Archive for the Category ◊ Poetas/Poetisas Consagrados ◊

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• quarta-feira, dezembro 24th, 2014

rosa071

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• quarta-feira, dezembro 24th, 2014

Calmo, fundo, translúcido, amplo, o lago
longe, trêmulo, trêmulo, morria.
No seu límpido espelho a ramaria,
curva, de um bosque punha sombra e afago.

Terra e céu, ondulando, eram na fria
tela fundidos! O queixume vago
que a água modula, de ambos parecia,
solto, ululante, intérmino, pressago!

– “Trecho vulgar de sítio abstruso e agreste”
talvez; mas todo o encanto que o reveste
sentisses; contemplasses-lhe a beleza;

comigo ouvisses-lhe a mudez, que fala,
e sorverias no frescor que o embala
todo o alento vital da Natureza!

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• quarta-feira, dezembro 24th, 2014

Dirás que é falso. Não. É certo. Desço
Ao fundo d’alma toda vez que hesito…
Cada vez que uma lágrima ou que um grito
Trai-me a angústia – ao sentir que desfaleço…
E toda assombro, toda amor, confesso,
O limiar desse país bendito
Cruzo: – aguardam-me as festas do infinito!
O horror da vida, deslumbrada, esqueço!
É que há dentro vales, céus, alturas,
Que o olhar do mundo não macula, a terna
Lua, flores, queridas criaturas,
E soa em cada moita, em cada gruta,
A sinfonia da paixão eterna!…
– E eis-me de novo forte para a luta.

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• quarta-feira, dezembro 24th, 2014

No silêncio das noites perfumosas,
Quando a vaga chorando beija a praia,
Aos trêmulos rutilos das estrelas,
Inclino a triste fronte que desmaia.
E vejo o perpassar das sombras castas
Dos delírios da leda mocidade;
Comprimo o coração despedaçado
Pela garra cruenta da saudade.
Como é doce a lembrança desse tempo
Em que o chão da existência era de flores,
Quando entoava o múrmur das esferas
A copla tentadora dos amores!
Eu voava feliz nos ínvios serros
Empós das borboletas matizadas…
Era tão pura a abóbada do elísio
Pendida sobre as veigas rociadas!…
Hoje escalda-me os lábios riso insano,
É febre o brilho ardente de meus olhos:
Minha voz só retumba em ai plangente,
Só juncam minha senda agros abrolhos.
Mas que importa esta dor que me acabrunha,
Que separa-me dos cânticos ruidosos,
Se nas asas gentis da poesia
Eleva-me a outros mundos mais formosos?!…
Do céu azul, da flor, da névoa errante,
De fantásticos seres, de perfumes,
Criou-me regiões cheias de encanto,
Que a luz doura de suaves lumes!
No silêncio das noites perfumosas
Quando a vaga chorando beija a praia,
Ela ensina-me a orar, tímida e crente,
Aquece-me a esperança que desmaia.
Oh! Bendita esta dor que me acabrunha,
Que separa-me dos cânticos ruidosos,
De longe vejo as turbas que deliram,
E perdem-se em desvios tortuosos!…

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• quarta-feira, dezembro 24th, 2014

Meu anjo inspirador não tem nas faces

As tintas coralíneas da manhã,;

Nem tem nos lábios as canções vivaces

Da cabocla pagã!

 

Não lhe pesa na fronte deslumbrante

Coroa de esplendor e maravilhas,

Nem rouba ao nevoeiro flutuante

As nítidas mantilhas.

 

Meu anjo inspirador é frio e triste

Como o sol que enrubesce o céu polar!

Trai-lhe o semblante pálido — do antiste

O acerbo meditar!

 

Traz na cabeça estema de saudades,

Tem no lânguido olhar a morbideza;

Veste a clâmide eril das tempestades,

E chama-se — Tristeza!…

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• quarta-feira, dezembro 24th, 2014

rosa105

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• quarta-feira, dezembro 24th, 2014

I
Tal como o povo, tal como o juiz
E o selecto senado se rendem à eloquência,
À arte embaladora das palavras
As mulheres não opõem resistência.
Mas os recursos oculta do teu verbo;
Evite o teu discurso o tom pedante.
Só um pobre de espírito faria
Um pomposo discurso à sua amante
(…) Que o teu estilo seja natural
E as palavras comuns, embora ternas,
À mulher que escreveres procura dar
Naturalmente a impressão de que te está a ouvir falar.

