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• segunda-feira, dezembro 22nd, 2014

Percorrendo infinitas trilhas,
sobre cavalos dóceis e bravios,
a lugar algum chegou que não de passagem.
A cada parada/pausa,
mal banhado, sedento e esperançoso,
via logo cedo que nada mudara.

Eram os mesmos, em todos os pontos,
os olhos que o espiavam,
os ouvidos que o ouviam (ouviam?)
e as bocas que lhe falavam
tornado novamente cavaleiro,
alterava-se-lhe tão somente a cor do bicho que o levava
e sempre, sempre, alguma esperança para gastar.

Talvez noutra parada… quem sabe?!
Caminhou solitário e alerta
por campos, riachos, estradas,
mares, matas, lagos e cidades.
Cresceram-lhe cabelos, barba e caminho andado.

Da solidão de tanto andar,
sobreveio-lhe o hábito do silêncio
e a cada parada menos palavras encontrava prá dizer.
Olhava e com o olhar dizia.
Ninguém (ou)via.

E lá tornava ele à montaria,
estrada/vida afora,
em busca do pouso certo que de incerto tudo tinha.
Cecília lhe recitaria “Destino”,
“pastor de nuvens” que ele parecia…
mas ela já morrera há muito tempo
e dele nada sabia.

Cavaleiro de conto de fadas diriam alguns,
atrás talvez de um castelo e uma princesa,
ou, quem sabe, apenas um rebanho prá tocar…
Mas ele desconhecia porque tanto cavalgava
e o que o movia.

Se fugia ou perseguia.
Se era caçador ou caça.

Cavalgou incessantemente o homem
até um ponto de uma certa trilha.

Apeou.

Olhou o céu que sempre o acompanhara… Lindo!

Deitou-se. A árvore era frondosa…

Ali, naquele lugar, findava sua busca
– porquê? – ele também não sabia…

Nunca mais cavalgou o homem por caminhos vários
desta bela e vasta terra.

Deixara de procurar…Resolvera apenas se deixar ser e sonhar.

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