagem e beijo.  Olhou de novo. E lá estava ele, sem disfarçar. Tantas pessoas em volta e ele a me fixar desse jeito.

O ônibus começou a andar, enfim. Devagar, mas andou. Não muitos quarteirões depois, uma parada.  Muita gente desceu. Ainda chovia. Sufocava. Mas fora havia ar. Todos se movimentaram, com barulho, ao perceber a oportunidade de sair dali.

Estava paralisada. Ele também se encaminhou para a porta. E para sua surpresa, ao passar onde estava afundada, estendeu-lhe um pedaço de papel, dizendo: “Prazer em conhecê-la. Ligue-me”.

Tentou sorrir. Sem conseguir falar nada, percebeu, que, além de paralisada, também estava muda.

Olhou para os caminhos na janela. Gotas de água de chuva. Pequenas e cúmplices. Nem acreditava… Não, não acreditava que era verdade, apesar do pedaço de papel na mão.

Ainda menina, através de certa desesperança, sorriu. E sentiu assim misturada uma esperança que se acendera.

Olhou a janela e, em meio às gotas que ainda se equilibravam pelo vidro, desenhou um coraçãozinho líqüido, pequeno: Quem sabe?

Autor: Ana González

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Traição não tem perdão (conto romantico)

Maria Fernanda tinha 25 anos de idade e era apaixonada por Douglas, más ele não dava valor a isso. Ao contrário, quanto mais ela dizia que amava ele, mais ele tratava ela mal.

As vezes ele falava na cara de Maria Fernanda que não gostava dela, mais ou menos assim:

– Eu não sinto nada por você Maria Fernanda, porque você ainda quer namorar comigo?

Então Maria Fernanda respondia:

– Más eu te amo. E eu não me importo se você não gosta de mim. Porque com o tempo você pode aprender a me amar.

Quanto mais ele dizia pra ela que não gostava dela, mais ela dizia que o amava.

Maria Fernanda sonhava com a sua lua de mel com Douglas. Contudo ele não parecia estar preparado para ter um compromisso serio.

Já fazia três anos que eles namoravam. Más Douglas não queria mais namorar com ela. Só que ela não largava do seu pé e ele, por conta própria, não conseguia terminar com ela, porque ela era muito bonita e ele não tinha coragem.

Desta forma ele resolveu que faria Maria Fernanda sentir raiva dele.

Assim, em uma noite, depois que voltavam de um restaurante ela deixou o cigarro cair no banco do carro.

Naquele momento o pior que tinha dentro dele saiu para fora e ele falou aos gritos:

– Você é burra por acaso?

E então ele deu um murro na costela dela.

Maria Fernanda jogou o cigarro fora e começou a chorar falando:

– Você está louco?

Assim ela saiu do carro e entrou para dentro de casa chorando.

Naquele momento ele ficou feliz pelo que fez, pois ele tinha conseguido se livrar dela. Agora ela nunca mais conversaria com ele. E era justamente o que ele queria.

Lógico que seria muito mais fácil se ele explicasse para ela que não queria mais ela de forma alguma. Mas o problema é que Maria Fernanda era muito bonita e por isso ele não conseguia.

No outro dia, que era domingo, ele acordou, almoçou e foi lavar o carro, quando o celular tocou. Ele atendeu e era Maria Fernanda.

– Oi Fernanda. – Ele disse.

– Oi Douglas. – Disse ela. – Vamos no show hoje?

Então ele ficou pensando durante alguns segundos. Era impressionante, más mesmo depois que ele bateu nela, ainda assim ela continuava gostando dele.

O pior é que Douglas não conseguia dizer não para ela. Maria Fernanda praticamente controlava ele.

– Está bem. – Ele respondeu – As oito horas eu passo na sua casa.

No outro dia, como combinado Douglas pegou ela em casa, e quando Maria Fernanda entrou no carro a primeira coisa que disse para Douglas foi:

– Nunca mais faz aquilo de novo viu? Porque eu não gosto. – Dizendo isso ela beijou-o na boca.

Maria Fernanda estava mesmo apaixonada por Douglas, pois mesmo depois de levar um murro ela ainda continuava gostando dele.

Durante o caminho Fernanda olhava Douglas dirigir. Então ela pensava:

– Você é tão lindo.

Foi então que ela percebeu que ele estava totalmente calado e não dava a mínima para ela.

– Porque você está assim? – Perguntou Maria Fernanda.

– Atoa. – Respondeu ele – Não estou muito animado.

– Ainda está bravo porque eu derrubei o cigarro no banco do seu carro?

Então ele respondeu:

– Estou bravo sim.

Ela completou:

– Eu vou parar de fumar então. Para compensar. O que você acha?

– Pra mim tanto faz. – Respondeu Douglas.

Naquele momento ela começou chorar.

– Porque você me trata assim?

Douglas respondeu:

– Olha Maria Fernanda. Eu já disse que não gosto de você. Eu até bati em você, más ainda assim você me liga chamando para sair?

Então Fernanda falou:

– Se não queria sair comigo era só dizer que não queria. Só isso.

Assim, ele pensou um pouco e falou acariciando o rosto dela:

– O problema é que eu não consigo. Você é muito linda, e simpática, me trata muito bem, por isso eu não consigo dizer não quando você me chama.

Ela enxugou as lagrimas e falou:

– Eu não entendo, então porque você insiste em falar que não gosta de mim?

– Não sei Fernanda, más acho que tem algo errado. Parece que a única coisa que sinto por você é desejo e nada mais do que isso. Não parece ser amor verdadeiro.

– Eu não me importo. – Disse Maria Fernanda. – Porque eu te amo de qualquer jeito. E eu também sinto desejo por você.

Douglas não falou mais nada e eles permaneceram em silencio até chegar na fila para atravessar o rio. Então desceram um pouco do carro até a balsa voltar para pegar mais veículos para atravessar.

Neste intervalo de tempo algumas amigas de Fernanda chamaram ela para conversar.

Ela saiu por um momento e deixou Douglas sozinho.

Foi então que ele notou que as pessoas que estavam atrás deles na fila eram conhecidos.

– Oi Andressa. – Ele falou para a moça.

– Oi Douglas – Disse ela se aproximando.

Assim ele se juntou ao pessoal enquanto aguardava o retorno de Fernanda.

Andressa lhe apresentou cada um daqueles que ele não conhecia. Diogo, Ronaldo, Sheila e Carla.

Douglas notou, de imediato, que Carla o olhou com interesse, por isso deu um jeito de estar mais próximo dela para conversarem.

Douglas conversou com Carla e durante este tempo ela foi bebendo e ficando cada vez mais alcoolizada.

– Quer cerveja? – Ofereceu Carla.

– Obrigado. – Respondeu Douglas – Más eu não bebo.

