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• segunda-feira, dezembro 22nd, 2014

angelica

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• segunda-feira, dezembro 22nd, 2014

A hora era imprecisa
Madrugada. Talvez alvorada.
Quem sabe meio-dia.

Quadrada e imensa era a praça
de prédios, arejada
mas pesada e densa.

Logo à frente
na calçada pêndula da praia
a fonte dos anjos caídos.

Magros, louros, jovens
como escandinavos
esculpidos

nus, a pele sépiadourada
cabelos e corpos molhados,
asas e olhares enlameados

vários, sentados nas muradas
de concreto armado
apinhados na abóboda

de acinzentada queda d’água,
olhavam com desdém
a andante solitária.

Passei sem descolar
os olhos da cena
daquela imagem

catedral desossada
miragem do paraíso
devastado.

Súbito, um deles desce
e me segue de perto
até a rua da praia

Era um mulato aquele
dono ouro-negro
de motocicleta roubada.

Hipnotizada, saltei na garupa
e com ele voei pelos ares.
O capacete só aura

aura encardida, mal-lavada,
mas aura,
sobre chãos e mares.

Voltamos.
Fui viver com eles na fonte
da Praça de Buenos Aires.

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• segunda-feira, dezembro 22nd, 2014

O poema da morte
é apenas um trovão
assustando a vida:
olhos se arregalando
estampidos nos ouvidos.
Melhor, talvez, chamar o medo
de expectativa
já que nessa estrada
não há outro desvio.

Dias contados.
Descontados os feriados
e dias profanos,
resta-me o dom de fabricar
o meu destino,
refazendo os planos
perdoando os erros
e os danos,
dando remo e rumo
às mãos
e ao pleno.

Contados os dias
em letras,
os números letais
se abrem
ao infinito.
Disfarço
a farsa, pondo fé
e desfaço, acho,
o carma da morte
no imposto da vida.

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• segunda-feira, dezembro 22nd, 2014

para Antônio
no casamento
da árvore com a terra
a minha crença na vida

na sua sobrevivência
sem cuidados humanos
a reverência
aos elementos

no seu crescimento para o alto
serenamente imponente
o ensinamento vivo
de u`a meta
e um comportamento

no trabalho das raízes
e no vôo das folhas
a compreensão
de que aos pés deu-se o chão
a mente o infinito

no gosto do fruto
presença de água e mel
drink ligeiro dos pássaros
cheiro de infância
na minha saudade

Olhar léguas e mais léguas verdes
cercanias de matas, vento
cantando baixinho
no ouvido, na fazenda
da miaha infância

Tanto verde em redor do Morro Alto
lado a lado no topo
dois bambuzais solitários
irmãos companheiros

No céu rastos vermelhos
restos de sol
No ar o cheiro do mato
a transparência da noite invadindo

No centro do reino verde
o cavalo e eu
a descer a calmaria
da velha natureza
lentamente

O som do trotar de Cacique
nas pedras friinhas
u`a melodia pura
os meus desejos ocultos
os sonhos puros de criança
riquezas simples da infância

Sensação de cria da terra
de filha do vento
Impressão de ser folha
de ser mato
Certeza de ter brotado
de solo fértil
feito flor

Ah, os campos, os pastos
os córregos de água fresquinha
o curral, a casa grande, o quintal
a goiabeira perto da bica
o milharal e as jaboticabeiras
o prazer de beber com as mãos em concha
a água pura da cacimba

No parque das altas mangueiras
perto do córrego sombrio
a morada sagrada
das fadas, gnomos, duendes, sacis
o meu recanto predileto
repleto de mistério amigo
onde os sonhos conversavam comigo

E eu a comer cajamanga
verde, azedo, com sal, contemplando
a beleza rústica do engenho
cana, garapa, rapadura

A casa do vaqueiro
escondia em mim eu mesma:
ela era o cenário imaginário
de minhas estórias
de príncipes e princesas

No jardim da casa-grande
as rosas e os cravos
por meu pai cultivados
com tanto amor
Na escadaria dos fundos
a vista do Morro Alto
com os bambuzais irmãos
e o requeijão quente
da Lucinda, tentando a gente

Da varanda, a beleza vermeLha dos
enormes flamboaiãs, o curral do gado tratado
o leite gostoso, na hora tirado
Na janela do meu quarto
tinha sempre visita de um colibri
Não muito longe, no riacho
o ensaio dos sapos para a noturna sinfonia

Ah, fazenda querida
bordei você na lembrança
como foram no céu as estrelas bordadas
nas suas noites de verão

Guardei você, eom cuidado,
no pór do sol de Goiás
pra que todo dia sua presença reviva
e eu a enterre imortal
dentro de mim

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• segunda-feira, dezembro 22nd, 2014

saboia

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• segunda-feira, dezembro 22nd, 2014

Esse fogo que arde em teu corpo
e me chama para acalmar..
é fogo doce que meus lábios
podem facilmente aplacar..

posso amansar o teu desejo.
trazendo a paz a teu corpo
com a arma santa
de um beijo…

Só não sei o que será de mim depois…
quando teu corpo voltar a calmaria
e eu ficar na agonia

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• segunda-feira, dezembro 22nd, 2014

Cansei de regras..
Simpatias…
E jogos de sedução….
Vamos celebrar o amor..
Confuso…doente…carente…
No nosso coração…
Vamos sentir o que vale a pena…
Nesta vida tão difícil de se sonhar..
Vamos reinventar estrelas, poemas..canções..
Pra’ se apaixonar..

Vamos deixar as fórmulas…
O sexo intenso e vazio..
encarar e brindar o simples olhar..
Vamos abrir nossas dores…
Falar dos temores…
Dar-nos as mãos calejadas…
Acariciar as cicatrizes das almas
Nos encontrar…

Vamos entender os viajantes..
Suas mágoas e lembranças..
Suas dúvidas e andanças..
E insistir em sonhar!

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• segunda-feira, dezembro 22nd, 2014

Onde estão teus olhos?
Que eu não vejo mais…
Onde estão teus carinhos?
Onde estão?
Onde estão teus abraços….
Loucos devassos, na noite que vai…?
Onde estão aqueles momentos,
Doces tormentos de paz?
Onde estão teus beijos?
Que desvendam segredos…
Profanam lugares, carícias suaves…
Onde estão?
Pudera sentir teu corpo…
Matar o sufoco, te procurar…
Quisera ser um pássaro…
Voar alto, cruzar mares, nuvens…luas…
Pousar leve, pura e nua…
No teu olhar!!!!

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• segunda-feira, dezembro 22nd, 2014

raquel

Category: Poetisas, Raquel Pellizzetti  | Tags:  | Comments off
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• segunda-feira, dezembro 22nd, 2014

Os dez anjos da minha Help
me lançam sorriso torto,
meio assim, de amor sem gosto,
desgosto no rosto exposto.

Os dez anjos da minha Help
me espiam com olho turvo,
meio assim, de grito mudo,
miúdo olhar (ponti)agudo.

Os dez anjos da minha Help
me alçam mãos (vaga)rosas,
meio assim, talvez medrosas
de eu sabê-las dolorosas.

Os dez anjos da minha Help
me miram todos os dias,
meio assim, também vadia,
na noite fria e vazia.

Os dez anjos da minha Help
me (de)têm por bem amada,
que, meio assim, desgastadas,
estão semi-mortas… mais nada.

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