jan 23 2017

‘Muitos empresários poderiam fazer o mesmo’, diz dono de fábrica que emprega mais de 70 detentos

De segunda a sexta, um ônibus leva logo cedo 30 homens até uma fábrica em Araucária, no Paraná. Ali, vestem o uniforme e começam sua jornada de oito horas de trabalho ao lado de centenas de outros funcionários.

A única diferença entre esses é que, após a jornada, o ônibus volta para a Colônia Penal Agroindustrial e o grupo passa a noite em uma cela.

Um deles é Thiago Pires da Paz, de 25 anos – condenado a 13 anos e 2 meses de prisão após cometer um assalto à mão armada numa residência. “Na cadeia, você não usa o tempo para nada que preste. No trabalho, eu aprendo uma profissão, vejo a hora passar muito rápido e ainda faço novas amizades todos os dias”, afirmou Paz em entrevista à BBC Brasil.

O jovem conseguiu o benefício de poder trabalhar enquanto cumpre pena por ter um bom comportamento na prisão e conseguir o benefício de ir para o regime semiaberto – os únicos que podem sair da prisão para trabalhar.

Assim como ele, mais de 70 presos trabalham em dois turnos na empresa de alimentação Risotolândia. Eles produzem marmitas para escolas, hospitais e até presídios, como a Colônia Agroindustrial onde eles estão presos e a Papuda – onde cumprem pena condenados da Operação Lava Jato.

O presidente da empresa, Carlos Humberto de Souza, diz que também há 29 ex-detentos no quadro de funcionários efetivos da empresa. Entre estes, há condenados por crimes graves, como homicídio, latrocínio, roubo e agressão contra mulheres.

A analista de recursos humanos da empresa, Jheniffer Braga, de 27 anos, trabalha há dois anos no local e diz que tem uma ótima relação com todos os funcionários.

“Os detentos usam o mesmo uniforme dos outros funcionários. A gente se vê nos corredores, quando eles vão para o ônibus e nunca tive problemas. A gente se cumprimenta e eles são muito educados”, disse Braga.

O presidente relata que todos são disciplinados e nunca causaram problemas no ambiente de trabalho. Ele ainda incentiva mais empresários a também contratarem presos.

“Todas as pessoas têm direito a se recuperar e ter uma segunda chance na vida. Se a gente não der essa oportunidade, cada dia veremos mais isso (rebeliões) acontecer. Além disso, é uma grande vantagem para a empresa porque a mão de obra é muito barata. Muitos empresários poderiam fazer o mesmo”, afirmou.

Souza acredita que o governo perde uma oportunidade ao não promover e incentivar essa medida.

“Isso poderia ser mais divulgado para levar essa condição de recuperação social a mais pessoas. Sempre existem espaços sobrando ao lado dos presídios. Você pode criar barracões, como algumas empresas já fazem, em busca de mão de obra. Precisamos dar oportunidades para que eles (presos) não voltem para o crime. Precisamos levá-los para o bom caminho se quisermos ganhar esse jogo”, afirma.

Salário e redução da pena

O detento Thiago da Paz, que trabalha como higienizador de equipamentos na Risotolândia, lista uma série de vantagens que recebe por trabalhar enquanto cumpre sua pena. Entre elas, estão aprender uma nova profissão, se afastar de assuntos sobre crime e reduzir parte da pena. Isso porque a cada três dias trabalhados, o detento reduz um dia de seu encarceramento.

Ele trabalhava como pintor industrial em uma metalúrgica quando foi preso em 2011. O rapaz disse ter cometido o crime incentivado, segundo ele, por “más companhias” e pela vontade de ganhar “um dinheiro fácil”.

Além dos benefícios, a empresa paga um salário mínimo pelo trabalho de cada um dos detentos. Mas 40% desse valor é depositado em um fundo penitenciário e só pode ser sacado após o cumprimento da pena. Outros 40% são pagos aos detentos ainda presos e os 20% restantes vão para o governo.

Uma das vantagens para a empresa é que nenhum dos detentos são registrados pela CLT. Desta forma, a empresa não cria nenhum vínculo empregatício com eles.

Para especialistas, esse tipo de trabalho é uma das mais importantes ferramentas para a ressocialização do preso. Isso porque a atividade o leva a ter um acesso frequente com outras pessoas que estão fora do sistema prisional.

Mas essa rotina é uma realidade para poucos detentos. Segundo o último relatório do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), apenas um a cada seis presos trabalham nas penitenciárias brasileiras.

Sonho

Paz afirmou à BBC Brasil que é réu primário e que seu maior desejo é sair da prisão o quanto antes para reconstruir sua vida. Mas ele tem medo de ficar desempregado.

“Se é difícil alguém arrumar normalmente um emprego na rua, imagine um ex-presidiário. Meu sonho é sair daqui e dar alegria para a minha família. Construir uma família com respeito e ensinar que o caminho mais curto não vale a pena”, disse.

Ele conta que sua maior dificuldade será se adaptar às novas tecnologias e relata que “parou no tempo” durante o período que está na prisão. Ele pretende fazer um curso para se atualizar e aproveita para demonstrar seu desejo de continuar na mesma empresa.

“Tenho a intenção de trabalhar aqui no setor de manutenção, na área de pintura ou solda. Quero retribuir o que fizeram por mim e provar que estou recuperado. Só quero ter uma vida normal”.

Fonte:BBC Brasil

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jan 23 2017

Por que a primeira batalha de Trump como presidente é contra a imprensa

O primeiro fim de semana de Donald Trump como presidente dos EUA começou com um confronto aberto com a mídia americana.

Funcionários do governo se envolveram em uma guerra de palavras e números desde o sábado, quando o próprio Trump condenou a cobertura que a imprensa fez de sua posse.

E a disputa foi pelo número de participantes da cerimônia, a partir da publicação de duas fotos que comparavam a presença do público na sexta-feira e na primeira posse de Barack Obama, em 2009 – as imagens mostram que a solenidade do antecessor atraiu mais pessoas para as ruas de Washington do que a do republicano.