Neste momento Maria Fernanda voltou. Ele se despediu do pessoal e foi encontrar-se com Maria Fernanda.

Maria Fernanda então perguntou:

– Quem era aquela que você estava conversando?

– O nome dela é Carla. – Respondeu Douglas – É amiga da Andressa, uma amiga minha de infância.

Maria Fernanda então continuou:

– Minhas amigas conhecem a Carla e me disseram que ela é garota de programa.

Então ele olhou para Carla novamente e falou:

– Não parece que ela é garota de programa.

Fernanda completou:

– Deve ser porque ela está de folga.

Naquele momento Douglas não agüentou e começou a rir.

– Você quer ficar com ela? – Perguntou Maria Fernanda.

– Eu não. – Respondeu Douglas. – Se esqueceu que somos namorados?

Maria Fernanda continuou:

– Ela está olhando para você. E pelo jeito, basta que você faça um convite pra ela, que ela nem vai cobrar nada de você.

Então ele abraçou Maria Fernanda e falou:

– Deixa de ser boba Fernanda, se for pra mim trair você não será com uma prostituta.

Ao dizer isso Douglas tentou dar um beijo em Maria Fernanda que se esquivou.

– Não quero Douglas.

– Porque não? – Indagou espantado.

– Eu quero ter certeza que você gosta de mim de verdade. Caso contrario eu vou largar você.

Quando Maria Fernanda falou em largá-lo Douglas sentiu um impacto em seu peito. Por algum motivo ele não queria isso. Não sabia porque, más ele não queria que ela parasse de gostar dele.

– Está bem. – Respondeu – Então vamos dar um tempo.

– Sim. – Concordou Maria Fernanda – Más tem uma coisa, se eu descobrir que você saiu com aquela prostituta ou com qualquer outra mulher, eu nunca mais vou olhar na sua cara. Compreendeu?

– Sim. – Concordou ele.

Desta forma Maria Fernanda foi embora junto de suas amigas e Douglas voltou para o grupo.

Agora que Douglas estava de volta Carla, a garota de programa, perguntou:

– Quem era ela?

– Minha namorada. – Respondeu Douglas.

– Vocês brigaram?

– Não exatamente. – Ele disse – Vamos dar um tempo.

Carla bebeu um gole de cerveja e falou:

– Que bom saber disso. – Assim ela sorriu.

Neste momento Douglas perguntou para Carla.

– Ouvi falar que você é garota de programa. É verdade?

Ela gargalhou e respondeu:

– Você é bem direto. Adoro isso! Eu era garota de programa sim. Más já faz alguns meses que eu parei.

– Porque parou? – Perguntou Douglas.

– Não quero mais. Acho que serei mais feliz se encontrar um homem bacana para namorar e casar. Assim como você por exemplo.

Douglas, então continuou interrogando com curiosidade:

– Porque você se tornou garota de programa?

Carla pensou um pouco e respondeu:

– Acho que me tornei garota de programa porque na época eu gostava disso, era uma espécie de vicio. Mas hoje já não penso mais assim. Acho que me cansei, quero ser uma mulher comum.

Douglas pensou um pouco e falou:

– Interessante isso. Coisa de maluco, más interessante. Minha namorada foi quem comentou isso comigo. Ela disse que as amigas dela comentaram com ela quando nos viram conversando.

– Por isso deram um tempo? – Perguntou Carla.

– Não foi por isso não. Já faz tempo que isto estava prestes a acontecer. Más eu acho que de certa forma até ajudou a minha namorada a tomar esta decisão porque ela disse assim pra mim: “Vai lá, é só você convidar ela que ela nem vai cobrar nada de você.”

Carla sorriu de novo e falou:

– E não vou cobrar mesmo.

Douglas continuou perguntando:

– Faz quanto tempo que você não sai com clientes?

Carla pensou um pouco e falou:

– Faz três meses que não saio com homem nenhum.

Douglas sorriu:

– Pra quem é viciada isso é muito tempo.

Carla sorriu também:

– Você nem imagina, mas esta noite eu vou matar a minha vontade com você.

Douglas sorriu:

– Você é engraçada.

Carla se aproximou de Douglas e disse colocando a mão em seu peito:

– Eu estou falando serio. Já estou prontinha, pode fazer o que quiser comigo.

Douglas empurrou ela bem devagar e disse:

– Nós estamos apenas dando um tempo, para todos os efeitos ainda somos namorados.

Carla então bebeu um gole de cerveja e falou:

– Vamos ver até onde você agüenta.

Lá no show eles ficaram todos juntos e Carla ficou oferecendo-se o tempo todo para Douglas. Más lá dentro ele se lembrava das palavras de Maria Fernanda e sentia medo de ela realmente o largar e parar de gostar dele.

Por isso ele comentou com Carla:

– Eu sei que você esta se oferecendo para mim. Más o problema é minha namorada.

– Você gosta dela. – Disse Carla.

Ele pensou um pouco e respondeu:

– Acho que não.

– Então qual é o problema? – Perguntou Carla.

– Ela gosta muito de mim. – Disse Douglas. – Eu tenho que valorizar isso.

Carla então, se aproximou dele. Colocou os braços sobre seus ombros, e abraçando-o falou:

– E se eu te disser que também estou gostando de você?

Ele pensou e respondeu:

– Aí eu vou ser obrigado a duvidar.

– Só porque eu fui garota de programa no passado?

– Exatamente. – Respondeu Douglas – Você disse que está viciada em ficar com vários homens por dia. E eu, quando estou com uma mulher, gosto de ser o único.

Carla olhou um tempo para a boca de Douglas e falou:

– Eu entendo porque a sua namorada gosta tanto de você, viu. – E depois o beijou.

Contudo ele não retribui o beijo.

– Porque não me beija? – Continuou Carla.

– Sabe. – Ele disse – Eu até quero te beijar. Más é que eu não posso largar uma mulher que me ama de verdade, e principalmente fiel, para ficar com uma que vai me utilizar por uma noite e depois jogar fora. Compreende? Se for para ficar com outra mulher, tem que ser uma igual a Fernanda ou melhor do que ela.

Carla o abraçou com força e falou:

– Más eu posso ser melhor do que ela, é só você me dar uma chance.

– E como você poderia ser melhor do que ela? – Perguntou Douglas.

Quando Douglas perguntou como Carla poderia ser melhor do que Maria Fernanda, ela não hesitou em responder:

– Sendo totalmente fiel a você, de corpo e alma.

Ele retirou os braços dela de cima de seu ombro e falou:

– Não é o suficiente.

– Como não?

Ele respirou fundo e falou:

– Eu não acredito em você.

