{"id":451,"date":"2014-12-24T00:57:47","date_gmt":"2014-12-24T02:57:47","guid":{"rendered":"http:\/\/cabana-on.com\/Poemas\/?p=451"},"modified":"2023-07-22T07:18:30","modified_gmt":"2023-07-22T10:18:30","slug":"marina-colasanti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cabana-on.com\/Poemas\/?p=451","title":{"rendered":"Marina Colasanti"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/cabana-on.com\/Poemas\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/rosa041.gif\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1055\" src=\"http:\/\/cabana-on.com\/Poemas\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/rosa041.gif\" alt=\"rosa041\" width=\"350\" height=\"350\" \/><\/a><\/p>\n<article id=\"post-449\" class=\"post-449 post type-post status-publish format-standard hentry category-home category-marina category-consagrados tag-marina-colasanti\">\n<header class=\"entry-header\">\n<h1 class=\"entry-title\"><a href=\"https:\/\/cabana-on.com\/Poemas\/?p=449\" rel=\"bookmark\">CAN\u00c7\u00c3O PARA UM HOMEM<\/a><\/h1>\n<div class=\"entry-meta\"><span class=\"sep\">Publicado em\u00a0<\/span><a title=\"00:56\" href=\"https:\/\/cabana-on.com\/Poemas\/?p=449\" rel=\"bookmark\"><time class=\"entry-date\" datetime=\"2014-12-24T00:56:42-02:00\">24\/12\/2014<\/time><\/a><\/div>\n<\/header>\n<div class=\"entry-content\">\n<p>Porque era um homem sincero<br \/>\neu o levei ao rio entre junquilhos.<br \/>\nMas sincero n\u00e3o era<br \/>\nera s\u00f3 homem<br \/>\ne deixei nos junquilhos a esperan\u00e7a<br \/>\nde dar \u00e0 minha espera serventia.<\/p>\n<p>Porque era um homem forte<br \/>\neu o levei ao rio entre junquilhos.<br \/>\nMas forte ele n\u00e3o era<br \/>\nera s\u00f3 homem<br \/>\ne entre pedras deixei o meu desejo<br \/>\nde abandonar o arado, a forja, e a lan\u00e7a.<\/p>\n<p>Porque podia me amar<br \/>\neu o levei ao rio entre junquilhos.<br \/>\nMas amante n\u00e3o era<br \/>\nera s\u00f3 homem<br \/>\ne na \u00e1gua afoguei a minha sede<br \/>\nde palavras mais doces que ambrosia.<\/p>\n<p>Porque era um homem<br \/>\ns\u00f3 homem<br \/>\neu o levei ao rio entre junquilhos.<\/p>\n<\/div>\n<\/article>\n<article id=\"post-446\" class=\"post-446 post type-post status-publish format-standard hentry category-home category-marina category-consagrados tag-marina-colasanti\">\n<header class=\"entry-header\">\n<h1 class=\"entry-title\"><a href=\"https:\/\/cabana-on.com\/Poemas\/?p=446\" rel=\"bookmark\">CORPO ADENTRO<\/a><\/h1>\n<div class=\"entry-meta\"><span class=\"sep\">Publicado em\u00a0<\/span><a title=\"00:51\" href=\"https:\/\/cabana-on.com\/Poemas\/?p=446\" rel=\"bookmark\"><time class=\"entry-date\" datetime=\"2014-12-24T00:51:24-02:00\">24\/12\/2014<\/time><\/a><\/div>\n<\/header>\n<div class=\"entry-content\">\n<p>Teu corpo \u00e9 canoa<br \/>\nem que des\u00e7o<br \/>\nvida abaixo<br \/>\nmorte acima<br \/>\nprocurando o naufr\u00e1gio<br \/>\nme entregando \u00e0 deriva.<\/p>\n<p>Teu corpo \u00e9 casulo<br \/>\nde infinitas sedas<br \/>\nonde fio<br \/>\nme afio e enfio<br \/>\ninvasor recebido<br \/>\ncom licores.<\/p>\n<p>Teu corpo \u00e9 pele exata para o meu<br \/>\npena de gar\u00e7a<br \/>\nbrilho de rom\u00e3<br \/>\naurora boreal<br \/>\ndo longo inverno.