Após forte mensagem de Trump contra a cobertura da mídia, o Chefe de Gabinete da Casa Branca (um dos postos mais importantes do governo), Reince Priebus, disse: “Frente a essa obsessão de deslegitimar este presidente, não vamos nos sentar e deixar passar”.

“Este governo vai lutar com unhas e dentes, todos os dias, contra esta tentativa de deslegitimar as eleições”, disse Priebus à rede americana Fox no domingo.

Então veio a troca de opiniões sobre números precisos de público, já que não se divulga um número oficial depois da cerimônia de posse.

Durante uma visita à Agência Central de Inteligência (CIA) Trump disse que “parecia um milhão e meio de pessoas” a multidão que foi ao National Mall, mas não deu nenhuma evidência que apoiasse sua afirmação.

Na ocasião, ele classificou os jornalistas como algumas das “pessoas mais desonestas do planeta” por publicarem que a quantidade de participantes tinha sido muito menor.

Por sua vez, o secretário de imprensa da Casa Branca, Sean Spicer, afirmou que cerca de 720 mil pessoas se reuniram na posse de Trump, mas acrescentou que “ninguém” tem os dados exatos de presença do público.

Os meios de comunicação reagiram.

O jornal The New York Times disse que as reivindicações da Casa Branca foram baseadas em “informações falsas”, e que elas eram “uma exibição chamativa de inventividade e de agravos no início de uma Presidência”.

Algumas redes americanas, como a CNN e ABC, consultaram os registros históricos para refutar uma por uma as falas de Spicer.

‘Fatos alternativos’

Mas talvez a frase mais controversa no meio do debate entre a mídia e Trump foi dita pela conselheira de governo Kellyanne Conway durante um programa da NBC no domingo.

Quando o apresentador do programa Meet the Press ( Encontro com a Imprensa, em tradução livre), Chuck Todd, disse a Conway que a apresentação de Spicer estava “cheia de mentiras”, ela respondeu:

“Se vamos nos referir nesses termos ao nosso secretário de Imprensa, acredito que vamos ter que repensar nossa posição neste programa.”

Mas o apresentador insistiu em questionar Spicer sobre os dados de público na posse:

“O que ele fez foi apresentar fatos alternativos. Não há nenhuma maneira de contar as pessoas dentro de uma multidão com exatidão”, disse ela.

A noção de “fatos alternativos” delineados por Conway foi duramente questionada.

“Fatos alternativos não são fatos. São mentiras”, Todd respondeu.

A assessora citou outro fato que gerou atritos com os meios de comunicação – quando um repórter da revista Time publicou incorretamente que o busto do líder dos direitos civis Martin Luther King tinha sido removido do Salão Oval, onde fica o escritório do presidente dos Estados Unidos.

O repórter pediu desculpas pelo erro.

Vários meios de comunicação nos Estados Unidos rejeitaram o confronto verbal com a Casa Branca.

O jornal Washington Post disse que as “falsidades mostradas pela Casa Branca evidenciam que a forma tradicional de cobertura de notícias sobre o presidente morreu”.

O Post acrescentou que, a partir de agora, a mídia deve colocar menos atenção nas declarações oficiais e, em vez disso, se concentrar em pesquisa de profundidade sobre a administração Trump.

A revista Atlantic também expressou preocupação sobre o incidente e disse em um editorial: “Se você está disposto a mentir sobre algo tão minúsculo, por que alguém deveria acreditar no que você diz sobre algo grande e importante?”.

Outro importante meio, Politico, chamou a atenção para as graves consequências de a equipe Trump continuar “tendo uma relação instável e difícil com a verdade” e, citando o senador Adam Schiff, observou que esse comportamento “poderia colocar muitas vidas em risco” .

“Essa linguagem combativa também poderia se estender para questões importantes do governo e da segurança nacional… o que preocupa a muitos”, disse o veículo.

Outros dados

A batalha de números não reduziu a quantidade de participantes no National Mall na sexta-feira, 20 de janeiro.

No domingo, Trump escreveu em uma de suas contas de Twitter (@realDonaldTrump) que a audiência de televisão da cerimônia de posse foi de 31 milhões de pessoas, quase 11 milhões a mais dos que viram o segundo juramento de Obama, em 2013.

No entanto, esses dados – que foram entregues pela empresa Nielsen – são menores do que os 38 milhões de pessoas ligadas à TV para assistir a posse de Obama em 2009 e ainda menos do que os 42 milhões que assistiram a posse de Ronald Reagan em 1981.

Os números semeiam mais dúvidas sobre a frase do Secretário de Imprensa da Casa Branca, que falou na “posse com a maior audiência na história”.

Mas, além da batalha com a mídia, Trump também se referiu às passeatas pelos direitos das mulheres e contra seu governo que foram realizadas em mais de 600 localidades de todo o país um dia depois de sua posse.

“Assisti aos protestos ontem e estava com a impressão de que acabamos de ter uma eleição! Por que todas essas pessoas não votaram?”, tuitou.

Mais tarde, porém, escreveu: “Protestos pacíficos são uma marca da qualidade da nossa democracia.”

Anúncios já feitos

– Kellyanne Conway disse à CBS que as 20 milhões de pessoas que dependem da cobertura médica conhecida como “Obamacare” não vão ser deixadas sem atenção durante a transição para um novo plano.

– Ela acrescentou que Trump não vai entregar sua declaração de impostos.

– Trump orientou o Departamento de Saúde e Serviços Humanos “a renunciar, atrasar, garantir isenções ou atrasar” quaisquer ações do “Obamacare” que pesem financeiramente no bolso dos Estados, indivíduos ou operadoras de saúde.

– O governo restabeleceu uma regra implementada pela primeira vez no governo do também republicano Ronald Reagan, em 1984, proibindo ONGs estrangeiras que recebem dinheiro americano de promover aconselhamento sobre aborto ou defender o acesso à prática em seus países.