Quando Douglas disse isso, começou a escorrer lágrimas dos olhos de Carla que falou:

– Até hoje nenhum homem foi tão exigente comigo, do jeito que você está sendo. Geralmente só me usam como se eu fosse um objeto. Outros homens já teriam me levado para o carro a muito tempo.

– Você deveria selecionar melhor os homens que você sai. – Respondeu ele.

– Pois eu estou selecionando agora neste exato momento. – Disse Carla – E estou escolhendo você.

Assim ele limpou as lagrimas dos olhos dela, acariciou seu rosto com as costas da mão e falou:

– Você é linda sabia?

– Obrigado. – Respondeu Carla.

Logo em seguida ele disse:

– Então vamos tentar.

Quando ele falou isso o rosto de Carla mudou totalmente e ela o abraçou falando:

– Estou apaixonada por você.

Em seguida ela o beijou com energia. Desta vez ele retribui e a abraçou com força.

Lá dentro ele pensava assim: “Depois eu digo para Fernanda que estava testando o meu amor por ela.”

Depois que o show acabou vários conhecidos entraram dentro do seu carro para pegar carona. Foi neste momento que Carla levantou a voz:

– Estão loucos? Todo mundo pra fora. Vocês vão todos de ônibus. Neste carro só vai eu e o Douglas.

Logo o carro ficou vazio e ele comentou:

– Você é uma pessoa ruim Carla.

– Você nem imagina. – Respondeu ela.

Eles ficaram mais ou menos umas duas horas na fila esperando a vez de atravessar o rio. Neste intervalo de tempo deu para conversarem sobre muitas coisas.

Quando chegaram do outro lado do rio, desceram da balsa e iniciaram o caminho de retorno.

Contudo, neste momento, Carla comentou:

– Pode entrar com o carro ali se você quiser. – Disse ela apontando para uma entrada que levava a um local escuro e escondido.

Então Douglas pensou um pouco e falou:

– Olha, eu sei o que você quer, más eu acho melhor não. Me desculpe, mas eu acho que estou gostando da Maria Fernanda.

Carla olhou para ele com uma expressão triste e falou:

– Queria que um homem gostasse de mim desta forma.

No outro dia Douglas se levantou e a primeira coisa que pensou foi:

– Eu te amo, Maria Fernanda!

Ele se arrumou e ligou para Maria Fernanda combinando de ir na casa dela depois do almoço para conversarem.

Ele iria se declarar para ela. Dizer que a amava!

Assim, quando estavam frente a frente, Douglas foi o mais sincero possível:

– Sabe Fernanda, ontem eu fiquei com a Carla.

– Eu vi vocês dois juntos. – Disse Maria Fernanda.

– Pois é. – Ele falou – E enquanto estávamos juntos eu percebi que na verdade eu amo você.

Maria Fernanda parecia fria, Douglas achou que ela iria ficar feliz ao ouvir ele dizer isso. Más sem expressividade ela perguntou:

– Vocês transaram?

Douglas respondeu imediatamente e sem pensar:

– Não.

Então ela continuou:

– Você acha mesmo que você vai me bater, me machucar, fazer sexo com uma puta qualquer na rua, depois vai mentir para mim dizendo que não fez nada, e eu vou acreditar e voltar a namorar com você como se nada tivesse acontecido?

Douglas não sabia o que responder, por isso a única coisa que veio na cabeça dele foi:

– Eu não fiz sexo com ela, Fernanda. Eu juro!

Então ela balançou a cabeça e sorriu sinicamente como se não acreditasse no que estava ouvindo.

Assim ela levantou a mão com muita delicadeza e mostrou o dedo do meio falando:

– Vai se fuder Douglas!

E entrou, batendo o portão na cara dele.

Naquele momento Douglas sentiu como se o seu coração encolhesse dentro do peito. Não podia acreditar que tinha acabado de perder uma mulher tão maravilhosa.

Autor: Jefferson Ulisses

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Sonho e Realidade (conto romantico)

Já há algum tempo ele vinha observando Ivone uma gatinha que beirava os dezesseis aninhos, ela era uma morena jambo entrando naquela fase que desperta desejo até em anjo de mármore, jogava no time da escola, handeball, e estava de olho nos garotos que jogavam no time principal da cidade, era compreensível porque a maioria deles as suas familias tinham posse e eles não precisavam trabalhar, não que ela fosse um menina interreseira, mas é como diz o ditado; O rio só corre prú mar.

Aparentemente ela não tinha namorado, só os amiguinhos da turma e ele não figurava entre eles, embora jogase no time da cidade não tinha posses e isso fazia toda a diferença. Antonio estava para fazer dezessete anos e mesmo não sendo um cara feio não conseguia arrumar namorada certa, er só prá dar uns amassos nas festinhas e olhe lá.

Nunca tinha trocado mais que cinco ou seis palavras com ela, mas estava decidido a fazer isso mudar. Fazia pouco tempo que tinham aposentado o velho motor a diesel que gerava energia e iluminava a cidade, a energia agora vinha de um lugar chamado Paulo Afonso e isso tinha dado uma boa alavancada na vida sicial da cidadezinha, os bares ficavam abertos até mais tarde e cabaré nos finais de semana ficava aberto quase a noite toda, findava-se a década de 60. E foi numa noite dessas que voltando para casa lhe surjiu á idéia , tá certo que era uma idéia de jérico, mas fazer o que?

Alguns comerciantes da cidade principalmente os que negociavam com fumo de rolo, tinham carro, rural, jeep, ou caminhoneta que costumavam deixar estacionados no passeio em frente a suas residências. Aguns moleques tinham aprendido a dirigir assim, incclusive ele, tomando algum carro emprestado sem que o dono soubesse  e devolvendo pela manhã, se a gasolina desse prá voltar prá casa. As vezes não dava e o moleque na maoir cara de pau vindo da festa passava na casa do dono e avisava; Seu Fulano eu tava vindo da festa e vi o carro do senhor em tal lugar, só não trouxe porque estava sem gasolina. E o Fulano agradecido. Obrigado meu filho, Deus lhe page, ninguem pode com esses moleques da peste.

A idéia era tão estapafurdia que podia até dar certo, e na primeira oportunidade que teve falou com ela a respeito das festas nas outras cidades e como era que eles fazuam para ir. E ela já visgada pela curiosidade prometeu que iria pesar no assunto, o tempo foi passando e ele foi amadurecendo a idéia, bolando um plano perfeito para que ela não desse prá trás no dia da festa.

Ele só tinha certeza de uma coisa; Se perdesse aquela oportunidade nunca mais teria outra chanse de se aproximar dela, então falou do plano com um colega que jogava no time até uma namorada e já tinha pegado alguns carros emprestado com ele, mas era tão quebrado quanto ele.

