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• segunda-feira, dezembro 22nd, 2014

Quisera espaço pra espalhar minhas letrinhas
e o silêncio, bem quieto, dos meus mortos,
onde só se ouvisse a chaleira e brisa leve
além do macio da caneta, em traços tortos.

Quisera ler no papel de árvore caída
uma história que me surgisse não de agora,
mas uma outra que ficou no diário antigo
e me falava de sonhos alegres de outrora.

Eu vejo o tempo dos homens me engolindo
e me traçando, no rosto, trilhas fundas,
quando minh’alma, incólume àquele tempo,
cria, do afeto, as medidas mais profundas.

Daí me curvo mais sobre meus blocos
e finjo olvidar os barulhos dos meus vivos,
que só assim posso fluir meus sonhos todos
mesmo sabendo a maior parte já perdido.

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