– A Casa Branca ordenou que as agências federais congelassem quaisquer planos de contratações de funcionários.

– Trump decretou oficialmente a retirada dos EUA da TPP – Parceria Transpacífico, na sigla em inglês -, uma de suas promessas de campanha.

– O chefe de gabinete, Reince Priebis, disse que a primeira semana do governo incidirá sobre comércio, imigração e segurança nacional.

– O chefe de imprensa de Trump, Sean Spicer, disse que o republicano vai se reunir com Enrique Peña Nieto, presidente do México, no dia 31 de janeiro e com a premiê britânica, Theresa May, na próxima quinta-feira.

Fonte:BBC Brasil

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jan 23 2017

Mulheres e homens devem se aposentar com a mesma idade? SIM

ÉPOCA – Por que o senhor é a favor de igualar a aposentadoria de homens e mulheres?
Marcelo Caetano –
Isso é uma tendência internacional. Quando você começa a observar reformas que outros países fizeram, claro que ainda existem países que mantêm diferença de idade para homens e mulheres, mas há uma tendência de igualar.

ÉPOCA – Países que igualaram as idades de aposentadoria adotaram mecanismos para compensar a sobrecarga doméstica de trabalho das mulheres, permitindo que elas se aposentem antes  se tiverem um filho, por exemplo. O senhor pretende incluir dispositivos assim na Previdência brasileira?
Caetano –
A gente não fez isso. Nossa proposta é simplesmente igualar. Esse tipo de comportamento levaria a abrir concessões para outras coisas que nem existem hoje.

ÉPOCA – Os países que igualaram a aposentadoria de homens e mulheres não tinham índices mais equilibrados de salário e desemprego entre homens e mulheres do que os do Brasil?
Caetano –
Ainda que exista diferença salarial, ela vem se reduzindo e já não é tão grande como foi lá atrás. Há outro fator curioso que a gente observa nas estatísticas: quanto mais jovem o grupo, menor é o diferencial entre homens e mulheres. Então há uma tendência de que esse diferencial decresça.

ÉPOCA – O senhor afirma que quanto mais jovem o grupo, menor é a disparidade salarial entre homens e mulheres. Isso significa que caminhamos para uma maior igualdade? Ou se deve ao fato de que a desigualdade sempre foi mais baixa entre os mais jovens?
Caetano –
Quando a gente compara idades mais jovens, o diferencial entre homens e mulheres é menor. A questão da tendência também é verdadeira, porque esse diferencial vem diminuindo com o passar do tempo. Em 1995, as mulheres de 14 a 23 anos recebiam 91% do salário dos homens. Em 2014, elas passaram a receber 99%. Mesmo nas faixas etárias superiores, essa diferença encolheu. Em 1995, no grupo de 54 anos ou mais, as mulheres recebiam 39% do salário dos homens. Em 2014, passaram a 64%. A disparidade vem diminuindo e já não é tão distante da média dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Claro, essa tendência de aproximação pode se estagnar em algum momento. A gente não sabe.

ÉPOCA – Em vez de confiar na continuação da tendência de redução de desigualdade, por que não amarrar a mudança de idade da aposentadoria a  parâmetros objetivos, como a redução na disparidade de salários e desemprego?
Caetano –
Aí vamos voltar ao ponto inicial: eu julgo que a Previdência não é a solução para disparidades no mercado de trabalho. Se fosse, a gente já teria resolvido. Temos pelo menos umas três décadas de regras de aposentadoria com idades diferentes para homens e mulheres. E os problemas do mercado de trabalho persistem.

ÉPOCA – Mas o papel de um sistema de Previdência Social não é atenuar as diferenças?
Caetano –
Se você enfocar por essa perspectiva, teremos de cuidar de várias outras diferenças. As heterogeneidades no mercado de trabalho não se limitam à questão de gênero. Há desigualdades de educação, de gênero e relacionadas a questões de discriminação… A lista é interminável. Você não vai conseguir resolver esses problemas por conta da Previdência. Você estaria usando um paliativo, em vez de atacar o problema na raiz. E criaria uma situação mais grave para a Previdência. De um ponto de vista estritamente matemático, as mulheres vivem mais que os homens. O próprio fato de igualar as idades de aposentadoria, sabendo que a longevidade feminina é maior, não deixa de ser um subsídio para elas.

ÉPOCA – A jornada das mulheres é muito maior no trabalho reprodutivo (cuidados não remunerados com a casa ou parentes) e um pouco menor no trabalho produtivo (remunerado). Somando as duas jornadas, as mulheres trabalham em média oito horas a mais por semana. Ao longo da vida produtiva, são sete anos a mais de trabalho. Essa diferença não paga o maior período de aposentadoria?
Caetano –
Há um problema de divisão de trabalho doméstico que não pode ser resolvido com a Previdência. Você pode criar tanta diferenciação que chegará ao ponto de que a Previdência não se sustentará mais. A Previdência tem um foco contributivo. A Constituição diz que ela deve se pautar pelo equilíbrio financeiro.

ÉPOCA – A redução das taxas de fertilidade está diminuindo o papel da mulher como mãe. Mas o aumento no percentual de idosos pode significar mais trabalho doméstico para as mulheres no futuro, já que cuidar de idosos é um trabalho que recai hoje sobretudo sobre as mulheres. Embora elas não ganhem dinheiro ou recolham impostos com isso, não existe um ganho à sociedade digno de remuneração?
Caetano –
Entendo que alguém possa estar fora do mercado de trabalho por cuidar de um idoso ou uma criança. Mas você não vai resolver isso dando uma aposentadoria precoce. Isso requer mudanças culturais para equalizar o papel dos gêneros. A redução da desigualdade ocorreu não porque as mulheres se aposentaram antes. Foi porque elas se educaram mais…

ÉPOCA – Conforme esses problemas de mercado de trabalho não são resolvidos, eles não acabam pesando sobre o próprio sistema de seguridade? Talvez não do lado da Previdência, mas do lado da Assistência Social?
Caetano –
Sim. Mas eles caem numa ponta do sistema em que você pode tentar resolver o problema pela raiz. A política a ser adotada deve tentar resolver o problema de forma definitiva.