A namorada do colega ficou animada e prometeu dar uma força, pois ela jogava com a Ivove na escola, e estava adorando a idéia de irem só os quatro no carro no dia da festa. Homem apaixonado na maioria das vezes faz besteira, e se for ele adolecente é um Deus nos acuda, e Antonio estava apaixonado pela Ivone se não como explicar aquela idéia arrevessada?

Passaram-se duas semanas até que ele soube de uma festa na cidade vizinha, agora era só conversar com ela e preparar o tal plano perfeito. Aconteceu numa quarta-feira á tardinha, ela estava dando um tempinho na praça para ir a escola. Com a mão escondida atrás das costas ele chegou sem fazer barulho e bem no seu ouvido falou baixinho; Não se vire e feche os olhos. Ela que não era muito chegada a surpresas porque geralmente se assustava , não se sabe porque daquela vez obedeceu, e quando ele mandou que abrisse os olhos, estava elae a sua frente com um sorriso que ia de orelha a orelha, quase colado nela e duas rosas na mão, uma branca e a outra vermelha, e ela pasma só o ouviu falar; Para a flor mais linda da praça. Na saida da escola já conseguiu carregar os livros dela e acompanha-la até em casa .

Para ele foi a confirmação do plano e de um sonho. No dia da festa tomaram um carro emprestado, foi a primeira e única namorada e o ultimo carro emprestado na sua vida.

Hoje ao acordar no meio da noite e vê-la dormindo tranquila nem lembra mais quanto tempo passou, mas adora os seus longos cabelos brancos.

Autor: Triunfense

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Reencontro (conto romantico)

Matheus chegou à festa e logo se encontrou com seus amigos, Hugo e Pedro, a boate não estava muito cheia, mas estava mais escura que das primeiras vezes que ele tinha vindo, ele esperava dessa vez encontrar alguém interessante que fizesse esquecer o amor antigo, se sentia mal, afinal a culpa dele não estar com ela era dele mesmo, ela não havia ligado pra ele depois da ultimo email tão pouco ele pra ela, já havia se passado muito tempo desde que eles se comunicaram.

Kathy era uma mulher independente não era uma mulher fácil, era tão independente que acabava assustando ele de vez em quando, mas era a mulher que ele desejava loucamente era linda, comunicativa, feliz e sensual. Matheus não suportava passar uma hora que fosse com ela sem pensar em estar com ela o dia todo namorá-la, era o seu desejo estar com Kathy o tempo todo. Kathy não era fácil parecia não lhe dar atenção, mas do nada de repente lhe dava toda atenção do mundo isso sempre o deixara confuso e cada vez mais apaixonado.

– Ei Matheus não vai dançar? – Disse Pedro, foi assim que Matheus saiu de seus pensamentos.

-Vou, com aquela gatinha loira ali. – Matheus queria loiras para não lembrar de forma alguma dos cabelos bronze de Kathy.

Enquanto Matheus tentava se divertir Kathy chegava à boate com a sua melhor amiga, Bella, que havia implorado para que Kathy saísse para se divertir, não demorou muito depois de tanta insistência ela foi, estava tocando um dance muito bom. Kathy logo se animou. Bella já havia dado dois drinques para ela tomar, Kathy já havia dançado com dois garotos e parecia não estar cansada, seus cabelos saltitavam no meio de todos e seu vestido preto brilhante chamava tanta atenção que ela era o centro das atenções.

Na verdade em seu intimo Kathy só queria se sentir feliz e a bebida e a musica estavam ajudando ela queria esquecer Matheus de vez, ela era independente e tinha amor próprio não podia passar a vida esperando ele se decidir a ficar com ela de uma vez, alem do que já fazia muito tempo. E estava mesmo se divertindo estava mesmo se sentindo bem… Bella estava tentando deixa-la bêbada, mas ela já sabia e estava entrando no jogo. Gostava muito da amiga e sabia que ela só estava tentando ajudar.

-Está gostando Kathy?- Perguntou Bella.

-Você sabe que sim Bella, sabe que me sinto bem nesses lugares… -Nesse momento Kathy sentiu um perfume familiar demais para ela, ela não estava acreditando no que estava sentindo.

-Kathy o que houve? Você esta pálida!O que você tem?- Bella estava aflita Kathy parecia tonta e fora do seu corpo.

-Preciso ir embora daqui, Bella tenho que ir não posso ficar aqui, tenho que ir embora daqui. – Arrepios passavam pelo seu corpo só de pensar que ele poderia estar ali, ela nunca esqueceria aquele perfume era algo como cedro e herbal, cheiro bom, muito bom para ela, parecia um encantamento para ela. Era demais para ela vê-lo ali!

-Kathy, se acalme ele não esta aqui ele. Você bebeu um pouco deve ser isso, relaxe meu bem se divirta – Bella percebeu que Kathy estava alterada, ela precisava se acalmar precisava esquecer de vez aquele estranho, para poder voltar a ser  ‘’Kat’’ a ‘’Kat’’ que ela conhecia.

-Ok eu devo ter me enganado, talvez eu tenha bebido demais, sem mais bebidas ok?- Kathy estava confusa, mas sabia que podia ser verdade.

-Ok, olhe o loirinho ali esta te chamando… – Bela sorriu com o rosto de Kathy que ficou iluminado.

Matheus estava dançando quando percebeu que a luz verde que saia de um dos focos era por vezes interrompida por uma moça de vestido preto, ele estava chegando cada vez mais perto dela, ela parecia divertida sorria muito, e se entregava realmente à dança, era o centro das atenções do lugar onde estava apesar se lá ser um pouco menos iluminado. Quando mais perto ele chegava mais ficava interessado, ate que algo muito familiar o fez parar, aqueles cabelos eram muito parecidos com o de Kathy, com o de sua Kathy, mas não podia ser eles não poderiam estar no mesmo lugar! Ele se dirigiu a uma das bases do bar e ficou de lá observando para ver se era mesmo a sua Kathy. Estava tocando Snoop Dog, era uma das musicas preferidas de Kathy, e parecia ser também a da mulher que dançava, aquelas pernas eram muito familiares o belo cabelo longo com tons de bronze, só havia uma maneira de descobrir, o perfume, se ele conseguisse chegar mais perto sem que ela percebesse…

Bella estava dançando bem ao lado de Kathy, estava feliz pela sua amiga, finalmente ela estava feliz, parecia mais sensual, e garoto louro já estava enlouquecido pela maneira que ela dançava, já tentara beija-la duas vezes, mas ela se esquivava em ambas, e insinuava um beijo nele alguns momentos depois, mas ela só estava brincando. O garoto falou algo no ouvido dela e ela sorriu alto, ele a abraçou e tentou beija-la de novo, ele nem chegou perto, ela logo o soltou e estava pulando de novo, ele a acompanhava não saia de perto dançava com ela, tocava em seu corpo, ela deixava, mas ele não passava por muito tempo com as mãos nela, ela parecia mesmo uma deusa da dança inatingível.

