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• quarta-feira, dezembro 24th, 2014

O que desencadeia o estimulado
Sabor de frutos destruídos?
As acalmias de um mar transtornado
São música para os ouvidos

De quem na praia se senta
Olhando para além do mundo…
O ondular é a foz que aguenta
As lágrimas de um rio moribundo

Que corre sem ter onde correr,
Que respira sem ter ar,
Que vive porque vai morrer,
Que grita porque não sabe falar…

Pelo recanto do olhar felino
Se vislumbram as emoções…
As vozes são o cantar de um sino
Que harmoniza as recordações

Da ondulação suave e pacifica
Que presentemente se faz sentir…
A sombra é audácia magnífica
Que combate o inexistir…

Disperso, exausto, sem alento
No íntimo do meu vazio peito,
Eu sonho alto o meu tormento,
Alegórico fruto do mar desfeito,

Que frequenta o meu coração
E minha alma preenche…
Sou desprovido de visão,
Cego na maré que enche

O areal de lágrimas solitárias,
O corpo de desabafos sentidos,
A mente de lembranças sedentárias,
A alma de desejos esquecidos…

Em breve o sono me levará
A um sonho, pesadelo ou festa…
Terei paz até chegar o amanhã…
E isso é tudo o que me resta…

Quando os olhos omitem o ver
E os lábios esquecem o beijar
Todos riem de mim ao saber
Que uivo minhas mágoas ao luar…

Category: Daniel, Home, Poetas  | Tags:
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