ÉPOCA – Hoje, 45% das mulheres e 20% dos homens se aposentam com 15 anos de contribuição, sem atender às regras propostas no projeto de reforma da Previdência. Quantos conseguirão, com mais anos de trabalho, atender às novas normas?
Caetano –
Também houve essa discussão no aumento anterior do prazo mínimo de contribuição para 15 anos. Antes eram cinco ou dez anos, não me lembro. E as pessoas conseguiram continuar se aposentando. Para isso, estabelecemos critérios de transição.

ÉPOCA – O senhor não teme uma queda de arrecadação de mulheres que desistam de contribuir por achar que não conseguirão se aposentar?
Caetano –
Não acredito, sabe por quê? No mundo inteiro, a Previdência Social é compulsória. Basicamente é assim porque, se você deixar para as pessoas contribuírem quando quiserem,
acaba não tendo essa contribuição.

Fonte: Época

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jan 23 2017

Delator da Odebrecht aluga mansão para família de Claudia Leitte na Bahia

Principal delator da Odebrecht na Lava Jato até agora, o lobista Cláudio Melo não está curtindo o verão em sua mansão num condomínio luxuoso da Bahia – onde é vizinho do ex-ministro Geddel Vieira Lima – como fazia todo ano. Mas ele está faturando: alugou a casa para a família da cantora baiana Claudia Leitte. Ela disse, por meio de sua assessoria, não saber que o imóvel pertence a Melo, pois o contrato estava no nome da mulher do lobista. Por acaso o nome dela é Cláudia.

Fonte:Época

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jan 23 2017

Sem camisa, Neymar participa do primeiro clipe da cantora Karen K.

Neymar deu uma de ator ao participar do primeiro clipe da cantora Karen K. O clipe da música de trabalho da artista, “Me virando”, foi gravado em Barcelona, na Espanha, onde o craque atua. As gravações duraram dois dias e Neymar aparece com desenvoltura fazendo caras e bocas, inclusive em algumas cenas sem camisa.

 

 
Fonte:Época

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jan 08 2017

Menina que virou meme com apresentação no Raul Gil é aprovada no The Voice Kids

A cantora mirim Franciele Fernanda foi aprovada neste domingo, 8, na estreia do The Voice Kids. Ela foi a primeira cantora a se apresentar na segunda temporada da atração.

Bastou ela aparecer no palco para fãs perceberam: ela na verdade é bem conhecida das redes sociais. Em 2012, ela participou do Programa Raul Gil e virou meme ao fazer uma interpretação intensa da canção Abandonada.

Agora, mais crescida, ela se apresentou e escolheu a canção Maria, Maria, de Milton Nascimento. “Escolhi essa música em homenagem a minha mãe”, disse logo após o sucesso na disputa. Ela agora integra o time Ivete Sangalo na competição.

Em 2017, o programa repete os jurados que estrelaram a atração no último ano. O reality show, porém, trouxe uma novidade: a chegada de André Marques à apresentação, substituindo Tiago Leifert que foi escalado para o Big Brother Brasil.

Nas redes sociais, os fãs foram ao delírio com o retorno da cantora.

Fonte: Revista Caras

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jan 08 2017

O fóssil de 52 milhões de anos que pode dar pistas sobre a origem das batatas, dos pimentões e dos tomates

O fóssil de um fruto “incrivelmente incomum”, que existiu há 52 milhões de anos. Assim o cientista Peter Wilf descreveu a descoberta, feita na Patagônia argentina, do que parece ser um ancestral das batatas, dos pimentões e dos tomates.

A origem do achado é desconhecida: até agora só haviam sido encontradas algumas sementes.

Os cientistas, no entanto, acreditam que o fruto é mais antigo do que se pensava até agora.

O exemplar é do gênero botânico Physalis, pertencente à família botânica das Solanaceae, e foi encontrado em uma floresta fossilizada na Patagônia.

No Brasil, há 32 gêneros e 350 espécies de Solanaceae. A família é importante para a alimentação humana e inclui a berinjela, o pepino, a batata, o tomate, a pimenta, o tabaco e flores como a petúnia, entre outros.

Incomuns e delicados

Além de chefiar a equipe que descobriu o fóssil do fruto, Peter Wilf é professor de Geociências na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos.

“É o único fóssil de fruta encontrado que pertence a este grupo de plantas, agora com mais de duas mil espécies”, explicou à BBC.

Fisális secasImage copyrightPETER WILF/PENN STATE

Image captionFrutos secos de fisális moderna, que é encontrada na costa do estado americano da Flórida; fóssil argentino seria de uma planta semelhante, segundo os cientistas

“Muito da história evolutiva, especialmente das plantas, é em grande parte desconhecida porque é raro encontrá-las como fósseis”, afirmou.

“Agora temos a descoberta destes fósseis incrivelmente raros e delicados. É incomum que algo assim tenha sido fossilizado.”

Pistas da evolução

A fruta descoberta na Argentina é um parente muito próximo dos tomates mexicanos e das fisális.

A casca envolve um fruto pequeno, carnoso, de sementes múltiplas e comestíveis.

Acreditava-se que os tomates mexicanos e a fisális haviam evoluído mais recentemente, coincidindo com o período do surgimento da Cordilheira dos Andes.

Cinquenta milhões de anos atrás, a América do Sul estava mais próxima da Antártida e da Austrália do que está hoje, e a temperatura do planeta também era muito mais alta.

Os cientistas acreditam que vão descobrir mais fósseis de plantas na região.

“As descobertas na Patagônia provavelmente vão revolucionar algumas visões tradicionais sobre a origem e a evolução do reino vegetal”, disse Rubén Cuneo, pesquisador do Museu Palentológico Egidio Ferulgio, em Chubut, na Patagônia argentina.

