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• segunda-feira, dezembro 22nd, 2014

Vira-te para mim
e vês como meus olhos te suplicam,
ao mesmo tempo que se encantam
por ti.

Tremores e suores
medo de perder-te…
tem dó de mim…
eu, qual pássaro ferido,
querendo aninhar-me em teu peito,
com teus dedos acariciando meus cabelos ,
embalando-me o sono.

Eu com ímpetos de beijar-te
a ponta do nariz
e o canto esquerdo dos lábios…

Saudades do que poderíamos ter
e não temos.

Saudades de beber em teus lábios
o vinho que bebo
e tu não sabes de meus lábios
ou deste vinho que decanto…

Preciso deste sonho!…

Entrelaço meus dedos
em teus dedos e,
espelho-me no verde de teu olhar
me ponho aqui
a falar-te de dedos e bocas,
quando só quero…
beber-te toda… sem gelo…

Gosto de vinho em meus lábios trêmulos…

Boca sedenta…

Gosto de vinho…

Ânsia de boca…

Emoção que se derrama
em urgência gritante.

Transformo-te em vinho
para te degustar… penetra-me a boca
escorrendo por minha garganta…
devagar…
achegar meio a minhas entranhas.

Saboreio-te na taça,
tua boca que tanto desejo
e beijo…

Toma-me agora!

Tenho-te cá na boca…
e não és mais vinho…
és carne de minha coxa…
retalho de meu peito…
minha alma partida.

Eu te bebo nesta vontade de ti…
deixa-me te penetrar no peito…
seio…
infinitas pernas…

Deixa-me estuprar tua língua…
lamber-te os lábios
viver dentro de fora de mim.

Não me atreverei a dizer-te mais de mim
ou deste insano desejo
que vive aqui… cá dentro de mim…

Mostra-me tuas cicatrizes…
teus percalços…
tuas rugas…
teu desassossego…

Não sei mais nada de mim…

Viverei no teu corpo feito de gemidos
e neste imenso espaço
que nos atormenta…
preciso de vida…
preciso viver…

Deixa-me viver em ti…
contigo…
em mim !…

Category: MCarmo Costa, Poetisas  | Tags:
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