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• sábado, dezembro 20th, 2014

Vento que passa, colhe-me as palavras, atreve-te a pronunciar as que não consigo dizer.

Vento que passa, colhe-me a alma, atreve-te a levá-la para longe sobre as tuas asas.

Vento que passa, colhe-me o coração, que seguro em minhas mãos, dissolve-o no espaço, como areia do deserto.

Sinto a carícia dos teus dedos invisíveis, afagar-me a nuca, sinto o teu abraço apertado quando a tempestade se aproxima, a tua força arrasta-me, num turbilhão de sensações, no meio do furacão, vento, amigo, companheiro.

Sinto a tua presença, mesmo na ausência, na calmaria de uma tarde de Verão, no silêncio da agonía que me queima o peito. Sinto o conforto do final da tarde, ao nascer da noite, quando me sopras a face para despertar para mais um instante de tranquilidade.

Vento, escultor divino, companheiro eterno, que no momento final, vens buscar-me a alma que navegará para sempre no dorso calmo do teu ser.

Category: Incógnita, Poetisas  | Tags:
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