Fonte: BBC Brasil

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jan 08 2017

Por que você deveria lavar as toalhas de banho com mais frequência do que imagina

Não há dúvida que todo mundo adora sair do banho e se secar com uma toalha macia, felpuda e, principalmente, limpa.

Mas, além do prazer de uma toalha perfumada, existe mais uma razão para se preocupar com a questão da limpeza: os fungos e bactérias.

Cientistas afirmam que as toalhas que usamos diariamente para secar mãos, rosto ou todo o corpo são locais de cultivo de todo tipo de bactérias e fungos, além de acumularem células de pele morta e secreções salivares, anais e urinárias.

Para piorar, as toalhas também podem acumular ácaros e outros agentes prejudiciais à saúde.

Esses pedaços de tecido são ambientes ideiais para a proliferação de tudo isso, pois têm muitas das condições indispensáveis para garantir a vida dos micróbios, entre elas água, temperatura alta e oxigênio.

Na toalha e no corpo

Toalhas limpasImage copyrightTHINKSTOCK

Image captionToalhas limpas não são apenas um prazer, são uma necessidade

Nosso corpo também apresenta estas condições ideais para bactérias e fungos – nós estamos cobertos de microorganismos dos pés à cabeça.

Desta forma, quando você se seca com a toalha, os micróbios e secreções de nosso próprio corpo ficam depositados no tecido.

Os resíduos celulares, junto ao oxigênio do ambiente, servem de alimento para os micróbios. E a umidade constante do banheiro favorece sua sobrevivência e reprodução.

A maioria dos micróbios provavelmente não vai causar nenhum problema, já que eles estão saindo de nosso próprio corpo. Mas eles estão ali, na toalha, se multiplicando rapidamente…

E tudo muda se você compartilha toalhas: neste caso, o corpo fica exposto aos micróbios do outro.

E o pior é que as toalhas também podem acumular micróbios que estão presentes no próprio banheiro.

Cama e mesa

Estudos realizados em hospitais confirmam que as toalhas e os lençóis são veículos para a disseminação de vírus e bactérias.

Apesar de, comparativamente, residências não serem ambientes de alto risco, é certo que as toalhas podem se transformar em um problema.

Toalhas penduradasImage copyrightTHINKSTOCK

Image captionO ambiente do banheiro às vezes não facilita a secagem das toalhas

Uma pesquisa realizada pela revista Women’s Health em 2015 sugeriu que 44% das mulheres ouvidas trocavam os lençóis e toalhas uma vez por semana. Mas 47% faziam isso duas vezes por mês ou menos.

“Não há dados científicos para determinar com exatidão com qual frequência devemos trocar lençóis e toalhas”, disse à BBC a cientista Sally Bloomsfield, especialista em doenças infecciosas e consultora do Fórum Científico Internacional de Higiene do Lar.

Porém, acrescenyta a especialista, há provas de que existem riscos de infecção dentro de casa.

São desde infecções na pele até uma variedade de doenças como as causadas por bactérias Escherichia coli ou Staphylococcus aureus.

E aí surgem as dúvidas de como minimizar estes riscos.

Em primeiro lugar Bloomsfield desaconselha o compartilhamento de toalhas, especialmente as toalhas de mão, assim como outros objetos relacionados à higiene pessoal.

“Os tecidos úmidos são um refúgio especial para organismos prejudiciais”, alertou a pesquisadora.

Quanto ao intervalo para substituir as toalhas, durante muito tempo o conselho foi de trocas semanais como uma forma de evitar infecções.

Mas agora os cientistas acreditam que até uma semana é tempo demais para usar uma toalha.

“Se você consegue secá-las completamente, não deve usá-las mais do que três vezes. Este é o máximo”, aconselha Philip Tierno, microbiólogo e patologista da Escola de Medicina da Universidade de Nova York em uma entrevista para o Business Insider.

Toalhas no banheiroImage copyrightTHINKSTOCK

Image captionMicroorganismos gostam do ambiente úmido do banheiro

Tudo seco

A chave, segundo os especialistas, é que entre um uso e outro a pessoa consiga secar a toalha completamente. Algo que nem sempre acontece em espaços sem janelas ou com pouca ventilação – por exemplo, se a porta do banheiro onde a toalha fica pendurada fica fechada.

“Bactérias e mofo começam a se acumular, mas seu crescimento é freado à medida que a toalha seca”, explicou Kelly Reynolds, professor de saúde ambiental da Universidade do Arizona.

Bloomsfield, por sua vez, é mais radical: acredita que, em uma situação ideal, as pessoas deveriam lavar as toalhas depois de cada uso.

Se isso não for possível, “é preciso enxaguá-las imediatamente depois do uso e secar muito bem a toalha”.

Para acabar com os microorganismo, é preciso enxaguar a toalha com água a 60 graus. Ou, caso a água esteja em uma temperatura mais baixa que esta, usar detergentes que incluam agentes branqueadores que tenham como base o oxigênio.

Roger FedererImage copyrightAFP/GETTY IMAGES

Image captionAs toalhas acumulam células mortas e secreções do corpo e, se forem usadas para secar o suor, acumulam uma quantidade ainda maior de resíduos

Também ajuda usar uma pequena dose de vinagre branco para evitar o cheiro de umidade e, em seguida, lavar a toalha com o sabão que geralmente é usado na casa.

E, se possível, o melhor é secar as toalhas ao ao livre.

Bloomsfield afirma que, na dúvida, é melhor lavar demais do que de menos.

Os especialistas também apontam para um sinal de alerta: o cheiro de umidade na toalha é sinal de que os micróbios estão se multiplicando no tecido – é preciso jogá-la na máquina de lavar roupas o mais rápido possível.

Fonte:BBC Brasil

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jan 08 2017

Como o Japão praticamente extinguiu as mortes por arma de fogo

O Japão tem uma das menores taxas do mundo de crimes cometidos com armas de fogo. Em 2014, foram registradas no país seis mortes contra 33.599 nos Estados Unidos no mesmo período. Mas qual é o segredo dos japoneses?