II
É no leito, acredita, que a Concórdia, sem armas, eternamente habita.
A cama é o lugar onde nasce o perdão.
As pombas que ainda há pouco se batiam
Unem os bicos e o seu arrolhar é o amor a falar.
Apressar o termo da volúpia,
Acredita, não é conveniente,
Mas depois de atrasos que a demorem
Chegar à meta insensivelmente.
E antes de encontrares aquela região
Onde as carícias têm melhor acolhimento
Não te impeça o pudor de a afagar.
Como os raios do sol quando são refletidos
No espelho da água transparente,
Nos olhos da amante, esse trémulo brilho tu verás cintilar.
III
Que a meta seja atingida ao mesmo tempo.
São guindados ao cume da volúpia
O homem e a mulher quando vencidos
Ficam na cama, sem forças, estendidos.

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• quarta-feira, dezembro 24th, 2014

A soleira da porta, eu toquei,
por três vezes,
e fui chamado de volta,
ah! de volta fui chamado
por três vezes!

O meu próprio pé era lento
indulgente era com meu espírito!
Muitas coisas, muitas vezes,
eu falei… eu falei
e como se me afastasse,
dei-lhe o derradeiro
beijo.

Enfim, por que a pressa?
Roma deixo,
Cítia é para onde sou enviado,
devo deixar
a Cidade:
as duas, justas esperas.

Enfim, por que me apressar?
Sem demora, deixo
do meu discurso,
as palavras inacabadas,
abraçando com meu espírito partido
todas,
todas as pessoas mais amadas.

Sou dividido
tal como se me privassem
dos meus membros!
Pareceu-me que
uma parte de mim mesmo,
do corpo, foi arrancada,
e, neste momento,
explode o gemido,
explode o brado,
o brado e o gemido
dos meus entes
mais queridos!
Meus punhos tristes
feriram o meu peito nu!

Neste momento, partido
e partindo, enlaçando-se
aos meus ombros,
minha esposa misturou
às lágrimas
estas palavras tristes:
“Tu não podes, de mim, ser tirado!
Juntos, ah! sim, juntos
iremos.
Seguirei-te! Seguirei-te!
E serei
a esposa do exilado.

Para mim o caminho
está consumado,
a longínqua terra me tem!
Acrescentar-me-ei
como insignificante bagagem
ao funesto navio
que parte, que se perde
no salgado rio;
a ira de César ordena
que te afastes da pátria,
Piedade de mim! Piedade!
O imperador será pio comigo, amor!”
Tais coisas ela tentava
assim como antes tentara,
mas, com dificuldade,
deu as mãos vencidas pela utilidade
de, em Roma, permanecer,
em busca da imperial piedade.

Permanecer
não me é permitido.
Devo partir.
Parto, mas este sofrimento
deveria ser suportado
sem dor.

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• quarta-feira, dezembro 24th, 2014

Era intenso o calor, passava do meio dia;
Estava eu em minha cama repousando.
(…) Eis que vem Corina numa túnica ligeira,
Os cabelos lhe ocultando o alvo pescoço;
Assim entrava na alcova a formosa Semiramis,
Dizem, e Laís que amaram tantos homens.
Tirei-lhe a túnica, mas sem empenho de vencer:
Venceu-a, sem mágoa, a sua traição.
Ficou em pé, sem roupa, ali diante de meus olhos.
Em seu corpo não havia um só defeito.
Que ombros e que braços me foi dado ver, tocar!
Os belos seios, que doce comprimi-los!
Que ventre mais polido logo abaixo do peito!
Que primor de ancas, que juvenil a coxa!
Por que pormenorizar? Nada vi não louvável,
E lhe estreitei a nudez contra o meu corpo.
O resto, quem não sabe? Exaustos, repousamos.
Que outros meios-dias me sejam tão prósperos.

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• quarta-feira, dezembro 24th, 2014

rosa041

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