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• segunda-feira, dezembro 22nd, 2014

Te escrevo do modo antigo de dizer das coisas
e te penso do jeito que ninguém se lembra.
É que restei parada lá bem no começo,
quando ainda sonhava com anjos e lendas.

Te escrevo em bloco de linhas bem retas,
que tenho medo de minhas frases tortas.
Esqueci do espelho e dos tempos idos
e te espio, quieta, por frestas de portas.

Te escrevo a lápis pra corrigir letrinhas
e pinço termos num velho dicionário.
Cresci de altura, mas, ainda menina,
te olho folhinhas do meu calendário.

Te escrevo palavras que ninguém mais usa,
que ainda me vêm do odor das flores
do meu jardim bem vivo na lembrança,
onde te tinha mulher de meus amores.

E te escrevendo, assim, meio sem jeito,
sei que já sabes que me vim ser tua,
que te esperei, ainda no meu tempo,
andando na trilha que me fez a lua.

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