Se você quer comprar uma arma no Japão é preciso paciência e determinação. É necessário um dia inteiro de aulas, passar numa prova escrita e em outra de tiro ao alvo com um resultado mínimo de 95% de acertos.

Também é preciso fazer exames psicológicos e antidoping.

Os antecedentes criminais são verificados e a polícia checa se a pessoa tem ligações com grupos extremistas.

Em seguida, investigam os seus parentes e mesmo os colegas de trabalho.

Lei rigorosa

A polícia tem poderes para negar o porte de armas, assim como para procurar e apreendê-las.

E isso não é tudo. Armas portáteis são proibidas. Apenas são permitidos os rifles de ar comprimido e as espingardas de caça.

A lei também controla o número de lojas que vendem armas.

Na maior parte das 47 prefeituras do Japão, o número máximo é de três lojas de armas e só se pode comprar cartuchos de munição novos se os usados forem devolvidos.

Homem apontando armaImage copyrightALAMY

Image captionAté mesmo o crime organizado no Japão dificilmente usa armas de fogo. Geralmente, os criminosos utilizam facas

A polícia tem que ser informada sobre onde a arma e a munição ficam guardadas – e ambas devem estar em locais distintos, trancadas. Uma vez por ano a polícia inspecionará a arma.

Depois de três anos, a validade da licença expira e a pessoa é obrigada a fazer o curso e as provas de novo.

Tudo isso ajuda a explicar por que os tiroteios e massacres com armas de fogo são muito raros no Japão.

Quando um massacre ocorre no país, geralmente o criminoso utiliza facas.

Apenas seis tiros em 2015

A atual lei de controle de armas japonesa foi criada em 1958, mas a ideia por trás dela remonta a séculos atrás.

“Desde que as armas chegaram ao país, o Japão sempre teve leis bastantes rigorosas,” diz Iain Overton, diretor-executivo da organização não-governamental Action on Armed Violence e autor do livro Gun Baby Gun (Arma Baby Arma, em tradução livre).

“O Japão foi o primeiro país do mundo a criar leis sobre as armas e isso é a base para mostrar que elas não fazem parte da sociedade civil”.

A população japonesa tem sido premiada por devolver armas antigas, algumas de 1685.

Overton descreve essa política como “talvez a primeira iniciativa para comprar armas de volta”.

O resultado é um índice muito baixo de porte de armas: 0,6 armas por 100 pessoas em 2007, em comparação com 6,2 por 100 na Inglaterra e no País de Gales, e 88,8 por 100 nos Estados Unidos, de acordo com o projeto Small Arms Survey, do Instituto de Estudos Internacionais e de Desenvolvimento de Genebra, na Suíça.

“Quando se tem armas na sociedade, há violência armada. E acredito que a relação tem a ver com a quantidade”, diz Overton.

“Se há poucas armas numa sociedade, é quase inevitável que os níveis de violência sejam baixos”, acrescenta.

Policiais japoneses dificilmente andam armados e a ênfase é maior nas artes marciais – todos devem chegar a faixa preta do judô. Eles passam mais tempo praticando quendô (uma luta com espadas de bambu) do que aprendendo a usar armas de fogo.

“A resposta à violência nunca é violência. A polícia japonesa disparou apenas seis tiros em todo o país em 2015”, diz o jornalista Anthony Berteaux.

“O que geralmente a polícia japonesa faz é usar imensos colchonetes para embrulhar, como uma panqueca, a pessoa que está violenta ou bebeu demais e levá-la para se acalmar na delegacia”, explica.

Overton compara este modelo com o americano que, segundo ele, tem sido o de ‘militarizar a polícia”.

Policial em Ferguson, Missouri.Image copyrightGETTY IMAGES

Image captionEspecialistas afirmam que nos EUA a política é de “militarização das polícias” e isso aumenta a violência na sociedade

“Se há muitos policiais sacando armas nos primeiros instantes de um crime, isso leva a uma pequena corrida por armas entre a polícia e os criminosos”, afirma.

Para frisar o tabu ligado ao uso inadequado de armas no Japão, um policial que usou a própria arma para cometer suicídio foi processado, depois de morto, por ter cometido um crime.

Ele se matou quando estava de serviço – os policiais nunca andam armados nas folgas e deixam as armas na delegacia quando terminam o dia de trabalho.

O cuidado que a polícia tem com as armas de fogo se aplica aos próprios policiais.

Uma vez, o jornalista Jake Adelstein assistiu a um treinamento de tiro e, quando todas as cartucheiras foram recolhidas, a preocupação foi imensa ao descobrirem que estava faltando uma bala.

“Uma bala tinha sumido – havia caído atrás dos alvos – e ninguém pôde sair dali até que fosse achada”, lembra.

“Não existe um clamor popular no Japão para que as leis sobre armas sejam relaxadas”, diz Berteaux. “Isso tem muito a ver com um sentimento pacifista do pós-guerra, de que a guerra foi horrível e não podemos nunca mais passar por isso”.

Munição em loja de armas do JapãoImage copyrightREUTERS

Image captionA compra de munição também é rigorosamente controlada no Japão, onde o número de lojas que vendem armas é limitado por lei

“As pessoas assumem que a paz sempre vai existir e, quando se tem uma cultura como esta, você não sente a necessidade de estar armado ou de ter um objeto que acabe com esta paz”.

Na verdade, movimentos para aumentar o papel do Japão em missões de paz no exterior têm causado preocupação.

“É um território desconhecido,” diz Kouchi Nokano, professor de Ciência Política. “Será que o governo vai tentar tornar normal a morte nas forças de defesa e até mesmo exaltar o uso de armas?”

De acordo com Iain Overton, “o nível de rejeição que torna quase tabu” as armas no Japão significa que o país “caminha para se tornar um lugar perfeito” – embora ele lembre que a Islândia também tem um índice muito baixo de crimes com armas de fogo, apesar de ter muito mais donos de armas.