Gustavo não sabia nem o nome da garota que estava o encantando tanto, nunca viu naquela Boate alguém tão linda e sensual, ele queria mesmo levá-la para a casa dele queria ver como ela era sob a luz e queria ver do que ela era capaz, era linda demais.

Bella percebeu uma aproximação estranha perto do casal ao seu lado, um homem que não estava dançando esta só andando por entre as pessoas visualizando Kathy, mas aquele homem lhe era familiar! Não podia ser Kathy estava certa, ele estava lá. Bella não sabia o que fazer se interrompesse a dança Kathy poderia perceber, e agora! Ela estava tão bem! Então pensou se era para acontecer tinha de acontecer, ela não iria intervir.

Matheus se aproximou da mulher, mas não precisou de muito para saber que era ela afinal, seu jeito de dançar aquele corpo, o cabelo, o jeito de brincar com o desejo do rapaz que estava com ela… Era Kathy, era a sua Kathy. Matheus não acreditava no que estava vendo, estava tão linda na sua perfeição, parecia mais mulher, deixara de ser criança, estava incrivelmente sensual com aquele vestido, seu cabelo cor de bronze dançava junto com ela e moldava seu rosto de uma forma estupenda, o rosto de feições delicadas parecia mais delicado ainda, porem, com traços de uma mulher adulta, o que deixava ela mais sedutora ainda. O rapaz que dançava com ela parecia fascinado, e devia mesmo estar ela era incrivelmente fascinante. Matheus tinha de tomar mais cuidado estava chegando perto demais, quase foi visto por ela.

A dança continuava, Kathy se sentia ótima, achara o lugar ótimo e prometeu a si mesmo que voltaria mais vezes, quanto a Gustavo, realmente não queria nada com ele, nem com ninguém, só estava mesmo desfrutando da companhia, gostava de brincar com ele, ele sabia se deixar levar pela musica. Em uma de suas voltas viu um vulto muito familiar, mas não distinguiu ao certo que era… Talvez fosse a bebida atrapalhando suas percepções…

Enquanto Matheus a observava por duas vezes ela o percebera, mas não o identificou, ele se deixou por ali vendo aquela forma feminina dançar na sua frente como se fosse pra ele, as saudades que ele guardou dela aos poucos foram amenizando só por ela estar ali tão perto mesmo não a tocando, só por ela estar ali já era de muita valia para ele, em determinado momento seu coração gelou, ela estava tonta! Isso não era normal, pelo menos não para ela. Sempre tão lúcida.

Kathy se sentiu estranha e o mundo girou a sua volta, deve ter sido a bebida realmente, mas ela se sentia bem, era hora de ir antes que se sentisse mal com a bebida. Estava se despedido de Gustavo quando sentiu uma movimentação estranha ao seu redor, era Bella caminhando o mais rápido que podia em sua direção.

-Temos que ir embora- Bella parecia aflita, parecia querer realmente ir embora.

-Eu já estava me despedindo… -Gustavo interrompeu.

-Não, não vai agora que as coisas estão ficando boas, fica comigo, eu te levo pra casa!- Kathy sorriu com a insistência dele, mas sabia que não cederia, ou então seria tomada pelos pedidos dele…

-Não Gustavo, preciso mesmo ir para casa, gostei muito de você. A gente se vê… – Bella já havia puxado ela duas vezes na terceira ela puxou e depois soltou.

Matheus não podia deixá-la ir embora, não agora que a havia encontrado de novo, não agora que aquela oportunidade de falar com ela caíra do céu! Pôs-se a ir em direção a ela, mas Bella o vira! Ele disse para si mesmo não importa o que ela faça, eu falarei com ela hoje! Disto isso a si mesmo, ele caminhou em direção a Kathy que já estava se despedindo do rapaz e Bella puxava seu braço para que ela saísse antes dele chegar, mas não ia adiantar ele já estava perto demais.

No grande salão escuro, onde a única iluminação eram os feixes de luz azul, vermelho e verde a musica se tornara lenta era RUN TO YOU (Taio Cruz) e parecia ser a música certa para aquele momento Kathy não o vira ainda, mas ele já estava perto o suficiente quando ela o percebeu. Os olhos de Kathy logo encontraram os deles, para a surpresa dele eles não pareciam assustados, pelo contrario, pareciam felizes e sedutores, o que fez ele se sentir tomado pela vontade de estar com ela sem culpa. Ela sorriu quando ele chegou mais perto.

Bella observava tudo, e se afastou, apesar de imaginar que Kathy se sentiria mal, Kathy fez o contrario, ela parecia bem parecia ótima com a presença dele ali, o que bela não queria era que Kathy ficasse mal com a ausência dele depois, mas por hora ela parecia bem e parecia feliz. Bella ainda tinha duvidas se por causa da bebida, mas não tinha certeza… ‘’ será que ela vai ficar mal’’ pensava Bella ‘’ se ela ficar será pela ultima vez, porque eu não vou deixar ele sair barato depois’’. Bella era uma grande amiga de fato só queria o bem de Kathy.

– olá Kathe… – Matheus conseguiu dizer.

– olá Matheus- Kathy respondeu com um sorriso. Matheus não sabia bem o que dizer, estava inebriado com tanta beleza.

– podemos dançar?-Matheus estava maluco para sentir aquele corpo dançando com o seu.

– claro!- Kathy queria ver ate onde poderia segurar o seu ritmo cardíaco, estava calculando friamente uma forma de deixá-lo maluco.

Kathy queria puni-lo por ter deixado ela tanto tempo sem vê-lo, queria ver ate onde ele agüentaria, e ela já havia calculado ‘’não cederia’’. Estava tocando Buttons (Pussycat Dolls) era o que ela queria uma musica que o instigasse!

Começou simplesmente escorregando seu corpo pelo dele e ele paralisou, subiu e ficou de pé de frente para ele ela chegou perto do seu pescoço e disse ‘’você não mudou nada’’ virou-se de costa para ele e escorregou pelo seu corpo mais uma vez. Matheus estava tentando se segurar, mas aquela mulher dançando daquela forma na frente dele era incrível, ele não suportaria por muito tempo sem tentar ao menos beijá-la.

Kathy continuava usando o seu poder de sedução e Bella simplesmente olhava boquiaberta, não acreditava no que Kathy estava fazendo, era loucura! Kathy parecia tentar seduzir Matheus, mas estava brincando com ele! Era muito bom observar aquele jogo.

Kathy dançava na frente de Matheus como se só ele existisse ali, e era mesmo assim que ele se sentia, tentava tocá-la, mas ela não deixava, parecia que ‘’ele dava choque’’, tentava beijá-la, mas ela não deixava, ele simplesmente não podia tocá-la, por que ela não queria!

