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• quarta-feira, dezembro 24th, 2014

alberto

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• quarta-feira, dezembro 24th, 2014

“Deixa-me entrar, – dizia o sol – suspende
A cortina, soabre-te! Preciso
O íris trêmulo ver que o sonho acende
Em seu sereno virginal sorriso.

Dá-me uma fresta só do paraíso
Vedado, se o ser nele inteiro ofende…
E eu, como o eunuco, estúpido, indeciso,
Ver-lhe-ei o rosto que na sombra esplende.”

E, fechando mais, zelosa e firme,
Respondia a janela: “Tem-te, ousado!
Não te deixo passar! Eu, néscia, abri-me!

E esta que dorme, sol, que não diria
Ao ver-te o olhar por trás do cortinado,
E ao ver-se a um tempo desnudada e fria?!”

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• quarta-feira, dezembro 24th, 2014

“Quando a valsa acabou, veio à janela,
Sentou-se. O leque abriu. Sorria e arfava,
Eu, viração da noite, a essa hora entrava
E estaquei, vendo-a decotada e bela.
Eram os ombros, era a espádua, aquela
Carne rosada um mimo! A arder na lava
De improvisa paixão, eu, que a beijava,
Hauri sequiosa toda a essência dela!

Deixei-a, porque a vi mais tarde, oh! ciúme!
Sair velada da mantilha. A esteira
Sigo, até que a perdi, de seu perfume.

E agora, que se foi, lembrando-a ainda,
Sinto que à luz do luar nas folhas, cheira
Este ar da noite àquela espádua linda!”

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• quarta-feira, dezembro 24th, 2014

Esta de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.

Era o poeta de Teos que a suspendia
Então, e, ora repleta ora esvazada,
A taça amiga aos dedos seus tinia,
Toda de roxas pétalas colmada.

Depois… Mas o lavor da taça admira,
Toca-a, e do ouvido aproximando-a, às bordas
Finas hás de lhe ouvir, canora e doce,

Ignota voz, qual se da antiga lira
Fosse a encantada música das cordas,
Qual se essa voz de Anacreonte fosse.

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• quarta-feira, dezembro 24th, 2014

alexei

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• quarta-feira, dezembro 24th, 2014

Os diamantes são indestrutíveis?
Mais é meu amor.

O mar é imenso?
Meu amor é maior,
mais belo sem ornamentos
do que um campo de flores.

Mais triste do que a morte,
mais desesperançado
do que a onda batendo no rochedo,
mais tenaz que o rochedo.

Ama e nem sabe mais o que ama.

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• quarta-feira, dezembro 24th, 2014

Amada, por que eu tive a tua voz
Depois que o Nada teve a tua boca?
A lua, em sua palidez de louca,
Brilha igual sobre mim, e sobre nós!…

Porém como estás longe, como o algoz
De um só golpe sem fim – a Morte – apouca
Os gritos dos que esperam, a ânsia rouca
Dos que atrás têm seu sonho, os grandes sós!

Aqui não brilha o mundo que engendraste
Como o manto de um deus, e astros sangrentos
Não nos rolam nas mãos da imensa haste.

E só estes olhos meus, que nunca viste,
Se incendeiam, vitrais na noite atentos,
Voltados para o chão aonde fugiste!

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• quarta-feira, dezembro 24th, 2014

Há um mar que ruge à minha volta, e nesta ilha
Fora das rotas, mas na noite, me encontrei
Envolto em água, envolto em treva, e já nem sei
Qual foi o barco que me trouxe, onde sua quilha.

Unicamente sobre mima lua brilha
E o mar de abismos cospe atrás, onde afundei,
Que nem enxergo nesta luz da qual sou rei
Além da noite a rocha e a lua, sua filha.
Sombra exilada que não lembra de onde veio,
Escuto ondas mais antigas que as do mar…

Que voz me chama no negror que as corta ao meio?
Aqui estou salvo, mas não quero, sonho a fera
Maior que a vida, o mar em fúria, o retornar,
Eu, rei de um povo submerso que me espera.

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• quarta-feira, dezembro 24th, 2014

armando

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• quarta-feira, dezembro 24th, 2014

Eu não fechei o olho a noite inteira
Me levantei sozinho e com olheira
Encharcado de suor
Já arrumei o quarto e a prateleira
O seu retrato coloquei na cabeceira
Desliguei o despertador
Tirei o leite e a manteiga da geladeira
A água esta fervendo na chaleira
Coloquei o pó no coador
Ah! O pão já está na torradeira
Já arrumei talher, mesa e a cadeira
Empurrei para o canto a dor
Já estou aqui sentado de bobeira
Esperando você cruzar a soleira
Com seu sorriso encantador
Mas esta é a minha manhã primeira
Desta minha vida tão traiçoeira
Que levou o meu amor
Para sempre o meu amor.

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