Henrietta Moore, do Institute for Global Prosperity da University College London, aplaude os japoneses por não considerarem a propriedade de armas como uma “liberdade civil” e rejeitarem a ideia de que armas de fogo “são algo que se usa para defender a sua propriedade contra outras pessoas”.

Mas para o crime organizado japonês as rígidas leis de controle de armas são um problema. Os crimes da máfia japonesa, a Yakuza, caíram drasticamente nos últimos 15 anos e os criminosos que continuam usando armas de fogo têm que descobrir novas maneiras de entrar com elas no país.

“Os criminosos escondem armas dentro de carregamentos de atuns congelados”, conta o policial aposentado Tahei Ogawa. “Já descobrimos alguns peixes recheados com armamento”.

Fonte: BBC Brasil

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jan 08 2017

PCC não precisa de líderes para acontecer, diz autora de livro sobre a facção

O PCC (Primeiro Comando da Capital) parece estar no centro das duas grandes rebeliões que aconteceram na última semana no Brasil.

No Amazonas, 60 presos supostamente ligados à facção morreram após um motim no Complexo Penitenciário Anísio Jobim. Eles teriam sido assassinados por membros da rival Família do Norte.

Na sexta-feira, o conflito aconteceu em Roraima, onde 33 homens foram mortos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista. O PCC estaria envolvido.

Por último, neste domingo, uma nova rebelião aconteceu em Manaus, desta na Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, que passou a receber presos ameaçados de morte. Ao menos quatro pessoas foram mortas.

Quem pensa na briga do PCC com a Família do Norte, talvez imagine os chefões do Comando ordenando os assassinatos. Mas a antropóloga Karina Biondi, autora de Junto e Misturado: uma etnografia do PCC, diz que não é bem assim.

Pesquisadora do tema há 14 anos, Biondi afirma que o PCC é mais uma ideia ou uma metodologia de vida do que uma estrutura organizada. Essas características fluidas permitiram que a ética da facção se espalhasse para outros Estados sem a necessidade de ordens superiores.

Prova disso, diz a antropóloga, é que as rebeliões aconteceram mesmo com o isolamento, em São Paulo, dos supostos líderes do PCC. Ela acredita que membros paulistanos tenham levado os ideais do grupo – de união dos presos contra o sistema penitenciário – para as cadeias do Norte.

Homem abre covas onde foram enterrados os corpos de mortos em matançaImage copyrightREUTERS

Image captionPesquisadora afirma que o PCC é mais uma ideia do que uma estrutura organizada

“Para ter chegado lá, alguém deve ter levado a ideia e fez ela se propagar. Essa propagação depende da capacidade de oratória, de persuasão, pré-requisitos para que uma pessoa seja convidada a integrar o PCC.”

Leia abaixo os principais trechos da entrevista:

BBC Brasil – Em seu livro, você diz que a presença do PCC não depende da presença de seus membros ou de líderes. O que você acha que aconteceu em Amazonas e Roraima?

Karina Biondi – Antes de tudo, o PCC é mais uma ideia do que uma estrutura montada. Por constituir mais a ideia de uma forma de se proteger, uma metodologia de vida, ele consegue acontecer sem que necessariamente esteja vinculado a pessoas.

Mas, é inevitável que, para que essa ideia seja propagada, alguém tem que levá-la. Acho que seria o caso de ter membros mesmo do PCC nesses lugares, mas é uma suposição.

BBC Brasil – As pessoas imaginam que o PCC é uma facção com estrutura bem definida. Você pode explicar como ele se organiza?

Biondi – Essa interpretação (do PCC como organização hierarquizada) tem a ver com a forma como estamos acostumados a pensar o mundo. Conhecemos uma estrutura estatal e tentamos transplantá-la para o que estamos vendo.

Meu esforço (na pesquisa) foi tentar não aplicar esses modelos mentais no que eles fazem. Se fosse uma estrutura hierárquica, piramidal, que dependesse da existência de líderes para acontecer, a atuação do governo paulista de isolar ou transferir líderes teria acabado com o PCC.

Na minha pesquisa, havia situações nas quais o PCC acontecia mesmo quando não tinha nenhum membro da facção presente. Isso ocorre, por exemplo, nas Febems, onde não existem membros do PCC porque (a facção) não batiza menores de idade.

Aconteceu também numa cadeia onde fiz pesquisa. Ela era do PCC, orientada de acordo com a ética do PCC, mas não tinha membros ali.

O PCC é, antes de qualquer coisa, uma ideia ou, como eles chamam, um movimento. Não tem um limite definido, e pode se prolongar indefinidamente.

BBC Brasil – No que a ética do PCC consiste?

Biondi – O principal pilar dessa ética é que os ladrões – como eles chamam toda pessoa que transita pelo mundo criminal -, que no caso são os presos, têm que se unir, e não guerrear uns com os outros, para que consigam enfrentar o inimigo comum: o sistema carcerário. Este é um dos pilares do PCC: a paz entre os presos e a guerra contra o sistema policial e carcerário.

Outra coisa que se tornou pilar é a igualdade.

BBC Brasil – Você diz que não é necessário haver um membro do PCC para garantir a presença da facção. O que te faz supor que haveria membros nas cadeias de Amazonas e Roraima?

Biondi – Para ter chegado em Manaus, acho que dependeu da existência de algum membro.

Alguém deve ter levado a ideia e feito ela se propagar. Essa propagação depende da capacidade de oratória, de persuasão, pré-requisitos para quem uma pessoa seja convidada a integrar o PCC.

BBC Brasil – Existe um convite formal?

Biondi – Sim, existe um batismo, ele assumem um compromisso. Mas não quer dizer que todas as pessoas que morreram (na rebelião) fossem membros do PCC.

Um membro não necessariamente conhece o outro. Eles não ostentam ser ou não membros.

Presos são transferidos do Compaj para presídio onde correm menos riscoImage copyrightREUTERS

Image captionPesquisadora afirma que presos em Manaus podem ter matado pessoas que não faziam parte do PCC

BBC Brasil – Com toda essa discrição, como acontece a comunicação e o envio de recados?

