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• sexta-feira, setembro 11th, 2015

Sábado – 18h05min. A solidão parece abraçar-me. Chove e a janela está ornada de lágrimas. Sigo sozinho há duas semanas. Dor e vazio. Sinto a falta de meu filho, mas acho melhor dar um tempo. Sinto também falta dela. De sua presença, de seus carinhos. Mas, é fato que já não dá mais para continuar. Revejo fotos antigas. Jornais leio e releio. Psicografo alguma coisa sem sentido. A poemas tento dar vazão. “A dor é sempre muito inspiradora”, dizem os poetas. É. Talvez. Mas, dói. Sinto um vazio imenso. Sinto-me meio covarde de não tentar mais uma vez, por desistir de vez de nós. Na verdade, estou dividido. Metade de mim acha que foi uma decisão acertada.

Bebo um chá, escrevo mais alguma coisa. Ouço discos antigos. Gravo uma compilação de músicas velhas que foram importantes para nós dois. A trilha sonora de nossa relação doente. Choro, grito, brigo comigo mesmo. Sou adepto à uma vertente Rodrigueana, que acha que se o sofrimento é inevitável, que seja logo, que seja agora, que seja de uma só vez. Com intensidade e paixão.

Arma-se um grande debate, mesa redonda, dentro de mim e eu pareço ser o interlocutor de mim mesmo. São diversas testemunhas de dentro de mim. Cada uma querendo depor a favor, contra ou sobre o muro. Mas, serei condenado pela maioria do júri, é óbvio.

Mais dúvidas e medo.

Tento compor algo ao piano. Não consigo tocar nada. Grito mais uma vez. Reflito. Desisto. Concluo que sou teimoso demais para voltar atrás.

Fato!

Melhor assim.

Exausto, escrevo.
Ao meu lado – ela, minha biógrafa preferida – a solidão, sorri.

Category: Home, Poetas, Robson Felix  | Tags:
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