Matheus não estava agüentando mais, tantas loucuras se passavam em sua mente, ele a queria, queria tê-la para si queria tocá-la! Ela não podia fazer isso com ele, ele não queria mais brincar!

-Kathy, eu quero você!- Matheus falou em seu ouvido quando conseguiu segurar um de seus braços e abraçá-la pela metade.

– eu estou aqui!-Kathy disse sorrindo com o seu melhor sorriso malicioso!

– não você esta brincando comigo, isso é bem diferente, eu quero você, quero você comigo, só nos dois, quero ter você, é quero agora!

-você acha mesmo que esta em condições de exigir alguma coisa?- Kathy se referia ao tempo em que ele simplesmente ‘’sumiu’’, não ia deixar passar daquela forma.

-Kathy, eu sinto muito, fui imaturo e infantil, você tem toda a razão, mas eu. Eu acho que… –Kathy olhou para ele surpresa e não entendi ao que ele queria dizer.

– Acha que?

– Eu Amo você! Pronto é isso que eu quero que você saiba que eu amo você, eu pensei em você todos os dias e nunca esqueci o que se passou entre nos, mesmo que tenha parecido apenas joguinhos, foram os melhores jogos da minha vida, você foi a melhor coisa da minha vida e quando eu me perdi de você eu simplesmente perdi a minha felicidade.

Kathy se deixou levar pelo que estava escutando e lagrimas brotaram de seu rosto, era realmente aquilo que ela queria escutar, era aquilo que ela queria ouvir o tempo todo da boca do homem que ela amava. Matheus percebeu o que acontecia com Kathy e por esse momento em que seus pensamentos fluíam e sua cabeça ele aproveitou e a beijou, um beijo longo, sôfrego, mas vivo, muito vivo, era o que ele sempre desejou ter aquela boca para si!

Enquanto ele a beijava ela só conseguia pensar em retribuir e sentir todas as sensações possíveis daquele beijo, havia tantos sentimentos ali: amor, raiva, desejo, prazer… Mas era aquilo que ela queria era aquele beijo que ela esperava, era o que ela desejava. Matheus disse em seu ouvido ‘’vem comigo!’’.

Matheus e Kathy passaram de mãos dadas por entre as pessoas, Kathy não sabia para onde estava indo mais sabia que estava com ele, e era só isso que importava, Matheus estava levando ela para seu carro, queria ela só pra ele.

Kathy entrou no carro e se sentou ele colocou o sinto nela e aproveitou para beijá-la, em todo o percurso nem uma palavra era dita só olhares era o que existia. Matheus colocou o carro na garagem e saiu rapidamente abriu a porta para Kathy a tomou em seus braços, a beijou novamente pegou o elevador. No elevador ele sussurrou no ouvido dela ‘’ eu te amo e nada mais nesse mundo vai me fazer ficar longe de você’’ Kathy respondeu a essa frase com um beijo voluptuoso. Ao chegar ao andar dele o de frente para o elevador ficava o apartamento 394, ele colocou a chave e girou enquanto Kathy se mantinha de pé ao lado do elevador, não demorou muito tempo para abrir, logo Matheus a tomava nos braços novamente e entrava no quarto cerrando a porta atrás de si.

Autor: Maria Santos

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O Pescador (conto romantico)

Era verão quando ela foi embora, e talvez por uma reação puramente psicológica ele passou a gostar do inverno e trocou as noites quentes e estreladas do verão pelas longas e frias do inverno, agora todas as tardes caminhava pela beira da praia macambúzio.

Como a vilazinha era pequena e todos se conheciam, aquela sua mudança repentina causou estranheza em todos,embora não fosse um exemplo de popularidade, alterou a rotina diária do lugar despertando a atenção de todos.

E os comentarios á seu respeito entraram para a parte folclórica do lugar sem que ele se desse conta do seu alheamento. Principalmente depois que ele deu prá escrever na areia da praia, embora ninguem nunca tivesse conseguido ler o que ele escrevia. E por horas a fio ficava sentado na rebentação vendo as ondas quebrarem rochedos mas nunca, nunca da mesma maneira.

Pescador de nascimento e profissão foi aos poucos abandonando a lida, e só pescava agora o estritamente necessário para sobreviver, e no desespero da sua paixão sonhou que ela volraria qualquer dia, e teria que estar na praia para encontra-la.
Não viu o tempo passar e isolado de tudo e de todos caiu no esquecimento, já não despertava mais a curiosidade de ninguem e quando se referiam a ele eracomo se não o conhacessem mais.

Agora ele era o velho louco do penhasco.

Em seus raros momentos de lucidez ou em sonhos já não sabia, via ela chegando do mar como uma sereia encantada a pega-lo pela mão a correrem ao longo da praia, era quando lia prá ela o que escrevia na areia.

Até que um dia ninguem sabe como nem quando alguem deu pela falta dele, não o viram mais na praia nem no penhasco, mas os mais velhos diziam que ele tinha revolvido ir embora com sua sereia encantada…

…Afinal ela voltou e de mãos dadas com ela, foi escrever poesia no fundo mar.

Autor: Triunfense

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O moço do saxofone (conto romantico)

Eu era chofer de caminhão e ganhava uma nota alta com um cara que fazia contrabando. Até hoje não entendo direito por que fui parar na pensão da tal madame, uma polaca que quando moça fazia a vida e depois que ficou velha inventou de abrir aquele frege-mosca. Foi o que me contou o James, um tipo que engolia giletes e que foi o meu companheiro de mesa nos dias em que trancei por lá. Tinha os pensionistas e tinha os volantes, uma corja que entrava e saía palitando os dentes, coisa que nunca suportei na minha frente. Teve até uma vez uma dona que mandei andar só porque no nosso primeiro encontro, depois de comer um sanduíche, enfiou um palitão entre os dentes e ficou de boca arreganhada de tal jeito que eu podia ver até o que o palito ia cavucando. Bom, mas eu dizia que no tal frege-mosca eu era volante. A comida, uma bela porcaria e como se não bastasse ter que engolir aquelas lavagens, tinha ainda os malditos anões se enroscando nas pernas da gente. E tinha a música do saxofone.

Não que não gostasse de música, sempre gostei de ouvir tudo quanto é charanga no meu rádio de pilha de noite na estrada, enquanto vou dando conta do recado. Mas aquele saxofone era mesmo de entortar qualquer um. Tocava bem, não discuto. O que me punha doente era o jeito, um jeito assim triste como o diabo, acho que nunca mais vou ouvir ninguém tocar saxofone como aquele cara tocava.