Biondi – A comunicação não é infalível e nem sempre chega em todos os lugares ou da mesma forma. Alguns pesquisadores dizem que o lema do PCC mudou. Teriam adicionado a palavra “união”. Fui para a pesquisa de campo e escutei isso. Mudei de bairro e as pessoas nunca tinham ouvido falar.

No início, o lema era “Paz, Justiça e Liberdade”, o mesmo do Comando Vermelho. Depois, incluíram “Igualdade” – foi quando um monte de coisas mudaram no funcionamento do PCC, com uma obsessão pela igualdade. Recentemente, houve a inclusão da “União”. Mas até quando fiz a pesquisa nas ruas não era em todo lugar que tinha chegado.

Chegava num bairro, e os moradores não sabiam quem era membro e quem não era. Não é uma coisa tão evidente, como no Rio de Janeiro, onde o dono do morro anda ostentando, com uma equipe de segurança. Em São Paulo, é tudo muito discreto.

Fico imaginando que, se isso foi replicado no contexto de Manaus, as pessoas que mataram (na rebelião) poderiam não saber de fato se os outros eram ou não membros do PCC.

BBC Brasil – As característica de discrição e fácil difusão são específicas do PCC ou são comuns a outras facções?

Biondi – Pelo o que leio de pesquisas do Rio, (as facções) são bem diferentes em termos de visibilidade e hierarquia. Toda essa forma disforme do PCC é consequência da obsessão pela igualdade. Não é porque sou membro do PCC que tenho mais direitos do que os outros presos.

Tudo vai tornando o PCC disforme: não saber exatamente quem é membro, a pessoa não ostentar, porque ela não pode mandar. Se mandar, vai estar ferindo um dos princípios do lema do PCC. Uma relação de mando vai contra a igualdade e é passível de expulsão.

BBC Brasil – Não existem ordens de um hierarquia superior?

Biondi – Eles não chamam de ‘ordens’, chamam de ‘salves’. Quando uma orientação tem um caráter mais incisivo, ela vem em nome do PCC e não de pessoas específicas. O PCC está acima. Aí sim aparece uma relação de desigualdade.

PrisãoImage copyrightPASTORAL CARCERÁRIA

Alguém comete um erro. Eles não falam em ‘julgamento’, nem em ‘punição’, que são coisas do sistema. Eles falam em ‘consequências’. E como a pessoa vai ser cobrada pelo erro? A cobrança não vem de atores individuais, vem do PCC. Ainda que sejam atores que apliquem a punição. É um método para que você resguarde uma certa ideia de igualdade.

Ela (a consequência) necessariamente tem que ser anônima.

BBC Brasil – Na madrugada de sexta, houve a rebelião em Roraima, com 33 mortos, e governo do Estado falou em envolvimento do PCC. A vingança faz parte do modus operandi da facção?

Biondi – Em certos casos, sim. Já fiquei sabendo de ocasiões em que até a igualdade é requisitada para justificar vida que se paga com vida. Aí eles decretam a morte de pessoas com base na igualdade. É possível.

BBC Brasil – No livro, você conta como PCC saiu vitorioso em São Paulo depois de várias brigas entre facções nos anos 1990. Estamos vendo uma volta desses conflitos?

Biondi – Em São Paulo, não. O PCC ainda é hegemônico e não temos notícias de guerra. Sempre aparecem pontos de oposição, mas são muitas cadeias em São Paulo, com 200 mil presos. É a maior população carcerária do país, e mais de 90% são alinhados ao PCC, com base no que dizem presos e agentes carcerários. Não se acaba com esse tipo de hegemonia de uma hora para outra.

Em outros Estados, isso está em jogo ainda. É a frente expansiva e expansão não se dá sem morte. De um lado ou de outro.

BBC Brasil – O PCC tem a expansão como um de seus objetivos?

Biondi – Sinceramente, não sei.

As pessoas que são do crime são a despeito do PCC existir. É ilusório pensar que uma pessoa trafica drogas por causa do PCC. Mas para esse negócios, sejam assaltos, tráfico ou outra atividade criminosa, já há um bom tempo (as pessoas) saem de São Paulo. E às vezes são presos fora (do Estado).

Imagino que, na hora que se é preso em outras cadeias, leva-se a ideia. É um dos fatores de expansão e mesmo de aliança, de tornar as coisas mais fáceis para práticas criminais. Mas não sei se existe um propósito comum.

BBC Brasil – Você começou a pesquisar o PCC em 2003. Percebe mudanças da facção nesse período?

Biondi – Algo apareceu recentemente, quando voltei a estudar cadeias: os demais presos, não membros do PCC, reclamam que a cadeia está largada, que a quebrada está largada, que o PCC está fraco. A ideia seria de conivência. Vejo que cada vez menos a resolução de conflitos se dá de forma violenta. Eles têm se tornado mais tolerantes, digamos. E isso tem muito a ver com a Lei de Drogas, que agora tem dez anos.

Depois da lei, não se encarcera usuários, mas os usuários passaram a ser presos como traficantes. Então, as cadeias de São Paulo estão lotadas de usuários e eles não são necessariamente do crime, não têm essa ética do crime. A forma de lidar com isso foi tornar-se mais tolerante e conscientizar essas pessoas em vez de cobrar.

Nessa lógica, os usuários ficam dando mancada toda hora e os outros presos ficam nervosos, dizendo que o PCC está frouxo.

BBC Brasil – Conscientizar de que forma?

Biondi – É conversar, explicar. Dizer: “se você fizer isso, está desrespeitando o companheiro”. Aí o cara comete outro erro, e o PCC conversa de novo.

Imagino que seja uma decisão política. Porque se fossem expulsar todas as pessoas que cometem erros dessa natureza, de convívio, a oposição já estaria maior do que o PCC. É uma estratégia para manter a hegemonia e trazer as pessoas para o lado do PCC e não torná-las inimigas.

Fonte:BBC Brasil

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