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Categoria: Crônicas de Fernanda Torres

Aluga-se

Aluga-se

Raul Seixas previu, a solução é alugar o Brasil. João Doria bem que podia ter se valido dos versos de “Aluga-se”, do roqueiro, para embalar o vídeo que encomendou para ser exibido nos Emirados Árabes, a fim de atrair investidores interessados nas privatizações que ocorrerão, numa escala nunca antes vista, no largest financial center in the Southern Hemisphere. Interlagos, Pacaembu, Anhembi, Ibirapuera, o Mercado Central, a malha de transporte e até os cemitérios estão lá, for sale. Um mar de…

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Pólvora

Pólvora

Alienei-me, confesso. Na semana em que saiu a lista do Janot, seguida da nojeira da Carne Fraca, catei o filho pequeno e fui assistir “A Grande Muralha”, de Zhang Yimou. A verdadeira muralha, construída para dar ocupação à mão de obra ociosa e trabalho forçado aos fora da lei, não protegeu a China dos mongóis, mas sobreviveu como símbolo da superpotência oriental. A da película serve de argumento para uma trama esdrúxula. Yimou já foi melhor… Europeu mercenário arrependido, amigo…

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Tchau, querido

Tchau, querido

Houve golpe no Brasil. E mais de um. Houve golpe na eleição de 2014, que retesou tarifas para fingir controle na economia. Houve golpe naquela campanha vergonhosa, com o feijão sumindo do prato. Houve golpe nas pedaladas e no uso deslavado do caixa dois. Houve golpe em Pasadena, Abreu e Lima e nos favorecimentos do BNDES. Houve golpe na Petrobras e em Furnas. Foi tudo golpe, além, da traição do PMDB. Os que defendiam a permanência de Dilma Rousseff afirmavam…

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Mortalha

Mortalha

Moro em frente à lagoa Rodrigo de Freitas, no caminho do túnel Rebouças, principal via de ligação entre a zona sul, o centro e a zona norte do Rio de Janeiro. Aprendi, com a vida, a lidar com o eterno engarrafamento das cercanias do meu prédio. Tracei estratégias para suportá-lo com resignação, e na época em que ainda existia a Árvore-de-natal da Lagoa, cheguei a abandonar o volante e ir a pé, devido à quantidade de curiosos em torno do…

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Egito

Egito

Sentada num nicho de pedra, o guia passou minhas mãos por dois buracos na parede e explicou que os incas costumavam torturar prisioneiros ali, decepando seus membros aos poucos e jogando-os na cova sob meus pés. Eu tinha sete anos. Não à toa, essa é a lembrança mais viva que tenho da visita que fiz a Machu Picchu, em 1972. Essa e a das “cholas”, que mendigavam moedas na parada do trem, numa miséria desesperada, chocante até para uma menina…

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