— O que é isso? — eu perguntei ao tipo das giletes. Era o meu primeiro dia de pensão e ainda não sabia de nada. Apontei para o teto que parecia de papelão, tão forte chegava a música até nossa mesa. Quem é que está tocando?

— É o moço do saxofone.

Mastiguei mais devagar. Já tinha ouvido antes saxofone, mas aquele da pensão eu não podia mesmo reconhecer nem aqui nem na China.

— E o quarto dele fica aqui em cima?

James meteu uma batata inteira na boca. Sacudiu a cabeça e abriu mais a boca que fumegava como um vulcão com a batata quente lá no fundo. Soprou um bocado de tempo a fumaça antes de responder.

— Aqui em cima.

Bom camarada esse James. Trabalhava numa feira de diversões, mas como já estivesse ficando velho, queria ver se firmava num negócio de bilhetes. Esperei que ele desse cabo da batata, enquanto ia enchendo meu garfo.

— É uma música desgraçada de triste — fui dizendo.

— A mulher engana ele até com o periquito — respondeu James, passando o miolo de pão no fundo do prato para aproveitar o molho. — O pobre fica o dia inteiro trancado, ensaiando. Não desce nem para comer. Enquanto isso, a cabra se deita com tudo quanto é cristão que aparece.

— Deitou com você?

— É meio magricela para o meu gosto, mas é bonita. E novinha. Então entrei com meu jogo, compreende? Mas já vi que não dou sorte com mulher, torcem logo o nariz quando ficam sabendo que engulo gilete, acho que ficam com medo de se cortar…

Tive vontade de rir também, mas justo nesse instante o saxofone começou a tocar de um jeito abafado, sem fôlego como uma boca querendo gritar, mas com uma mão tapando, os sons espremidos saindo por entre os dedos. Então me lembrei da moça que recolhi uma noite no meu caminhão. Saiu para ter o filho na vila, mas não agüentou e caiu ali mesmo na estrada, rolando feito bicho. Arrumei ela na carroceria e corri como um louco para chegar o quanto antes, apavorado com a idéia do filho nascer no caminho e desandar a uivar que nem a mãe. No fim, para não me aporrinhar mais, ela abafava os gritos na lona, mas juro que seria melhor que abrisse a boca no mundo, aquela coisa de sufocar os gritos já estava me endoidando. Pomba, não desejo ao inimigo aquele quarto de hora.

— Parece gente pedindo socorro — eu disse, enchendo meu copo de cerveja. — Será que ele não tem uma música mais alegre?

James encolheu o ombro.

— Chifre dói.

Nesse primeiro dia fiquei sabendo ainda que o moço do saxofone tocava num bar, voltava só de madrugada. Dormia em quarto separado da mulher.

—- Mas por quê? — perguntei, bebendo mais depressa para acabar logo e me mandar dali. A verdade é que não tinha nada com isso, nunca fui de me meter na vida de ninguém, mas era melhor ouvir o tro-ló-ló do James do que o saxofone.

— Uma mulher como ela tem que ter seu quarto — explicou James, tirando um palito do paliteiro. — E depois, vai ver que ela reclama do saxofone.

— E os outros não reclamam?

— A gente já se acostumou.

Perguntei onde era o reservado e levantei-me antes que James começasse a escarafunchar os dentões que lhe restavam. Quando subi a escada de caracol, dei com um anão que vinha descendo. Um anão, pensei. Assim que saí do reservado dei com ele no corredor, mas agora estava com uma roupa diferente. Mudou de roupa, pensei meio espantado, porque tinha sido rápido demais. E já descia a escada quando ele passou de novo na minha frente, mas já com outra roupa. Fiquei meio tonto. Mas que raio de anão é esse que muda de roupa de dois em dois minutos? Entendi depois, não era um só, mas uma trempe deles, milhares de anões louros e de cabelo repartidinho do lado.

— Pode me dizer de onde vem tanto anão? — perguntei à madame, e ela riu.

— Todos artistas, minha pensão é quase só de artistas…

Fiquei vendo com que cuidado o copeiro começou a empilhar almofadas nas cadeiras para que eles se sentassem. Comida ruim, anão e saxofone. Anão me enche e já tinha resolvido pagar e sumir quando ela apareceu. Veio por detrás, palavra que havia espaço para passar um batalhão, mas ela deu um jeito de esbarrar em mim.

— Licença?

Não precisei perguntar para saber que aquela era a mulher do moço do saxofone. Nessa altura o saxofone já tinha parado. Fiquei olhando. Era magra, sim, mas tinha as ancas redondas e um andar muito bem bolado. O vestido vermelho não podia ser mais curto. Abancou-se sozinha numa mesa e de olhos baixos começou a descascar o pão com a ponta da unha vermelha. De repente riu e apareceu uma covinha no queixo. Pomba, que tive vontade de ir lá, agarrar ela pelo queixo e saber por que estava rindo. Fiquei rindo junto.

— A que horas é a janta? — perguntei para a madame, enquanto pagava.

— Vai das sete às nove. Meus pensionistas fixos costumam comer às oito — avisou ela, dobrando o dinheiro e olhando com um olhar acostumado para a dona de vermelho. — O senhor gostou da comida?

Voltei às oito em ponto. O tal James já mastigava seu bife. Na sala havia ainda um velhote de barbicha, que era professor parece que de mágica e o anão de roupa xadrez. Mas ela não tinha chegado. Animei-me um pouco quando veio um prato de pastéis, tenho loucura por pastéis. James começou a falar então de uma briga no parque de diversões, mas eu estava de olho na porta. Vi quando ela entrou conversando baixinho com um cara de bigode ruivo. Subiram a escada como dois gatos pisando macio. Não demorou nada e o raio do saxofone desandou a tocar.

— Sim senhor — eu disse e James pensou que eu estivesse falando na tal briga.

— O pior é que eu estava de porre, mal pude me defender!

Mordi um pastel que tinha dentro mais fumaça do que outra coisa. Examinei os outros pastéis para descobrir se havia algum com mais recheio.

— Toca bem esse condenado. Quer dizer que ele não vem comer nunca?

James demorou para entender do que eu estava falando. Fez uma careta. Decerto preferia o assunto do parque.

— Come no quarto, vai ver que tem vergonha da gente — resmungou ele, tirando um palito. — Fico com pena, mas às vezes me dá raiva, corno besta. Um outro já tinha acabado com a vida dela!

Agora a música alcançava um agudo tão agudo que me doeu o ouvido. De novo pensei na moça ganindo de dor na carroceria, pedindo ajuda não sei mais para quem.

— Não topo isso, pomba.

— Isso o quê?

Cruzei o talher. A música no máximo, os dois no máximo trancados no quarto e eu ali vendo o calhorda do James palitar os dentes. Tive ganas de atirar no teto o prato de goiabada com queijo e me mandar para longe de toda aquela chateação.