<\/p>\n<\/div>\n<\/article>\n<article id=\"post-444\" class=\"post-444 post type-post status-publish format-standard hentry category-home category-marina category-consagrados tag-marina-colasanti\">\n<header class=\"entry-header\">\n<h1 class=\"entry-title\"><a href=\"https:\/\/cabana-on.com\/Poemas\/?p=444\" rel=\"bookmark\">EU SEI, MAS N\u00c3O DEVIA<\/a><\/h1>\n<div class=\"entry-meta\"><span class=\"sep\">Publicado em\u00a0<\/span><a title=\"00:48\" href=\"https:\/\/cabana-on.com\/Poemas\/?p=444\" rel=\"bookmark\"><time class=\"entry-date\" datetime=\"2014-12-24T00:48:34-02:00\">24\/12\/2014<\/time><\/a><\/div>\n<\/header>\n<div class=\"entry-content\">\n<p>Eu sei que a gente se acostuma. Mas n\u00e3o devia.<br \/>\nA gente se acostuma a morar em apartamento de fundos<br \/>\ne a n\u00e3o ter outra vista que n\u00e3o seja as janelas ao redor.<\/p>\n<p>E porque n\u00e3o tem vista, logo se acostuma a n\u00e3o olhar para fora.<br \/>\nE porque n\u00e3o olha para fora logo se acostuma a n\u00e3o abrir de todo as cortinas.<br \/>\nE porque n\u00e3o abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.<br \/>\nE a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplid\u00e3o.<\/p>\n<p>A gente se acostuma a acordar de manh\u00e3 sobressaltado porque est\u00e1 na hora.<br \/>\nA tomar caf\u00e9 correndo porque est\u00e1 atrasado.<br \/>\nA ler jornal no \u00f4nibus porque n\u00e3o pode perder tempo da viagem.<br \/>\nA comer sandu\u00edche porque n\u00e3o d\u00e1 pra almo\u00e7ar.<br \/>\nA sair do trabalho porque j\u00e1 \u00e9 noite.<br \/>\nA cochilar no \u00f4nibus porque est\u00e1 cansado.<br \/>\nA deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.<\/p>\n<p>A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.<br \/>\nE aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja n\u00famero para os mortos.<br \/>\nE aceitando os n\u00fameros aceita n\u00e3o acreditar nas negocia\u00e7\u00f5es de paz,<br \/>\naceita ler todo dia da guerra, dos n\u00fameros, da longa dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje n\u00e3o posso ir.<br \/>\nA sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.<br \/>\nA ser ignorado quando precisava tanto ser visto.<br \/>\nA gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.<br \/>\nA lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.<\/p>\n<p>E a ganhar menos do que precisa.<br \/>\nE a fazer filas para pagar.<br \/>\nE a pagar mais do que as coisas valem.<br \/>\nE a saber que cada vez pagar\u00e1 mais.<br \/>\nE a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.<\/p>\n<p>A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.<br \/>\nA abrir as revistas e a ver an\u00fancios.<br \/>\nA ligar a televis\u00e3o e a ver comerciais.<br \/>\nA ir ao cinema e engolir publicidade.<br \/>\nA ser instigado, conduzido, desnorteado, lan\u00e7ado na infind\u00e1vel catarata dos produtos.<br \/>\nA gente se acostuma \u00e0 polui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.<br \/>\nA luz artificial de ligeiro tremor.<br \/>\nAo choque que os olhos levam na luz natural.