— O café é fresco? — perguntei ao mulatinho que já limpava o oleado da mesa com um pano encardido como a cara dele.

— Feito agora.

Pela cara vi que era mentira.

— Não é preciso, tomo na esquina.

A música parou. Paguei, guardei o troco e olhei reto para aporta, porque tive o pressentimento que ela ia aparecer. E apareceu mesmo com o aninho de gata de telhado, o cabelo solto nas costas e o vestidinho amarelo mais curto ainda do que o vermelho. O tipo de bigode passou em seguida, abotoando o paletó. Cumprimentou a madame, fez ar de quem tinha muito o que fazer e foi para a rua.

— Sim senhor!

— Sim senhor o quê? — perguntou James.

— Quando ela entra no quarto com um tipo, ele começa a tocar, mas assim que ela aparece, ele pára. Já reparou? Basta ela se enfurnar e ele já começa.

James pediu outra cerveja. Olhou para o teto.

— Mulher é o diabo…

Levantei-me e quando passei junto da mesa dela, atrasei o passo. Então ela deixou cair o guardanapo. Quando me abaixei, agradeceu, de olhos baixos.

— Ora, não precisava se incomodar…

Risquei o fósforo para acender-lhe o cigarro. Senti forte seu perfume.

— Amanhã? — perguntei, oferecendo-lhe os fósforos. — Às sete, está bem?

— É a porta que fica do lado da escada, à direita de quem sobe.

Saí em seguida, fingindo não ver a carinha safada de um dos anões que estava ali por perto e zarpei no meu caminhão antes que a madame viesse me perguntar se eu estava gostando da comida. No dia seguinte cheguei às sete em ponto, chovia potes e eu tinha que viajar a noite inteira. O mulatinho já amontoava nas cadeiras as almofadas para os anões. Subi a escada sem fazer barulho, me preparando para explicar que ia ao reservado, se por acaso aparecesse alguém. Mas ninguém apareceu. Na primeira porta, aquela à direita da escada, bati de leve e fui entrando. Não sei quanto tempo fiquei parado no meio do quarto: ali estava um moço segurando um saxofone. Estava sentado numa cadeira, em mangas de camisa, me olhando sem dizer uma palavra. Não parecia nem espantado nem nada, só me olhava.— Desculpe, me enganei de quarto — eu disse, com uma voz que até hoje não sei onde fui buscar.

O moço apertou o saxofone contra o peito cavado.

— E na porta adiante — disse ele baixinho, indicando com a cabeça.

Procurei os cigarros só para fazer alguma coisa. Que situação, pomba. Se pudesse, agarrava aquela dona pelo cabelo, a estúpida. Ofereci-lhe cigarro.

— Está servido?

— Obrigado, não posso fumar.

Fui recuando de costas. E de repente não agüentei. Se ele tivesse feito qualquer gesto, dito qualquer coisa, eu ainda me segurava, mas aquela bruta calma me fez perder as tramontanas.

— E você aceita tudo isso assim quieto? Não reage? Por que não lhe dá uma boa sova, não lhe chuta com mala e tudo no meio da rua? Se fosse comigo, pomba, eu já tinha rachado ela pelo meio! Me desculpe estar me metendo, mas quer dizer que você não faz nada?— Eu toco saxofone.

Fiquei olhando primeiro para a cara dele, que parecia feita de gesso de tão branca. Depois olhei para o saxofone. Ele corria os dedos compridos pelos botões, de baixo para cima, de cima para baixo, bem devagar, esperando que eu saísse para começar a tocar. Limpou com um lenço o bocal do instrumento, antes de começar com os malditos uivos.

Bati a porta. Então a porta do lado se abriu bem de mansinho, cheguei a ver a mão dela segurando a maçaneta para que o vento não abrisse demais. Fiquei ainda um instante parado, sem saber mesmo o que fazer, juro que não tomei logo a decisão, ela esperando e eu parado feito besta, então, Cristo-Rei!? E então? Foi quando começou bem devagarinho a música do saxofone. Fiquei broxa na hora, pomba. Desci a escada aos pulos. Na rua, tropecei num dos anões metido num impermeável, desviei de outro, que já vinha vindo atrás e me enfurnei no caminhão. Escuridão e chuva. Quando dei a partida, o saxofone já subia num agudo que não chegava nunca ao fim. Minha vontade de fugir era tamanha que o caminhão saiu meio desembestado, num arranco.

(O texto acima foi publicado no livro Antes do Baile Verde, José Olympio Editores – Rio de Janeiro, 1979, e relacionado entre Os cem melhores contos brasileiros do século, uma seleção de Ítalo Moriconi, Editora Objetiva – Rio de Janeiro, 2000, pág. 233.)

Autor: Lygia Fagundes Telles

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O mar (conto romantico)

O mar refletia o azul do céu. As águas se moviam formando ondas que vinham chocar-se com os corais. O som era relaxante apesar de se misturar com a conversa das pessoas.

Júlio estava deitado na praia. Os olhos fechados. Sua mente era um branco total.

Júlio queria ser feliz. Mas esse não era um pensamento, era uma aspiração.

A felicidade verdadeira andava por aí, mas ele não encontrava porque buscava algo que não era ela.

Depois que uma onda estourou em um rochedo Júlio pensou sem palavras: “Eu existo, apenas isso.”

O sol começava se por atráz da montanha. O céu ficava vermelho e o mar também.

Era algo muito belo que Júlio não se preocupava em ver.

Ele relaxava cada vez mais.

De repente algo cutucou em sua cabeça. Ele abriu os olhos e viu sua namorada sorrindo docemente.

As gaivotas sobrevoavam a água e as pessoas andavam de um lado para o outro.

O casal estava sentado na areia.

Aline perguntou:

– Você me ama?

Júlio respondeu:

– Amo.

– Duvido.

– Duvidando ou não a verdade é essa.

– Então responde olhando nos meus olhos. Você me ama de verdade?

– Eu te amo.

– Você está me dizendo isso só para me enganar.

– Pense o que quiser.

– Você parece distante. No que está pensando?

– Estou pensando em como as coisas são tão bonitas. As vezes me emociono de pensar nisso.

– Gostaria de sentir isso que você está sentindo.

– Talvez você sinta e não saiba.

– Como eu poderia sentir uma sensação tão boa e não saber?

– Talvez porque você sente essa sensação a vida toda e por isso já está costumada. Enquanto que eu estou sentindo esta sensação pela primeira vez.

Aline encostou a cabeça no ombro de Júlio enquanto olhavam as águas avermelhadas.

Naquele momento Júlio sentiu uma gratidão muito grande por tudo que existe.

Autor: Jefferson Ulisses

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