<br \/>\n\u00c0s bact\u00e9rias da \u00e1gua pot\u00e1vel.<br \/>\nA contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do mar.<br \/>\nA lenta morte dos rios.<\/p>\n<p>Se acostuma a n\u00e3o ouvir o passarinho, a n\u00e3o ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos c\u00e3es,<br \/>\na n\u00e3o colher fruta no p\u00e9, a n\u00e3o ter sequer uma planta.<br \/>\nA gente se acostuma a coisas demais para n\u00e3o sofrer.<\/p>\n<p>Em doses pequenas, tentando n\u00e3o perceber, vai se afastando uma dor aqui,<br \/>\num ressentimento ali, uma revolta acol\u00e1.<br \/>\nSe o cinema est\u00e1 cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pesco\u00e7o.<br \/>\nSe a praia est\u00e1 contaminada a gente s\u00f3 molha os p\u00e9s e sua no resto do corpo.<\/p>\n<p>Se o trabalho est\u00e1 duro, a gente se consola pensando no fim de semana.<br \/>\nE se no fim de semana n\u00e3o h\u00e1 muito o que fazer a gente vai dormir cedo<br \/>\ne ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.<\/p>\n<p>A gente se acostuma para n\u00e3o se ralar na aspereza, para preservar a pele.<br \/>\nSe acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se<br \/>\nda faca e da baioneta, para poupar o peito.<br \/>\nA gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,<br \/>\nde tanto acostumar, se perde de si mesma.<\/p>\n<\/div>\n<\/article>\n<article id=\"post-442\" class=\"post-442 post type-post status-publish format-standard hentry category-home category-marina category-consagrados tag-marina-colasanti\">\n<header class=\"entry-header\">\n<h1 class=\"entry-title\"><a href=\"https:\/\/cabana-on.com\/Poemas\/?p=442\" rel=\"bookmark\">PORTA DO ARM\u00c1RIO ABERTA<\/a><\/h1>\n<div class=\"entry-meta\"><span class=\"sep\">Publicado em\u00a0<\/span><a title=\"00:45\" href=\"https:\/\/cabana-on.com\/Poemas\/?p=442\" rel=\"bookmark\"><time class=\"entry-date\" datetime=\"2014-12-24T00:45:04-02:00\">24\/12\/2014<\/time><\/a><\/div>\n<\/header>\n<div class=\"entry-content\">\n<p>Abro a porta do arm\u00e1rio<br \/>\ncomo abro um di\u00e1rio,<br \/>\na minha vida ali<br \/>\ndependurada<br \/>\nmeu frusto cotidiano<br \/>\nsem segredos<br \/>\nintimidade exposta<br \/>\nque os bot\u00f5es n\u00e3o defendem<br \/>\nnem se veda nos bolsos,<br \/>\nespelho mais real que todo espelho<br \/>\nentregando \u00e0 devassa<br \/>\nas medidas do corpo.<\/p>\n<p>Arm\u00e1rio<br \/>\ntabern\u00e1culo do quarto<br \/>\nque abro de manh\u00e3<br \/>\ncomo \u00e0 janela<br \/>\npara sagrar o ritual do dia.<br \/>\nSala de Barba Azul<br \/>\ncoalhada de pingentes<br \/>\nlongas saias e v\u00e9us<br \/>\nemaranhados sem que sangue goteje.<br \/>\nCorpos decapitados<br \/>\nausentes minhas m\u00e3os<br \/>\ndos murchos bra\u00e7os.<\/p>\n<p>Do arm\u00e1rio minhas roupas<br \/>\nme perseguem<br \/>\ncomo ba\u00fa de heran\u00e7a ou<br \/>\nmaldi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPeles minhas pendentes<br \/>\nem repouso<br \/>\nsilenciosas guardi\u00e3s<br \/>\ndos meus perfumes<br \/>\ntessituras de mim<br \/>\nmais delicadas<br \/>\nque a luz desbota<br \/>\nque o tempo gasta<br \/>\nque a tra\u00e7a r\u00f3i<br \/>\nainda assim durar\u00e3o nos seus cabides<br \/>\nmuito mais do que eu sobre meus ossos.<\/p>\n<p>Nenhuma levarei.<br \/>\nIrei despida<br \/>\ndeixando atr\u00e1s de mim<br \/>\na porta aberta.<\/p>\n<\/div>\n<\/article>\n<article id=\"post-440\" class=\"post-440 post type-post status-publish format-standard hentry category-home category-marina category-consagrados tag-marina-colasanti\">\n<header class=\"entry-header\">\n<h1 class=\"entry-title\"><a href=\"https:\/\/cabana-on.com\/Poemas\/?p=440\" rel=\"bookmark\">SEXTA-FEIRA \u00c0 NOITE<\/a><\/h1>\n<div class=\"entry-meta\"><span class=\"sep\">Publicado em\u00a0<\/span><a title=\"00:41\" href=\"https:\/\/cabana-on.com\/Poemas\/?p=440\" rel=\"bookmark\"><time class=\"entry-date\" datetime=\"2014-12-24T00:41:31-02:00\">24\/12\/2014<\/time><\/a><\/div>\n<\/header>\n<div class=\"entry-content\">\n<p>Sexta-feira \u00e0 noite<br \/>\nos homens acariciam o clit\u00f3ris das esposas<br \/>\ncom dedos molhados de saliva.<br \/>\nO mesmo gesto com que todos os dias<br \/>\ncontam dinheiro pap\u00e9is documentos<br \/>\ne folheiam nas revistas<br \/>\na vida dos seus \u00eddolos.<\/p>\n<p>Sexta-feira \u00e0 noite<br \/>\nos homens penetram suas esposas<br \/>\ncom t\u00e9dio e p\u00eanis.<br \/>\nO mesmo t\u00e9dio com que todos os dias<br \/>\nenfiam o carro na garagem<br \/>\no dedo no nariz<br \/>\ne metem a m\u00e3o no bolso<br \/>\npara co\u00e7ar o saco.<\/p>\n<p>Sexta-feira \u00e0 noite<br \/>\nos homens ressonam de borco<br \/>\nenquanto as mulheres no escuro<br \/>\nencaram seu destino<br \/>\ne sonham com o pr\u00edncipe encantado.<\/p>\n<\/div>\n<\/article>\n<article id=\"post-436\" class=\"post-436 post type-post status-publish format-standard hentry category-home category-marina category-consagrados tag-marina-colasanti\">\n<header class=\"entry-header\">\n<h1 class=\"entry-title\"><a href=\"https:\/\/cabana-on.com\/Poemas\/?p=436\" rel=\"bookmark\">TUA M\u00c3O EM MIM<\/a><\/h1>\n<div class=\"entry-meta\"><span class=\"sep\">Publicado em\u00a0<\/span><a title=\"00:37\" href=\"https:\/\/cabana-on.com\/Poemas\/?p=436\" rel=\"bookmark\"><time class=\"entry-date\" datetime=\"2014-12-24T00:37:49-02:00\">24\/12\/2014<\/time><\/a><\/div>\n<\/header>\n<div class=\"entry-content\">\n<p>Voc\u00ea me acorda no meio da noite<br \/>\ne eu que navegava t\u00e3o distante<br \/>\ncravada a proa em espumas<br \/>\ndesfraldados os sonhos<br \/>\nafloro de repente entre as paradas ondas dos len\u00e7\u00f3is<br \/>\na boca ainda salgada mas j\u00e1 amarga<br \/>\nmolhada a crina<br \/>\nencharcados os p\u00ealos<br \/>\nna maresia que do meu corpo escorre.<br \/>\nCravam-se ao fundo os dedos do desejo.<br \/>\nA correnteza arrasta.<br \/>\nS\u00f3 quando o primeiro sopro escapar<br \/>\nentre os l\u00e1bios da manh\u00e3<br \/>\nlevantarei \u00e2ncora.<br \/>\nMas ser\u00e1 tarde demais.<br \/>\nO sol nascente ter\u00e1 trancado o porto<br \/>\ne estarei prisioneira da vig\u00edlia.<\/p>\n<\/div>\n<\/article>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CAN\u00c7\u00c3O PARA UM HOMEM Publicado em\u00a024\/12\/2014 Porque era um homem sincero eu o levei ao rio entre junquilhos. 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